sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Uma poesia qualquer.

O que seria de mim,
Se de teus olhos não tirasse o pranto preciso,
E de teus lábios beijos fascinantes de paixão
De teus olhos a devoção que tanto desejo,
De teu corpo o calor tão meu amigo?

Continuaria o que sou se não te fizesse sofrer,
Blasfemar sobre meu nome tão nobre,
Arruinar nosso amor sagrado,
Jurar afeição maior a outra,
Dizer já não mais amar-me, sabendo que ama?

Ainda sorriria se não presenciasse sua queda,
Se não assistisse a sua chacina interior,
Sua autodestruição, tão lenta, e fabulosa.
Se não ouvisse seus gritos da calçada,
Numa daquelas noites em que antes te abraçava,
Sussurrando em teu ouvido a mentira dum amor
Eterno.

Não seria a mesma, bem sei, se não te fizesse
Relembrar sempre que nos vemos novamente
O modo com que amava esses olhos traiçoeiros.
As horas sagradas em que tua voz masculina
Enchia o ar da melodia certa para sua veneração
A este corpo tão doce de tão desalmado.

E depois de tanta angustia, te aconchego á
Meu seio obscuro uma vez mais,
Para que se embebede no vinho de meus olhos,
Para que os fite com a devoção passada.
E para que me diga sem rodeios: A ti sempre o foi.