domingo, 5 de outubro de 2008

Foi-se


Tua plumagem prateada,
A ambiguidade de teus raios
Que me tocam a pele receosos;
O prazer que lhe retiro das palavras
Sussurradas em segredo a mim só;
A ingenuidade deste teu sorriso cândido...
Mas é teu pulsar, teu correr por minhas veias
Que me respiro inteira, vendo-me assim,
A amar-te viciosamente, sorrindo-me receosa
Em olhos lastimosos: Mata-me, aos pouquinhos, mas mata-me!"

Apenas


Os modos fúteis com os quais teus olhos vêem o mundo,
Aquela mínima beleza que se faz perceber timidamente,
Aproxima-se de ti assim, carnalmente,
E ainda atreve-se de tirar-lhe suspiros!
Eu cá, com meus doces brios, chego a sentir-me ciumenta,
E minhas pupilas ardentes em vinho lhe tocam cobiçosas.
"Vês se te sorris assim" digo-lhe eu em meu sorriso doloso
"Quanto tiver em teus, os meus lábios chistosos.".