Tudo fica maluco às vezes. Acho que agente para de fazer sentido... Ou é o mundo que para.
Mas no fim só pode ser um dos dois.
De tarde é mais fácil deixar que me entre a melancolia com aquele cheiro de chuva que tem Paulo Afonso dia sim dia não.
O sol vai se pondo, demora um pouco, é a parte do dia que mais combina comigo, quando o sol tinge a cidade com raios um tanto roseas.
E tudo fica lânguido, é como se o mundo parasse para que você pudesse ver o sol despedir-se dos pássaros.
Não sei a hora exata, nunca sei nada a ver com a hora, deixa ela correr, quem se importa...
Perder-se por dentro de mim mesma me é tão fácil, meu coração é fundo como um poço sem fim, talvez por isso me perca tanto, e por fim o coitado ainda é confuso.
Quer amar, mas não quer, tem medo, medo de sofrer não é, deve ser medo de sentir-se rebaixado. E que lá tem isso a ver com o amor.
Esqueçâ-mos do amor.
Me apoio na janela pequenina, de lá o mundo não me vê, só eu o vejo, para desejá-lo em silêncio, e suspirar por achá-lo injusto, e mesmo assim, tão belo.
Quando o céu fica verde já a cidade não mais me agrada, é como se ficasse suja, céu esverdeado dá-me nos nervos, não sei o motivo, e quem lá quer saber...
E quem sabe quando se mostre a lua em sua total posição no céu, tenha eu gosto de voltar à janela, enamorar-me das estrelas, e pedir a elas trégua por nossa guerra de céu e terra.
E se passam assim quase todos os dias, eu entre suspiros de menina e lágrimas de mulher.
quinta-feira, 21 de junho de 2007
...AMOR...
Amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor.
Ow palavra que vicia! E eu corro para minha janela ^^.
Ow palavra que vicia! E eu corro para minha janela ^^.
terça-feira, 19 de junho de 2007
...
já encontrava-me eu em minha insônia, quando tinha a lua por estender-se em seu céu negro, véu da viúva branda, mau amada, e lhe são as lágrimas as pequeninas estrelas; por mais que meus olhos por ti caíssem, era-me um sonho inesquecível, ver-te assim tão bela, no prata de tua morte; fostes minha única amante, em menino, jovem e adulto; em verdade amei só a ti, a única a qual não podia possuir...
Bem... faz pouco tempo que o deixei ir completamente, alguns podem reconhecer o quanto para mim é difícil deixar de amar alguém, ou outros esquecem de um amor tão facilmente que... parece até que nunca amaram... ou se quer gostaram...
Mas fui eu a culpada, eu que o deixei, fiz o que era preciso, disse-me um amigo: não é ele que não é para você, você que não é para ele. ^^
Vlw moço ^^,
Sei que poço muito mais do que alguém como ele, não me gabo, pelo contrario, culpo esse coração estúpido que amo tanto!
E agora finalmente posso te dizer: Adio!
Foi uma boa aventura, valeu ótimas lembranças, e umas bastantes complexas, tinha muito nele que eu não aprovava, como viver um relacionamento deste jeito?
... E agora falo como uma adulta...
Mas bem, digo novamente: Adio!!!!
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ando tendo muitos Déjà vu’s ultimamente, tantos que as vezes adivinho o que alguém estava para me dizer... É uma sensação estranha, essa de se estar vivendo em sonho... e uma conhecida minha ainda me vem e diz: você n tem medo?
¬¬
Ora! Medo de que! Não é que eu vá morrer ou algo do gênero, e mesmo assim, pra que temer a morte?!
^^
Pois bem meus visitantes, sejam bonzinhos comigo... É a primeira vez que faço algo do gênero... Falo de mim assim tão abertamente, para amigos, familiares, e estranhos até...
E por incrível que apreça é um tanto simples...
Um abraço aqueles que realmente prestam atenção ao que uma louca tem a dizer...
É-lhe um amor impossível, e assim faz apenas ignorá-lo...
Espera... Não é Elena ali na esquina?
Pois ora... Magnífica Elena, é uma bela mulher, mas lhe aconselho meu caro leitor, que dela não se aproxime, é a mim em corpo feminino, uma destruidora de sonhos, te fará amar e odiar, te fará com que não a esqueças nunca...
Ora minha doce Elena... Que aprontas tu em tuas paginas? Tanto quis eu fazer parte delas, mas não me deixa, somos por demais parecidos. Nos suprimos apenas de palavras bonitas ditas um pelo outro, e do calor de um abraço...
Mas de teus lábios inda hei de provar, minha querida, irás ver...
E subitamente me tomo em raiva, torna-me poeta sem se quer dar-me um olhar...
Escondo-me para que não me veja, pareço um tolo, aqui recostado nesse poste com olhares contempladores a uma amiga tão querida.
Busco nos bolsos um papel sequer, uma caneta, não tenho absolutamente nada... E ela ainda ali, em pé de frente a floricultura, nada parece realmente acontecer-lhe, tem um de seus olhares inexistentes.
Veste-se feito um homem, roupas sempre escuras, talvez queira esconder a beleza que lhe foi dada tão generosamente. Mas lhe é impossível. Deixo meus olhos se banharem nesse céu brasileiro, tão exuberante, tão vivo, como só o é aqui, nessa terra sem mãe.
Por um segundo alguém me sussurra algo, volto os olhos para minha frente e me deparo com seus olhos castanhos sempre tão sedutores.
-Que fazes tu por aqui meu doce amante?
Me dizia ela, enquanto tentava arrancar de seus olhos o verdadeiro significado de chamar-me de seu amante, mesmo já sabendo eu que lhe era pura brincadeira, iludir-me com suas brincadeiras lhe é tão fácil.
Ela se aproxima de mim, e em sussurros me diz ao ouvido:
-Sou tua... Completamente tua... Pois se em teu peito agora bate meu coração, o teu bate em meu seio, nada mais podemos fazer a não ser amarmos mutuamente sem medo do sofrer...
Dá um de seus mais orgulhosos sorrisos e numa voz animada:
-Gostou? Me veio agora... Por isso gosto de passeios sem sentido, acabo de criar metade do fim de minha historia!
Me pega pelo braço e me pergunta as novidades. Para ela é tudo tão fácil... Quem sabe seja melhor assim, amar somente em palavras dum livro, enquanto lhe supro os carinhos tão precisos sem nada pedir em troca...
Pois ora... Magnífica Elena, é uma bela mulher, mas lhe aconselho meu caro leitor, que dela não se aproxime, é a mim em corpo feminino, uma destruidora de sonhos, te fará amar e odiar, te fará com que não a esqueças nunca...
Ora minha doce Elena... Que aprontas tu em tuas paginas? Tanto quis eu fazer parte delas, mas não me deixa, somos por demais parecidos. Nos suprimos apenas de palavras bonitas ditas um pelo outro, e do calor de um abraço...
Mas de teus lábios inda hei de provar, minha querida, irás ver...
E subitamente me tomo em raiva, torna-me poeta sem se quer dar-me um olhar...
Escondo-me para que não me veja, pareço um tolo, aqui recostado nesse poste com olhares contempladores a uma amiga tão querida.
Busco nos bolsos um papel sequer, uma caneta, não tenho absolutamente nada... E ela ainda ali, em pé de frente a floricultura, nada parece realmente acontecer-lhe, tem um de seus olhares inexistentes.
Veste-se feito um homem, roupas sempre escuras, talvez queira esconder a beleza que lhe foi dada tão generosamente. Mas lhe é impossível. Deixo meus olhos se banharem nesse céu brasileiro, tão exuberante, tão vivo, como só o é aqui, nessa terra sem mãe.
Por um segundo alguém me sussurra algo, volto os olhos para minha frente e me deparo com seus olhos castanhos sempre tão sedutores.
-Que fazes tu por aqui meu doce amante?
Me dizia ela, enquanto tentava arrancar de seus olhos o verdadeiro significado de chamar-me de seu amante, mesmo já sabendo eu que lhe era pura brincadeira, iludir-me com suas brincadeiras lhe é tão fácil.
Ela se aproxima de mim, e em sussurros me diz ao ouvido:
-Sou tua... Completamente tua... Pois se em teu peito agora bate meu coração, o teu bate em meu seio, nada mais podemos fazer a não ser amarmos mutuamente sem medo do sofrer...
Dá um de seus mais orgulhosos sorrisos e numa voz animada:
-Gostou? Me veio agora... Por isso gosto de passeios sem sentido, acabo de criar metade do fim de minha historia!
Me pega pelo braço e me pergunta as novidades. Para ela é tudo tão fácil... Quem sabe seja melhor assim, amar somente em palavras dum livro, enquanto lhe supro os carinhos tão precisos sem nada pedir em troca...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
É-se fácil viver, difícil é atar-se a seus problemas.
É um restaurante de segunda, mas é um bom restaurante. Sempre nos encontramos aqui quando ele tem por voltar á cidade. Está já meia hora atrasado, sempre foi assim, nunca pontual.
Nos conhecemos a mais ou menos 3 á 4 anos, era eu um aspirante e ele um veterano. Ele sempre se queixando da falta de inspiração e eu de minhas poucas palavras. Me critica a toda força e demonstra inveja pela minha facilidade de escrita, mas no fundo sabe que sua demora por ter o que escrever o compensa, pois me supera a cada palavra, e é ai que eu lhe substituo papel e passo a ser o invejoso.
Senta-se em minha frente sem dar palavra, com seus ares de ignorante, e seu corpo fora do peso. Olha para as pessoas ao redor e quando nota meu sorriso sarcástico faz um barulho com a língua nos dentes e diz:
-Não me venha com teus bons humores de jovem, Diego, estou passado!
Sorrio-lhe caridoso por seja lá quais forem suas dores de consciência de gente velha.
-E como vão os meninos?
Puxo para junto de mim a xícara de café que me traz a garçonete, e ele me responde enquanto observa as suas belas curvas femininas:
-Estão ótimos... Aline arranjou um namorado novo... Tanto pedi eu a Deus que me desse apenas homens.
Rio a bom grado dessa sua “desgraça”, ele me olha irônico:
-Inda irás sofrer com isso Diego, podes apostar!
E ri-se finalmente.
Fito-lhe com o canto dos olhos, para que não perceba que lhe decoro os pensamentos e as maneiras, finjo brincar com o guardanapo enquanto lhe traço o primeiro fio de sua personalidade. Parece-me um segurança aposentado...
-Não me faças um dos teus personagens mórbidos, meu caro, estou bem como estou.
É-me engraçado pensar que já reconhece quando traço o perfil de meus personagens “mórbidos” como diz ele.
-Acho que Clarissa anda a me trair...
O fito espantado, esta recostado na cadeira a palitar os dentes amarelos do fumo.
-Não seja bobo, Clarissa não te trairias, são tuas paranóias de escritor, fazemos muito caso do pouco...
-Não te faças de imbecil Diego! Não achas que não conheço minha própria mulher?!
Calo-me enquanto busco nos bolsos da jaqueta a sombra de algum cigarro perdido.
-... Anda-me com poucas palavras... Chega tarde em casa e não me dá palavra...
Me dá um de seus cigarros baratos, o acende, agradeço.
-São coisas de casais, meu amigo, verá que é apenas uma fase.
Ele se remexe na cadeira de cenho franzido:
-Que seja...
Nunca traí apesar de ter uma imensa curiosidade de saber como me sentiria sendo um traidor. Machuco as mulheres em seus mais finos sentimentos, brinco com elas por diversão, e elas brincam comigo, coisa de criança, viver um atrás do outro em malícias inocentes.
Nem nunca fui traído. Acho eu...
Saber pelo que passa tão querido amigo meu é um tanto... Forçado, podemos dizer... Ou ser-me-á fácil?
-Já não escrevo faz-se uns 6 meses... Estou passado, Diego, ando em desgosto atrás de outro, é-me Clarissa e essa minha duvida, é-me Aline e aquele vagabundo que se diz um bom advogado... E meu mais novo, que agora quer seguir essa carreira desgraçada de jornalista... Nem tempo de olhar as estrelas tenho eu.
E enquanto me fala ele de seus problemas paro para pensar que nunca o imaginei o tipo de homem que sequer olha as estrelas. Acho que nem eu pareço esse tipo de homem... Que para horas em frente ao céu pensando em nada...
Não entremos em poesia.
Levanta-se e pega seu casaco. Passou uns 4 minutos enquanto lhe traçava um novo perfil, quatro minutos calado a fitar a grande Rio de Janeiro bela e animada.
-Tenho de ir-me, combinei de encontrar-me com Elena ainda hoje, sabes como ela é, não gosta de atrasos... Falando em Elena, tu andas a vê-la estes tempos? Acho que anda a esconder-me um bom romance...
-Não a vejo a um bom tempo...
Abaixo os olhos, minto, a vi ontem de noite, adormeceu ao meu lado enquanto lhe recitava um soneto do grande Álvares de Azevedo.
-Bem... Tentarei arrancar-lhe algo hoje. Encontremos-nos ainda um dia desses, sim meu amigo?
E vai-se sem meu adeus.
Escritores não precisam de palavras doces, descobrem a si mesmos, eles próprios se consolam... Diga-nos algo para que não nos lamentemos e te olharemos com um olhar superior. Somos animais estranhos, melhor deixar-nos em nosso canto, em nossos pensamentos...
Nos conhecemos a mais ou menos 3 á 4 anos, era eu um aspirante e ele um veterano. Ele sempre se queixando da falta de inspiração e eu de minhas poucas palavras. Me critica a toda força e demonstra inveja pela minha facilidade de escrita, mas no fundo sabe que sua demora por ter o que escrever o compensa, pois me supera a cada palavra, e é ai que eu lhe substituo papel e passo a ser o invejoso.
Senta-se em minha frente sem dar palavra, com seus ares de ignorante, e seu corpo fora do peso. Olha para as pessoas ao redor e quando nota meu sorriso sarcástico faz um barulho com a língua nos dentes e diz:
-Não me venha com teus bons humores de jovem, Diego, estou passado!
Sorrio-lhe caridoso por seja lá quais forem suas dores de consciência de gente velha.
-E como vão os meninos?
Puxo para junto de mim a xícara de café que me traz a garçonete, e ele me responde enquanto observa as suas belas curvas femininas:
-Estão ótimos... Aline arranjou um namorado novo... Tanto pedi eu a Deus que me desse apenas homens.
Rio a bom grado dessa sua “desgraça”, ele me olha irônico:
-Inda irás sofrer com isso Diego, podes apostar!
E ri-se finalmente.
Fito-lhe com o canto dos olhos, para que não perceba que lhe decoro os pensamentos e as maneiras, finjo brincar com o guardanapo enquanto lhe traço o primeiro fio de sua personalidade. Parece-me um segurança aposentado...
-Não me faças um dos teus personagens mórbidos, meu caro, estou bem como estou.
É-me engraçado pensar que já reconhece quando traço o perfil de meus personagens “mórbidos” como diz ele.
-Acho que Clarissa anda a me trair...
O fito espantado, esta recostado na cadeira a palitar os dentes amarelos do fumo.
-Não seja bobo, Clarissa não te trairias, são tuas paranóias de escritor, fazemos muito caso do pouco...
-Não te faças de imbecil Diego! Não achas que não conheço minha própria mulher?!
Calo-me enquanto busco nos bolsos da jaqueta a sombra de algum cigarro perdido.
-... Anda-me com poucas palavras... Chega tarde em casa e não me dá palavra...
Me dá um de seus cigarros baratos, o acende, agradeço.
-São coisas de casais, meu amigo, verá que é apenas uma fase.
Ele se remexe na cadeira de cenho franzido:
-Que seja...
Nunca traí apesar de ter uma imensa curiosidade de saber como me sentiria sendo um traidor. Machuco as mulheres em seus mais finos sentimentos, brinco com elas por diversão, e elas brincam comigo, coisa de criança, viver um atrás do outro em malícias inocentes.
Nem nunca fui traído. Acho eu...
Saber pelo que passa tão querido amigo meu é um tanto... Forçado, podemos dizer... Ou ser-me-á fácil?
-Já não escrevo faz-se uns 6 meses... Estou passado, Diego, ando em desgosto atrás de outro, é-me Clarissa e essa minha duvida, é-me Aline e aquele vagabundo que se diz um bom advogado... E meu mais novo, que agora quer seguir essa carreira desgraçada de jornalista... Nem tempo de olhar as estrelas tenho eu.
E enquanto me fala ele de seus problemas paro para pensar que nunca o imaginei o tipo de homem que sequer olha as estrelas. Acho que nem eu pareço esse tipo de homem... Que para horas em frente ao céu pensando em nada...
Não entremos em poesia.
Levanta-se e pega seu casaco. Passou uns 4 minutos enquanto lhe traçava um novo perfil, quatro minutos calado a fitar a grande Rio de Janeiro bela e animada.
-Tenho de ir-me, combinei de encontrar-me com Elena ainda hoje, sabes como ela é, não gosta de atrasos... Falando em Elena, tu andas a vê-la estes tempos? Acho que anda a esconder-me um bom romance...
-Não a vejo a um bom tempo...
Abaixo os olhos, minto, a vi ontem de noite, adormeceu ao meu lado enquanto lhe recitava um soneto do grande Álvares de Azevedo.
-Bem... Tentarei arrancar-lhe algo hoje. Encontremos-nos ainda um dia desses, sim meu amigo?
E vai-se sem meu adeus.
Escritores não precisam de palavras doces, descobrem a si mesmos, eles próprios se consolam... Diga-nos algo para que não nos lamentemos e te olharemos com um olhar superior. Somos animais estranhos, melhor deixar-nos em nosso canto, em nossos pensamentos...
domingo, 17 de junho de 2007
Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude
Começo a achar-me um tolo, e sem duvida o sou. Falo, pois é-me um sacrifício muito grande deixar que se vá alguém que um dia amou-me.
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...
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