O que seria de mim,
Se de teus olhos não tirasse o pranto preciso,
E de teus lábios beijos fascinantes de paixão
De teus olhos a devoção que tanto desejo,
De teu corpo o calor tão meu amigo?
Continuaria o que sou se não te fizesse sofrer,
Blasfemar sobre meu nome tão nobre,
Arruinar nosso amor sagrado,
Jurar afeição maior a outra,
Dizer já não mais amar-me, sabendo que ama?
Ainda sorriria se não presenciasse sua queda,
Se não assistisse a sua chacina interior,
Sua autodestruição, tão lenta, e fabulosa.
Se não ouvisse seus gritos da calçada,
Numa daquelas noites em que antes te abraçava,
Sussurrando em teu ouvido a mentira dum amor
Eterno.
Não seria a mesma, bem sei, se não te fizesse
Relembrar sempre que nos vemos novamente
O modo com que amava esses olhos traiçoeiros.
As horas sagradas em que tua voz masculina
Enchia o ar da melodia certa para sua veneração
A este corpo tão doce de tão desalmado.
E depois de tanta angustia, te aconchego á
Meu seio obscuro uma vez mais,
Para que se embebede no vinho de meus olhos,
Para que os fite com a devoção passada.
E para que me diga sem rodeios: A ti sempre o foi.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
sábado, 15 de setembro de 2007
Diálogo entre semelhantes.

A impaciência me sufoca, são as pessoas que vivem a meu lado que me deixam aturdida não me dão espaço para respirar, sinto-me perecer. Salve-me!
Sei o quanto um ser - humano pode agüentar em contato a um mundo negro com o qual eu vivo, apesar de não ser tão negro, é cinza, caminha para a escuridão, perco minha luz, Deus! Sinto-me tão só!
Mesmo assim, cercada daquele calor que suas almas passam, rodeada dele, de suas auras entristecidas ou sorridentes, mesmo assim cercada me encontro só.
Uma sede louca de religião me toma o seio a todo dia, namoro as fachadas das igrejas pelas quais passo, mas não tenho coragem de penetrar porta a dentro de um santuário o qual nós fizemos tornar-se enganoso. É o meu pecado!
Então lhe chamo a sentar-se comigo e me queixo a você sobre esse mundo que me enche a cabeça de totais asneiras. E clamo – apesar de num sussurro – Salve-me!
Minha voz torna-se tenebrosa com o tempo, talvez seja natural.
E instável... Talvez isso que não seja natural.
Veja... Eu não culpo ninguém, nem sequer Ele, como fazem os mais fracos, e confesso, sou uma fraca.
Fraca como...
Desculpe-me, não possuo uma comparação.
É bom ver que almenos você ainda pode sorrir.
Claro que sempre vejo sorrisos, não estamos em guerra.
Não me faça perguntas bobas!
Não suporto seu sarcasmo! Sou fraca, mas não sou boba!
Dê-me um gole dessa água... Claro que não me importo! Não lhe tenho nojo, por outro lado! Não se finja...
Tudo bem... Eu me calo...
Falo por demasiado, eu reconheço. Como vê uma das poucas boas características presentes em meu caráter é a sinceridade.
Chegue mais perto, vou contar-lhe um segredo, deixe que sussurre: eu simplesmente amo morangos...
Surpresa? Não deveria...
... Strawberry fields...
...
É-me difícil não conter as lágrimas, inda mais no estado em que me encontro, e você ainda me canta palavras tão significativas... Sei que tens pena de mim, eu tenho pena de mim mesma, e para que acreditem no que digo minto ter mais idade do que a que possuo.
Você sabe muito bem o quão é difícil viver, apesar de nunca ter experimentado... você enxerga, você sente através desse sorriso que chega a segar.
Mas não deixa de sorrir... Parece tão fácil!...
Diga-me, Reflexo, como consegue?
domingo, 26 de agosto de 2007
Diálogo
Um olhar desconfiado depois do adeus.
Ele longe, ela ainda lá.
De todo não lhe era confiável nem um pouco.
Fitou as mãos, todos os anéis, e o relógio.
Não confiava em nada nem ninguém, só no seu cachorro vira-lata dengoso e gordo que dormia debaixo da mesa da cozinha o dia todo.
“E ele disse que ela anda meio triste por conta do cachorro do noivo que largou ela um dia desses ai...”
“Pobre dela...”
“Pobre dele que não viu antes onde se metia, você se lembra bem de quem nós estamos falando não lembra?”
“Positivo.”
“Pois então... Pobre dele...”
Agélica era visivelmente atraente, mas não era simpática, nem um pouco, e falava assim, soltando as palavras como cuspe, botando pra fora de si como a galinha bota o ovo.
Era sua única amiga.
“Me diz, e ele já anda com outra não é?”
“Deus lá que sabe.”
“Hum... Então... Solteiro?”
Um olhar desconfiado, ela longe, ela ainda aqui. Não confiava em ninguém.
Ele longe, ela ainda lá.
De todo não lhe era confiável nem um pouco.
Fitou as mãos, todos os anéis, e o relógio.
Não confiava em nada nem ninguém, só no seu cachorro vira-lata dengoso e gordo que dormia debaixo da mesa da cozinha o dia todo.
“E ele disse que ela anda meio triste por conta do cachorro do noivo que largou ela um dia desses ai...”
“Pobre dela...”
“Pobre dele que não viu antes onde se metia, você se lembra bem de quem nós estamos falando não lembra?”
“Positivo.”
“Pois então... Pobre dele...”
Agélica era visivelmente atraente, mas não era simpática, nem um pouco, e falava assim, soltando as palavras como cuspe, botando pra fora de si como a galinha bota o ovo.
Era sua única amiga.
“Me diz, e ele já anda com outra não é?”
“Deus lá que sabe.”
“Hum... Então... Solteiro?”
Um olhar desconfiado, ela longe, ela ainda aqui. Não confiava em ninguém.
domingo, 19 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Diálogo.
“É que quando choras vê-se mais claro os teus olhos, sabe...?”
“E por isso me fazes chorar?”
“E por isso te faço chorar?”
“Diz-me que não me ama...”
“Digo que, um dia, virei a amá-la.”
“Faz assim com que sofra mais.”
“Não me é fácil, mas mentir não posso.”
“Como não? Mentistes ontem ao dizer que viria cedo.”
“E vinha mesmo, não menti, ocorreu-me um imprevisto, por isso atrasei-me.”
“Hum...”
“E como disse também ontem, terei de retirar-me cedo.”
“Cedo? Cedo quando? Cedo agora?”
“Cedo daqui a pouco.”
“E faz-me sofrer novamente.”
“Só para te fazer feliz um dia.”
“Um dia...”
“Um dia...”
“Percebestes que de quando em vez nos olha desconfiado?”
“Sente inveja, é um homem solitário.”
“Não, é porque és um velho já, e eu uma menina.”
“Menina não és, já tens carteira, já dirige, já se cuida.”
“E trabalho, e moro só, e amo um velho.”
“E ama um velho...”
“Vê, é fácil dizer, difícil é sentir.”
“É merecer sentir.”
“Amo um velho sábio.”
“Amas um velho bobo.”
“Um professor.”
“Um bobo.”
...
“Já viu como sorri Adélia junto às camélias?”...
...
“E por isso me fazes chorar?”
“E por isso te faço chorar?”
“Diz-me que não me ama...”
“Digo que, um dia, virei a amá-la.”
“Faz assim com que sofra mais.”
“Não me é fácil, mas mentir não posso.”
“Como não? Mentistes ontem ao dizer que viria cedo.”
“E vinha mesmo, não menti, ocorreu-me um imprevisto, por isso atrasei-me.”
“Hum...”
“E como disse também ontem, terei de retirar-me cedo.”
“Cedo? Cedo quando? Cedo agora?”
“Cedo daqui a pouco.”
“E faz-me sofrer novamente.”
“Só para te fazer feliz um dia.”
“Um dia...”
“Um dia...”
“Percebestes que de quando em vez nos olha desconfiado?”
“Sente inveja, é um homem solitário.”
“Não, é porque és um velho já, e eu uma menina.”
“Menina não és, já tens carteira, já dirige, já se cuida.”
“E trabalho, e moro só, e amo um velho.”
“E ama um velho...”
“Vê, é fácil dizer, difícil é sentir.”
“É merecer sentir.”
“Amo um velho sábio.”
“Amas um velho bobo.”
“Um professor.”
“Um bobo.”
...
“Já viu como sorri Adélia junto às camélias?”...
...
Que forma tem, que forma terá? Teu nome...
Ri-se assim, sem motivos
Inventa graça sobre a graça,
Nada nem nunca, nunca nem nada
Gota sobre gota faz-se a forma, o ritmo
Ouve, tão belo! Nem sabes...
Separa doce do amargo, azedo
Traça o que de traçarem se esquecem
Ásperos o são, deixa que sejam, não és
Revela o que revelar é preciso
Renova, é suave, encantador, efervescente!
Inventa graça sobre a graça,
Nada nem nunca, nunca nem nada
Gota sobre gota faz-se a forma, o ritmo
Ouve, tão belo! Nem sabes...
Separa doce do amargo, azedo
Traça o que de traçarem se esquecem
Ásperos o são, deixa que sejam, não és
Revela o que revelar é preciso
Renova, é suave, encantador, efervescente!
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