segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
E das Horas fez-se a Rosa. (Segunda Carta)
E lhe respondo finalmente meu amigo, por muito esperei tua carta, cheguei a pensar que não mo responderia, fiquei realmente triste com tal idéia, e agora que lhe posso ler as palavras. Deixa-me realmente contente.
Em resposta a tua pergunta: Sim, realmente adoro esse “Fim do mundo” para usar tuas próprias palavras. Faz-me sorrir cada pedrinha com que topo em meu caminho. Sinto-me fantástica, não vos minto, não meu amigo, por outro lado, vos sou demasiadamente sincera.
Me falas de tua atual amante, ora, se te queres meter com tais mulheres estás por si mesmo. De muito venho a avisar-te sobre essa dama pela qual andas enamorado, é de certo nada sincera, a maioria o é, mas quem sou eu para dizer-te tais coisas, nunca escutastes meus conselhos sobre teu coração, e sempre que tens por sofrer vem queixar-se a mim. E te recebo de braços abertos, e lhe digo hei de receber-te sempre, não só por ter-lhe como grande amigo, mas pelo pequenino prazer de poder dizer-lhe: Avisei-lhe não avisei?
Mas deixemos teus desencantos com damas para mais tarde, fala-me, como vão os negócios em tua fazenda? Espero que tudo vá demasiadamente bem.
Me perguntastes do povo desse vilarejo. Pois lhe digo que nunca encontrei pessoas mais simplórias, são um amor em muitos modos. Me receberam demasiadamente bem, e tenho tantas casas a ir, e jantares, que certamente não sei como recusar a um e outro convite.
As crianças são as que mais me encantam, curiosas feito ratinhos brancos, me enchem de perguntas, e me sinto obrigada a responder-lhes tudo. De todas prefiro Anita, uma menininha de seis anos, muito esperta, senta-se sempre ao meu lado e traz-me um livro para que o leia para ela, quando tenho por visitar a casa de sua mãe.
Bem si que agora estás por perguntar-se sobre minha paixão, deixei-a de lado, pelo menos por esse pouco tempo em que conheço a vila. Peço para que me perdoe, deves me chamar de preguiçosa, pois sim! Eu o sou! Mas que vergonha de mim mesma...
Ora meu bom amigo, entenda-me, lhe peço para que me entenda.
Prometo-lhe que tentarei chegar perto de meu instrumento assim que sentir-me abita a isso. Ate lá, contentar-me-ei com os livros que agora tenho tempo para ler.
Um grande abraço de tua adorada e sempre amiga.
Em resposta a tua pergunta: Sim, realmente adoro esse “Fim do mundo” para usar tuas próprias palavras. Faz-me sorrir cada pedrinha com que topo em meu caminho. Sinto-me fantástica, não vos minto, não meu amigo, por outro lado, vos sou demasiadamente sincera.
Me falas de tua atual amante, ora, se te queres meter com tais mulheres estás por si mesmo. De muito venho a avisar-te sobre essa dama pela qual andas enamorado, é de certo nada sincera, a maioria o é, mas quem sou eu para dizer-te tais coisas, nunca escutastes meus conselhos sobre teu coração, e sempre que tens por sofrer vem queixar-se a mim. E te recebo de braços abertos, e lhe digo hei de receber-te sempre, não só por ter-lhe como grande amigo, mas pelo pequenino prazer de poder dizer-lhe: Avisei-lhe não avisei?
Mas deixemos teus desencantos com damas para mais tarde, fala-me, como vão os negócios em tua fazenda? Espero que tudo vá demasiadamente bem.
Me perguntastes do povo desse vilarejo. Pois lhe digo que nunca encontrei pessoas mais simplórias, são um amor em muitos modos. Me receberam demasiadamente bem, e tenho tantas casas a ir, e jantares, que certamente não sei como recusar a um e outro convite.
As crianças são as que mais me encantam, curiosas feito ratinhos brancos, me enchem de perguntas, e me sinto obrigada a responder-lhes tudo. De todas prefiro Anita, uma menininha de seis anos, muito esperta, senta-se sempre ao meu lado e traz-me um livro para que o leia para ela, quando tenho por visitar a casa de sua mãe.
Bem si que agora estás por perguntar-se sobre minha paixão, deixei-a de lado, pelo menos por esse pouco tempo em que conheço a vila. Peço para que me perdoe, deves me chamar de preguiçosa, pois sim! Eu o sou! Mas que vergonha de mim mesma...
Ora meu bom amigo, entenda-me, lhe peço para que me entenda.
Prometo-lhe que tentarei chegar perto de meu instrumento assim que sentir-me abita a isso. Ate lá, contentar-me-ei com os livros que agora tenho tempo para ler.
Um grande abraço de tua adorada e sempre amiga.
domingo, 18 de novembro de 2007
Rascunhos
Estava sentada no sofá com a mente um pouco distante quando ele se dirigiu a mim, ele disse:
-Quando pretende ir embora?
Juro que quis rir, ele não era muito de indiretas, na verdade era sempre direto, não se importava com porra de sentimentos de ninguém, e certamente não dava a mínima para mim e meu orgulho ferido.
Fiquei o encarando um pouco, fingindo que não o ouvira direito e estava colocando os sons em seus respectivos lugares de modo a formar a frase que dissera.
Na verdade queria que ele repetisse, ele ficava puto, quando era forçado a repetir algo que acabara de dizer.
E ele repetiu. Então fui forçada a responder.
-Não sei... Por quê? Vai sair com uma de suas putinhas?
E falei ponderando as palavras, prolongando as pausas.
-Já lhe disse que não lhe quero com esse tipo de linguagem em minha casa, quantos anos você tem? Quinze? ... Afinal de contas, por onde anda sua mãe?
O encarei.
-Tem um cigarro?
Ele me deu um desses olhares reprovadores que os adultos fazem tão bem.
Fui obrigada a sair, certamente não queria falar de minha mãe e o puto de seu namoradinho, e obviamente não estava com humor para ouvir um sermão dum velho tarado.
Quer dizer, tarado ele não era. Era até legal, tentava sempre me corrigir, eu o achava hilário.
Sai do apartamento e fui seguindo o corredor até o elevador.
Meio dando pulinhos como uma menininha de dez anos.
-Hey! Hey!
Era alguém que me chamava, parei de dar pulinhos e segui andando normalmente, meia constrangida, era o loco do meu vizinho, um maluco que só se veste de preto e usa pircings pela cara toda, juro que quase não dá para ver a pele, de tão cheio de metal que ele é.
Ele continuou gritando, mas segui direto e desci as escadas, ele podia me alcançar no elevador e eu certamente não queria topar com o maluco do ferro.
-Tem um cigarro?
-O que? Você não fuma.
-Mas acho uma frase legal, que me diz? Olha, tenta: Tem um cigarro, ou me dá um cigarro, ou sei lá o que... Que me diz?
-Que você é completamente louca. Olha, o tal do Zé louco tava atrás de ti, que quer ele contigo?
Esse era o menino da praça, só conheço ele dali mesmo, mas ele sabe meus segredos mais obscuros. Tem esse jeito de falar, vez ou outra, como se fosse um velho. Imitando um personagem de terno e cartola dum romance.
-Tá com ciúmes?
E ouvi ele sussurrar:
-Me dá um cigarro.
-Quando pretende ir embora?
Juro que quis rir, ele não era muito de indiretas, na verdade era sempre direto, não se importava com porra de sentimentos de ninguém, e certamente não dava a mínima para mim e meu orgulho ferido.
Fiquei o encarando um pouco, fingindo que não o ouvira direito e estava colocando os sons em seus respectivos lugares de modo a formar a frase que dissera.
Na verdade queria que ele repetisse, ele ficava puto, quando era forçado a repetir algo que acabara de dizer.
E ele repetiu. Então fui forçada a responder.
-Não sei... Por quê? Vai sair com uma de suas putinhas?
E falei ponderando as palavras, prolongando as pausas.
-Já lhe disse que não lhe quero com esse tipo de linguagem em minha casa, quantos anos você tem? Quinze? ... Afinal de contas, por onde anda sua mãe?
O encarei.
-Tem um cigarro?
Ele me deu um desses olhares reprovadores que os adultos fazem tão bem.
Fui obrigada a sair, certamente não queria falar de minha mãe e o puto de seu namoradinho, e obviamente não estava com humor para ouvir um sermão dum velho tarado.
Quer dizer, tarado ele não era. Era até legal, tentava sempre me corrigir, eu o achava hilário.
Sai do apartamento e fui seguindo o corredor até o elevador.
Meio dando pulinhos como uma menininha de dez anos.
-Hey! Hey!
Era alguém que me chamava, parei de dar pulinhos e segui andando normalmente, meia constrangida, era o loco do meu vizinho, um maluco que só se veste de preto e usa pircings pela cara toda, juro que quase não dá para ver a pele, de tão cheio de metal que ele é.
Ele continuou gritando, mas segui direto e desci as escadas, ele podia me alcançar no elevador e eu certamente não queria topar com o maluco do ferro.
-Tem um cigarro?
-O que? Você não fuma.
-Mas acho uma frase legal, que me diz? Olha, tenta: Tem um cigarro, ou me dá um cigarro, ou sei lá o que... Que me diz?
-Que você é completamente louca. Olha, o tal do Zé louco tava atrás de ti, que quer ele contigo?
Esse era o menino da praça, só conheço ele dali mesmo, mas ele sabe meus segredos mais obscuros. Tem esse jeito de falar, vez ou outra, como se fosse um velho. Imitando um personagem de terno e cartola dum romance.
-Tá com ciúmes?
E ouvi ele sussurrar:
-Me dá um cigarro.
sábado, 17 de novembro de 2007
E das horas fez-se a rosa. (Primeira Carta)
Escrevo a ti, finalmente, de minha atual moradia. E lhe confesso, meu doce amigo, que é certamente uma maravilha. Pequenina e aconchegante, do modo o qual sempre busquei, sei que não a aprovarias, e me dirias (posso imaginá-lo claramente a fazê-lo e me faz rir sozinha) “Quão tolo procurar algo o qual só procuram aqueles que não podem ter mais, podendo tu ter o que bem sonhares.” Sempre cheio de suas excessivas palavras. E já sinto tua falta.
Cheguei ontem a esse belo lugar de nosso Brasil, quase que não tocado pelo homem, e só não lhe escrevi ontem mesmo pois não encontrei forças depois de examinar a casa tão meticulosamente, e de informar aos criados os quartos exatos para serem postas as bagagens.
E são em momentos como esse que sinto por não ser homem! Bem sabes o modo como me olham os criados, as mulheres não muito, mas os homens me olham como que a duvidar de minhas palavras e decisões. E sinto-me certamente feminina, e tão frágil quanto uma flor quando tem esses olhares a tocarem os meus.
O sul é levemente mais fresco, mais doce, e busco mais palavras para descrevê-lo a ti, sei o quanto gosta de minhas palavras tão má escolhidas (nem sabes o quanto sinto a falta de tuas afirmações!).
Por ora lhe descreverei, esta casinha simples na qual viverei alguns tempos negros de minha profissão. Assim que encontrei com sua fachada apaixonei-me, o meticuloso portãozinho que a protege da entrada de estranhos é simplesmente um amor. Em seguida meus olhos decaíram-se sobre as plantas tão crescidas que já enchiam o jardinzinho de boneca, como decidi chamá-lo por sua pequenez, (tudo aqui parece ter sido feito para uma criança, e me deixa bastante deliciada.) não existem arvores ali (olho diretamente para ele) mas sim ervas-daninhas e algumas flores as quais não conheço, mas disse-me a criada que foram plantadas pelo antigo dono.
De resto é como qualquer outra pequenina casa, poucos quartos, (em baixo encontram-se apenas a sala de visitas e a cozinha, que tem sua entrada escondida pela escada.) na parte superior estão o meu quarto e o da criada, mais um pequeno closet que cuidei para que ali construíssem uma estante na qual organizarei meus livros.
Decidi que não farei reformas nessa adorável casa, quero-a ao modo do seu criador, e deves rir, sei que bem reconheces que certamente gosto da identidade daqueles mais antigos, que gosto das coisas já usadas pelo seu ar romântico e sobrenatural.
Mas certamente terei de mexer no jardinzinho de boneca, aparar as roseiras, ou a casa parecerá abandonada, e é algo que não quero.
Já é noite, e vi que gastei mais de hora tentando escrever-lhe essa carta. Quero que seja por demasiado bem recebida por ti, meu grande amigo. Amanha me porei a trabalhar no jardim. Peço-lhe para que não me pergunte sobre meu coração, minha profissão haverá de esperar pelo jardinzinho de boneca, minha musica que foge de mim como as crianças de um quarto escuro, e o que não sou eu além dum quarto escuro?
Mando-lhe um logo abraço, e um gracioso, mas simples beijos nestes teus lábios que nunca cheguei a tocar.
Responda-me o quanto antes, sabes que não aprecio a solidão.
De sua querida Cecília, com devotado amor.
Cheguei ontem a esse belo lugar de nosso Brasil, quase que não tocado pelo homem, e só não lhe escrevi ontem mesmo pois não encontrei forças depois de examinar a casa tão meticulosamente, e de informar aos criados os quartos exatos para serem postas as bagagens.
E são em momentos como esse que sinto por não ser homem! Bem sabes o modo como me olham os criados, as mulheres não muito, mas os homens me olham como que a duvidar de minhas palavras e decisões. E sinto-me certamente feminina, e tão frágil quanto uma flor quando tem esses olhares a tocarem os meus.
O sul é levemente mais fresco, mais doce, e busco mais palavras para descrevê-lo a ti, sei o quanto gosta de minhas palavras tão má escolhidas (nem sabes o quanto sinto a falta de tuas afirmações!).
Por ora lhe descreverei, esta casinha simples na qual viverei alguns tempos negros de minha profissão. Assim que encontrei com sua fachada apaixonei-me, o meticuloso portãozinho que a protege da entrada de estranhos é simplesmente um amor. Em seguida meus olhos decaíram-se sobre as plantas tão crescidas que já enchiam o jardinzinho de boneca, como decidi chamá-lo por sua pequenez, (tudo aqui parece ter sido feito para uma criança, e me deixa bastante deliciada.) não existem arvores ali (olho diretamente para ele) mas sim ervas-daninhas e algumas flores as quais não conheço, mas disse-me a criada que foram plantadas pelo antigo dono.
De resto é como qualquer outra pequenina casa, poucos quartos, (em baixo encontram-se apenas a sala de visitas e a cozinha, que tem sua entrada escondida pela escada.) na parte superior estão o meu quarto e o da criada, mais um pequeno closet que cuidei para que ali construíssem uma estante na qual organizarei meus livros.
Decidi que não farei reformas nessa adorável casa, quero-a ao modo do seu criador, e deves rir, sei que bem reconheces que certamente gosto da identidade daqueles mais antigos, que gosto das coisas já usadas pelo seu ar romântico e sobrenatural.
Mas certamente terei de mexer no jardinzinho de boneca, aparar as roseiras, ou a casa parecerá abandonada, e é algo que não quero.
Já é noite, e vi que gastei mais de hora tentando escrever-lhe essa carta. Quero que seja por demasiado bem recebida por ti, meu grande amigo. Amanha me porei a trabalhar no jardim. Peço-lhe para que não me pergunte sobre meu coração, minha profissão haverá de esperar pelo jardinzinho de boneca, minha musica que foge de mim como as crianças de um quarto escuro, e o que não sou eu além dum quarto escuro?
Mando-lhe um logo abraço, e um gracioso, mas simples beijos nestes teus lábios que nunca cheguei a tocar.
Responda-me o quanto antes, sabes que não aprecio a solidão.
De sua querida Cecília, com devotado amor.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Uma poesia qualquer.
O que seria de mim,
Se de teus olhos não tirasse o pranto preciso,
E de teus lábios beijos fascinantes de paixão
De teus olhos a devoção que tanto desejo,
De teu corpo o calor tão meu amigo?
Continuaria o que sou se não te fizesse sofrer,
Blasfemar sobre meu nome tão nobre,
Arruinar nosso amor sagrado,
Jurar afeição maior a outra,
Dizer já não mais amar-me, sabendo que ama?
Ainda sorriria se não presenciasse sua queda,
Se não assistisse a sua chacina interior,
Sua autodestruição, tão lenta, e fabulosa.
Se não ouvisse seus gritos da calçada,
Numa daquelas noites em que antes te abraçava,
Sussurrando em teu ouvido a mentira dum amor
Eterno.
Não seria a mesma, bem sei, se não te fizesse
Relembrar sempre que nos vemos novamente
O modo com que amava esses olhos traiçoeiros.
As horas sagradas em que tua voz masculina
Enchia o ar da melodia certa para sua veneração
A este corpo tão doce de tão desalmado.
E depois de tanta angustia, te aconchego á
Meu seio obscuro uma vez mais,
Para que se embebede no vinho de meus olhos,
Para que os fite com a devoção passada.
E para que me diga sem rodeios: A ti sempre o foi.
Se de teus olhos não tirasse o pranto preciso,
E de teus lábios beijos fascinantes de paixão
De teus olhos a devoção que tanto desejo,
De teu corpo o calor tão meu amigo?
Continuaria o que sou se não te fizesse sofrer,
Blasfemar sobre meu nome tão nobre,
Arruinar nosso amor sagrado,
Jurar afeição maior a outra,
Dizer já não mais amar-me, sabendo que ama?
Ainda sorriria se não presenciasse sua queda,
Se não assistisse a sua chacina interior,
Sua autodestruição, tão lenta, e fabulosa.
Se não ouvisse seus gritos da calçada,
Numa daquelas noites em que antes te abraçava,
Sussurrando em teu ouvido a mentira dum amor
Eterno.
Não seria a mesma, bem sei, se não te fizesse
Relembrar sempre que nos vemos novamente
O modo com que amava esses olhos traiçoeiros.
As horas sagradas em que tua voz masculina
Enchia o ar da melodia certa para sua veneração
A este corpo tão doce de tão desalmado.
E depois de tanta angustia, te aconchego á
Meu seio obscuro uma vez mais,
Para que se embebede no vinho de meus olhos,
Para que os fite com a devoção passada.
E para que me diga sem rodeios: A ti sempre o foi.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
sábado, 15 de setembro de 2007
Diálogo entre semelhantes.

A impaciência me sufoca, são as pessoas que vivem a meu lado que me deixam aturdida não me dão espaço para respirar, sinto-me perecer. Salve-me!
Sei o quanto um ser - humano pode agüentar em contato a um mundo negro com o qual eu vivo, apesar de não ser tão negro, é cinza, caminha para a escuridão, perco minha luz, Deus! Sinto-me tão só!
Mesmo assim, cercada daquele calor que suas almas passam, rodeada dele, de suas auras entristecidas ou sorridentes, mesmo assim cercada me encontro só.
Uma sede louca de religião me toma o seio a todo dia, namoro as fachadas das igrejas pelas quais passo, mas não tenho coragem de penetrar porta a dentro de um santuário o qual nós fizemos tornar-se enganoso. É o meu pecado!
Então lhe chamo a sentar-se comigo e me queixo a você sobre esse mundo que me enche a cabeça de totais asneiras. E clamo – apesar de num sussurro – Salve-me!
Minha voz torna-se tenebrosa com o tempo, talvez seja natural.
E instável... Talvez isso que não seja natural.
Veja... Eu não culpo ninguém, nem sequer Ele, como fazem os mais fracos, e confesso, sou uma fraca.
Fraca como...
Desculpe-me, não possuo uma comparação.
É bom ver que almenos você ainda pode sorrir.
Claro que sempre vejo sorrisos, não estamos em guerra.
Não me faça perguntas bobas!
Não suporto seu sarcasmo! Sou fraca, mas não sou boba!
Dê-me um gole dessa água... Claro que não me importo! Não lhe tenho nojo, por outro lado! Não se finja...
Tudo bem... Eu me calo...
Falo por demasiado, eu reconheço. Como vê uma das poucas boas características presentes em meu caráter é a sinceridade.
Chegue mais perto, vou contar-lhe um segredo, deixe que sussurre: eu simplesmente amo morangos...
Surpresa? Não deveria...
... Strawberry fields...
...
É-me difícil não conter as lágrimas, inda mais no estado em que me encontro, e você ainda me canta palavras tão significativas... Sei que tens pena de mim, eu tenho pena de mim mesma, e para que acreditem no que digo minto ter mais idade do que a que possuo.
Você sabe muito bem o quão é difícil viver, apesar de nunca ter experimentado... você enxerga, você sente através desse sorriso que chega a segar.
Mas não deixa de sorrir... Parece tão fácil!...
Diga-me, Reflexo, como consegue?
domingo, 26 de agosto de 2007
Diálogo
Um olhar desconfiado depois do adeus.
Ele longe, ela ainda lá.
De todo não lhe era confiável nem um pouco.
Fitou as mãos, todos os anéis, e o relógio.
Não confiava em nada nem ninguém, só no seu cachorro vira-lata dengoso e gordo que dormia debaixo da mesa da cozinha o dia todo.
“E ele disse que ela anda meio triste por conta do cachorro do noivo que largou ela um dia desses ai...”
“Pobre dela...”
“Pobre dele que não viu antes onde se metia, você se lembra bem de quem nós estamos falando não lembra?”
“Positivo.”
“Pois então... Pobre dele...”
Agélica era visivelmente atraente, mas não era simpática, nem um pouco, e falava assim, soltando as palavras como cuspe, botando pra fora de si como a galinha bota o ovo.
Era sua única amiga.
“Me diz, e ele já anda com outra não é?”
“Deus lá que sabe.”
“Hum... Então... Solteiro?”
Um olhar desconfiado, ela longe, ela ainda aqui. Não confiava em ninguém.
Ele longe, ela ainda lá.
De todo não lhe era confiável nem um pouco.
Fitou as mãos, todos os anéis, e o relógio.
Não confiava em nada nem ninguém, só no seu cachorro vira-lata dengoso e gordo que dormia debaixo da mesa da cozinha o dia todo.
“E ele disse que ela anda meio triste por conta do cachorro do noivo que largou ela um dia desses ai...”
“Pobre dela...”
“Pobre dele que não viu antes onde se metia, você se lembra bem de quem nós estamos falando não lembra?”
“Positivo.”
“Pois então... Pobre dele...”
Agélica era visivelmente atraente, mas não era simpática, nem um pouco, e falava assim, soltando as palavras como cuspe, botando pra fora de si como a galinha bota o ovo.
Era sua única amiga.
“Me diz, e ele já anda com outra não é?”
“Deus lá que sabe.”
“Hum... Então... Solteiro?”
Um olhar desconfiado, ela longe, ela ainda aqui. Não confiava em ninguém.
domingo, 19 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Diálogo.
“É que quando choras vê-se mais claro os teus olhos, sabe...?”
“E por isso me fazes chorar?”
“E por isso te faço chorar?”
“Diz-me que não me ama...”
“Digo que, um dia, virei a amá-la.”
“Faz assim com que sofra mais.”
“Não me é fácil, mas mentir não posso.”
“Como não? Mentistes ontem ao dizer que viria cedo.”
“E vinha mesmo, não menti, ocorreu-me um imprevisto, por isso atrasei-me.”
“Hum...”
“E como disse também ontem, terei de retirar-me cedo.”
“Cedo? Cedo quando? Cedo agora?”
“Cedo daqui a pouco.”
“E faz-me sofrer novamente.”
“Só para te fazer feliz um dia.”
“Um dia...”
“Um dia...”
“Percebestes que de quando em vez nos olha desconfiado?”
“Sente inveja, é um homem solitário.”
“Não, é porque és um velho já, e eu uma menina.”
“Menina não és, já tens carteira, já dirige, já se cuida.”
“E trabalho, e moro só, e amo um velho.”
“E ama um velho...”
“Vê, é fácil dizer, difícil é sentir.”
“É merecer sentir.”
“Amo um velho sábio.”
“Amas um velho bobo.”
“Um professor.”
“Um bobo.”
...
“Já viu como sorri Adélia junto às camélias?”...
...
“E por isso me fazes chorar?”
“E por isso te faço chorar?”
“Diz-me que não me ama...”
“Digo que, um dia, virei a amá-la.”
“Faz assim com que sofra mais.”
“Não me é fácil, mas mentir não posso.”
“Como não? Mentistes ontem ao dizer que viria cedo.”
“E vinha mesmo, não menti, ocorreu-me um imprevisto, por isso atrasei-me.”
“Hum...”
“E como disse também ontem, terei de retirar-me cedo.”
“Cedo? Cedo quando? Cedo agora?”
“Cedo daqui a pouco.”
“E faz-me sofrer novamente.”
“Só para te fazer feliz um dia.”
“Um dia...”
“Um dia...”
“Percebestes que de quando em vez nos olha desconfiado?”
“Sente inveja, é um homem solitário.”
“Não, é porque és um velho já, e eu uma menina.”
“Menina não és, já tens carteira, já dirige, já se cuida.”
“E trabalho, e moro só, e amo um velho.”
“E ama um velho...”
“Vê, é fácil dizer, difícil é sentir.”
“É merecer sentir.”
“Amo um velho sábio.”
“Amas um velho bobo.”
“Um professor.”
“Um bobo.”
...
“Já viu como sorri Adélia junto às camélias?”...
...
Que forma tem, que forma terá? Teu nome...
Ri-se assim, sem motivos
Inventa graça sobre a graça,
Nada nem nunca, nunca nem nada
Gota sobre gota faz-se a forma, o ritmo
Ouve, tão belo! Nem sabes...
Separa doce do amargo, azedo
Traça o que de traçarem se esquecem
Ásperos o são, deixa que sejam, não és
Revela o que revelar é preciso
Renova, é suave, encantador, efervescente!
Inventa graça sobre a graça,
Nada nem nunca, nunca nem nada
Gota sobre gota faz-se a forma, o ritmo
Ouve, tão belo! Nem sabes...
Separa doce do amargo, azedo
Traça o que de traçarem se esquecem
Ásperos o são, deixa que sejam, não és
Revela o que revelar é preciso
Renova, é suave, encantador, efervescente!
Discute-se o amor.
Discute-se o amor:
“Porque te amar não posso eu?”
“Amar simples não é.”
“Com minhas conseqüências arco.”
“Arca com teus desgostos e tuas faltas? E minhas faltas e meus desgostos?”
“E com teus beijos e teus abraços...”
“E lágrimas e ciúmes de ambos os lados?”
“Teu doce sabor, teu calor...”
“Basta! Demasiado já sei que a mim entender não queres!”
“...”
“Não vê que o céu, mesmo em amor, volta-se do mar para o infinito?!”
“Por outro lado, volta-se o mar a si mesmo por medo de amar!”
“Veja como as rosas ao amar nascem murchas!”
“Murchas nascem, pois sua vida sentido não mais faz sem aquele a quem amam ao seu lado na primavera próxima!”
“Olha o quanto chora aquele que o amor toca...”
“Olha tu o quanto ri aquele que por este é escolhido!”
“Faz-me lembrar as ondas que na praia quebram, antes felizes em seu nado ondulado, depois tristes pela quebra de seus alvoroços, pela queda do amor próprio!”
“E recaídas voltam ao mar aberto para depois serem hoje o que antes eram, em sorrisos contempladores e desejo acima do desejo!”
“Rogo pelo amor, entenda, mas dele só quero o sonho...”
“Sonhos que tudo são a ele não merecem!”
“E mereço eu? Eu que daqui me volto a esta bela terra trazendo-lhe o medo e o desespero duma escuridão maldosa?!”
“A escuridão precisa! A noite dos amantes! O vício do poeta, do pintor, do escultor...!”
“O choro da criança, o rancor dos odiados!”
“Mas que dizeis minha Lua, minha amante!”
“E choro.”
“Mas choras porque?”
“Por amada não ser, nem poder...”
“Pois, querida, digo-lhe eu, temor não tenhas, nem ódio, nem rancor, nem te sintas o que não és! Saibas assim, que por entre estes raios imaculados, és tu Lua, e eu Sol, a um somos, a um seremos, e sempre traremos a esta podre e opaca terra, sua glória, sua forma, sua história!”
“Porque te amar não posso eu?”
“Amar simples não é.”
“Com minhas conseqüências arco.”
“Arca com teus desgostos e tuas faltas? E minhas faltas e meus desgostos?”
“E com teus beijos e teus abraços...”
“E lágrimas e ciúmes de ambos os lados?”
“Teu doce sabor, teu calor...”
“Basta! Demasiado já sei que a mim entender não queres!”
“...”
“Não vê que o céu, mesmo em amor, volta-se do mar para o infinito?!”
“Por outro lado, volta-se o mar a si mesmo por medo de amar!”
“Veja como as rosas ao amar nascem murchas!”
“Murchas nascem, pois sua vida sentido não mais faz sem aquele a quem amam ao seu lado na primavera próxima!”
“Olha o quanto chora aquele que o amor toca...”
“Olha tu o quanto ri aquele que por este é escolhido!”
“Faz-me lembrar as ondas que na praia quebram, antes felizes em seu nado ondulado, depois tristes pela quebra de seus alvoroços, pela queda do amor próprio!”
“E recaídas voltam ao mar aberto para depois serem hoje o que antes eram, em sorrisos contempladores e desejo acima do desejo!”
“Rogo pelo amor, entenda, mas dele só quero o sonho...”
“Sonhos que tudo são a ele não merecem!”
“E mereço eu? Eu que daqui me volto a esta bela terra trazendo-lhe o medo e o desespero duma escuridão maldosa?!”
“A escuridão precisa! A noite dos amantes! O vício do poeta, do pintor, do escultor...!”
“O choro da criança, o rancor dos odiados!”
“Mas que dizeis minha Lua, minha amante!”
“E choro.”
“Mas choras porque?”
“Por amada não ser, nem poder...”
“Pois, querida, digo-lhe eu, temor não tenhas, nem ódio, nem rancor, nem te sintas o que não és! Saibas assim, que por entre estes raios imaculados, és tu Lua, e eu Sol, a um somos, a um seremos, e sempre traremos a esta podre e opaca terra, sua glória, sua forma, sua história!”
domingo, 29 de julho de 2007
Fábula.
Nossa historia começa num tempo breve e independente, de reis e rainhas, onde nos campos vivia ela, aquela de quem a historia lhes contarei, a qual o nome se dera Anthea pois bela era, como os jardins da antiga Grécia na primavera esperada.
Nos cabelos tinha o alaranjado da jasmim, nos lábios o vermelho da rosa, na pele o rósea da flor-de-cerejeira, e os olhos lhe eram azuis como a mais clara das orquídeas azuladas.
Feliz era Anthea, já menina, quando pela primeira vez o amor lhe brotou em seio. Era jovem como o céu de verão e verdejante como os campos em que corria ao lado de seu amado.
Não sabia aquele o qual por nome era chamado Athos, que lhe tinha amor a gentil amiga.
A muito se conheciam e a muito brincavam juntos por debaixo das macieiras.
Primavera era, quando ainda corriam os dois jovens pelo campo florido, inocentes do acontecido, da chegada daquela dita a mais bela das belas filhas de Basileu.
Deram-se a correr a encontro daquela que o seu Tio lhe trazia a apresentar como prima. Anthea a visou em primeiro, admirada, era real a beleza daquela prima de Athos? Lembrava as seguidoras de Afrodite, que até ali eram o seu exemplo de beleza.
Procurou então os olhos de Athos para ver-lhe o quão a achara bonita, caíram-se sobre eles risonhos para deles desviarem entristecidos.
Olhavam os olhos dele a sua prima como a ela nunca olharam, olhos bobos, apaixonados.
Infeliz ficou a pobre Anthea, não mais seu fiel amigo com ela pelos campos corria, não mais com ela brincava por debaixo das macieiras, pois sua atenção agora voltada era, aquela a qual chamava-se Acácia.
Foi perto do fim do inverno quando soube nossa menina do casamento de seu jovem amado com sua prima Acácia.
Se ia o sol para dar lugar a lua, sozinha chorava Anthea, numa colina recostada ao tronco da mais velha macieira das terras de seu pai Galén.
Sussurros ouviu, e assustada levantou-se precipitada. Deu-se com uma bela serpente esverdeada mas dum verde tão claro e puro que maravilhada ficou a fita-la.
-Porque choras doce menina?
Perguntou-lhe a víbora.
-Ó senhora Serpente, choro por desamor a mim mesma, choro, pois não pude eu ter o amor ou sequer olhar daquele a quem tanto amo!
-Mas como se pode tal, criança, pois de tuas lágrimas pressinto o puro, e de tua pele se exala a beleza como das flores a flagrância.
-Sei apenas, senhora, que dele nunca um olhar sequer eu tive, e carinhos dele os recebi como dum irmão, fez-me amá-lo sem saber, e agora que chegou-se prima sua á de casar-se com ela e a mim deixar a morte, pois sem seu coração á o meu de perecer de encontro ao chão!
-Animo criança! Quando há de casar-se teu amado?
-Três dias após o inicio da primavera!
-Ora, menina, teu amado chama-se Athor filho de Glicério dono dos vinhedos?
-Ó sim... É esse o nome que leva o ladrão de meu amor!
-Fui para sua festa de noivado convidada, durará essa três dias e três noites, os três primeiros dias da mais feliz estação do ano para ao casal dar sorte e prosperidade, festejarão em nome de Baco e Afrodite.
-E assim será minha tristeza mais forte ainda, pois a ele verei em braços dela.
-Animo menina! Temos tempo ainda! Veja o que faremos: No primeiro dia, quando a lua vir a aparecer sorrateira nesse céu de Zeus, tu subirás a essa colina novamente e aqui estando pedirá com carinho á duas dessas belas estrelas seu brilho, para que a ele possa usar como brinco. Feito isso teu amado á de olhar-te sem falta, pois eu mesma usei desse para casar-me com a serpente com quem hoje vivo!
-Como hei de agradecer-te senhora bondosa?
-Agradecimentos não preciso de ti quero apenas aquela maçã lá no alto, a mais vermelha de todas.
Anthea subiu no galho da macieira e de lá tirou a maçã pedida, a entregando a serpente amiga, e dela despedindo-se com um beijo agradecida.
Não reparou Anthea ao virar-se, tão feliz estava, que a serpente agora era uma mulher tão bela que da lua arrancou suspiros apaixonados e dos grilos um canto enamorado.
Chegou-se o primeiro dia da primavera, e junto a esse o primeiro dia de festa. Ao cair da noite subiu Anthea a colina, e lá sentou-se cantando baixinho uma cantiga que a tanto preparara ela:
-Ó estrelas belas
Que a mim tamanha
esperança trouxeram,
Teu brilho antes por
Mim usado,
Os olhares de meu amado
Fará que a mim retornem!
Ó estrelas cintilantes,
Emprestem-me
Tua ilustre cintilação
Para que assim,
Possa eu amar e
Finalmente ser amada!
Duas estrelas a ela desceram encantadas, e postaram-se cada uma numa orelha. Feito isso desceu Anthea a colina em caminho da festa.
Lá chegando quantos olhares não recebeu! De admiração á inveja! Encaminhou-se á mesa dos noivos para os parabéns a eles dar.
-Felicito os dois com tamanha alegria por uma união tão verdadeira.
Acácia fitou-a com um mero desdém, e Athos, seus olhos sobre ela nem decaíram, tão absorto estava a fitar Acácia sua noiva amada.
Saiu-se dali a pobre Anthea, chorando-se pelo desprezo recebido. Seu coração condoia-se fortemente, e a si desprezava ainda mais por como a Acácia não ser tão bela!
Meteu-se ela pelo jardim da casa, em meio às rosas, o canto da cigarra a fez parar de chorar, sentou-se ali quieta a ouvir canção tão bela.
-Porque tanto choravas menina?
Disse a voz rouca da velha cigarra.
-Chorava eu por não ser bela!
-Que dizes criança, olha para mim, sou velha já, e beleza nunca possui. Tu pelo contrario, a tem em abundancia, e ainda assim te choras, que tamanha ingratidão!
-Peço-lhe desculpas, senhora cigarra, não choro em total por isso, choro por não ser formosa o bastante para daquele a quem amo um único olhar brando não poder conquistar.
-Pois bobo é aquele a quem tu amas por a ti não amar. És tu a formosura em corpo humano como é a rosa em vegetal. Esqueça tal humano menina, atenção aqueles a quem não nos quer não devemos voltar.
-Ora minha senhora, quem sou eu para o coração comandar? Se o amo, o amo por não ter escolha, se por ele choro, choro por a mim fazer feliz e triste ao mesmo tempo! E agora vai ele casar-se com Acácia sua prima, que tamanha formosura a tem que até os olhares de irmão que dele possuía não os possuo mais!
-Olha, quem diria! É teu amado Athos, filho de Libânia?
-Sim, é esse o nome daquele que tanta infelicidade devo!
-Pois tens tempo ainda! Animo menina! Dele ainda um olhar há de ter, nem que seu ultimo seja!
-Mal a não lhe desejo, melhor vivo a amá-lo que morto a lamentá-lo!
-Mal a ele não faremos. Ouça-me menina, se amas tanto a esse humano pecador, ao cair da noite do segundo dia encaminha-te a praia, e lá pede com carinho as ninfas para te emprestarem sua coroa! Com ela tu hás de chamar o olhar daquele a quem tanto amas!
-Como hei de te agradecer, sábia Cigarra?
De ti não quero agradecimentos, vê ali aquela orquídea branca? Me trás ela, assim estaremos quites.
Correu Anthea até o tronco da velha arvore e de lá tirou a bela orquídea entregando-a a cigarra e dessa se despedindo com um beijo agradecido.
Tão feliz estava com a nova esperança que não reparou que era agora a cigarra era mulher, a mesma que da lua arrancara suspiros e dos grilos um canto enamorado.
Veio o segundo dia da primavera, e com ele o segundo dia de festa.
Pôs Anthea os seus brincos do brilho das estrelas e encaminhou-se para o mar, lá chegando sentou-se de frente ás ondas e seus versos começou a cantar:
-Ó ninfas de Netuno,
Quão tamanha formosura
Possuem! Quão doce é o
Teu olhar simplório!
Peço-lhes com carinho,
Admiráveis senhoritas,
Que a mim sua coroa
Emprestem, para que
Assim o olhar daquele
A quem amo a mim mais
Uma vez seja voltado!
Saiu-se das águas uma das filhas de Netuno, a pele azulada e brilhante aos raios da lua chamaram e aos peixes ali presentes uma dança inspiraram.
De sua cabeça a coroa prateada ela tirou, rica como os oceanos de seu pai, e a pôs sobre a cabeça de Anthea que beijou-lhe as faces de tão admirada.
Chegando a festa quantos olhares a ela não eram mandados! Era dali, de longe, a mais bela, chegou-se ela á seu amado, e sua mão estendeu para ser beijada.
-Grande amigo! Não sabes o quão feliz estou em ver-te!
Beijou-lhe Athos a mão mimosa, e com um simples sorriso deixou-a só, Acácia vinha-lhe ao encontro embirrada com alguma coisa.
Agüentou-se por alguns minutos nossa Anthea, até que as lágrimas não mais conseguiu guardar, correu-se até a casa e lá pôs-se a chorar.
Um ronronar mimoso a fez parar e curiosa a vista erguer. Desfilava-se a sua frente uma gata branca como as nuvens em céu de verão.
-Porque chorar jovem menina?
-Ó senhora gata, choro por amar e não ser amada!
-Como se pode isso? Tão bela e formosa és! Cego é aquele que diz tu amar!
-Antes cego fosse! Para assim amar a mim e não a outra! Vê, senhora gata, antes tinha ele olhos para mim, agora só tem olhos a ela, sua prima e noiva, Acácia!
-Ora, não digas que aquele a quem amas é Athos irmão de Leon e Libânio?
-Pois se não é esse aquele o qual meu coração acordou para o amor!
-Animo, criança! Ainda tens tempo! Farás o seguinte se lhe queres um olhar: Ao cair da noite do terceiro dia, debruça-te nessa mesma varanda, aqui defronte ao jardim, e á lua, com carinho, pedes emprestado o vestido que usou ela em seu noivado com Apolo, deus do sol.
-Como posso agradecer a ti, querida senhora?
-De ti não quero agradecimentos, vê aquele ninho pequenino? Traz-me um daqueles ovos e estaremos quites.
Anthea debruçou-se mais ainda na varanda e buscou um dos pequeninos ovos de beija-flor, entregou-o á gata e beijou-lhe o pelo sedoso em agradecimento.
Ao cair do terceiro dia de primavera, veio junto o terceiro dia de festa.
Nossa menina pôs os brincos nas orelhas a coroa na cabeça e dirigiu-se a varanda defronte ao jardim.Debruçando-se a ela cantou seus versos:
-Ó prateada lua, que
Ilumina a noite desalmada,
Ajuda-me lua, querida
Faz com que meu amor
Possa eu conquistar,
Empresta-me teu vestido,
Aquele o qual as núpcias festejou,
Para que assim, possa eu sorrir!
Desceu do céu a lua imperiosa e á Anthea entregou seu vestido, despedindo-se com um aceno de rainha cuidadosa.
Vestiu-se Anthea e encaminhou-se á festa. Ao ali chegar, todos os presentes bestificados ficaram com tamanha beleza aquela da menina de Galén. Era Anthea as estrelas do céu, as ninfas do mar e a luz do luar.
Chegou-se ela a Athos, seu amado, e a seu lado estando disse-lhe baixinho:
-De ti vim me despedir, tanto amor a ti mantive que agora cansasse o coração, queria de ti apenas um ultimo olhar de atenção.
Acácia, que desde que ali era chegada invejara a beleza de Anthea, sussurrou a seu ouvido:
-Boba és, criança, pois se não vê que ele ama a mim, e ainda te enches de esperanças deixe que com elas finde: não te olhará ele, pois á mim ama mais que a si mesmo, seu amor por mim o deixou cego!
Pobre de nossa Anthea, seu sôfrego seio estalou num soluço. Quanto sofria agora a formosa menina! Seu coração morria-se aos poucos, afastou-se dali quase a cair e sentou-se perto de uma roseira branca na grama fresca de orvalho e pôs-se a lamentar seu coração sofrido.
-Porque choras formosa Anthea?
Era Athos que dali aproximara-se em silencio.
-Ó, se almenos tu soubesses...
-Pois conta-me.
Ajoelhou-se ao lado dela.
Anthea lhe contou toda a história, enquanto ele a fitava admirado.
-Vê agora o quanto o amo, quanto sacrifício foi-me feito para de ti arrancar um mero olhar?
Sorriu-se Athos.
-Ora, não vê tu, meu amor, que tanto não era preciso, que meu amor já é infinito, que meu olhar em ti não caia para não sofrer, pois achava eu que amor a mim não tinha? Olha, meu anjo, das estrelas já tens o brilho em teus olhos – Tirou-lhe os brincos das orelhas com carinho e os enviou ás estrelas – das ninfas já tens a singularidade da beleza – tirou-lhe a coroa e a pôs de lado – e da lua, querida Anthea, possui tu o brilho que até a mais densa noite é capaz de clarear.
Anthea chorou-se.
-Porque ainda choras meu amor?
-Choro de felicidade, pois agora posso eu dizer que te amo como nunca antes amei!
Ele lhe cingiu a cintura e a trouxe para junto de si, seus lábios se encontraram num puro e brando beijo de amor.
Ao longe surgiu uma gata branca escondida pela ramagem das arvores, sentada num dos galhos mais densos, transformou-se ela em mulher, a mesma mulher que antes era serpente, que antes era cigarra. Fitou os céus rindo-se, e a um pequenino beija-flor que voava ao seu lado ela dirigiu-se:
-Vê, o que faço, faço-o direito! Se é amor, que seja verdadeiro! E só em amor verdadeiro ama-se e é-se amado!
Nos cabelos tinha o alaranjado da jasmim, nos lábios o vermelho da rosa, na pele o rósea da flor-de-cerejeira, e os olhos lhe eram azuis como a mais clara das orquídeas azuladas.
Feliz era Anthea, já menina, quando pela primeira vez o amor lhe brotou em seio. Era jovem como o céu de verão e verdejante como os campos em que corria ao lado de seu amado.
Não sabia aquele o qual por nome era chamado Athos, que lhe tinha amor a gentil amiga.
A muito se conheciam e a muito brincavam juntos por debaixo das macieiras.
Primavera era, quando ainda corriam os dois jovens pelo campo florido, inocentes do acontecido, da chegada daquela dita a mais bela das belas filhas de Basileu.
Deram-se a correr a encontro daquela que o seu Tio lhe trazia a apresentar como prima. Anthea a visou em primeiro, admirada, era real a beleza daquela prima de Athos? Lembrava as seguidoras de Afrodite, que até ali eram o seu exemplo de beleza.
Procurou então os olhos de Athos para ver-lhe o quão a achara bonita, caíram-se sobre eles risonhos para deles desviarem entristecidos.
Olhavam os olhos dele a sua prima como a ela nunca olharam, olhos bobos, apaixonados.
Infeliz ficou a pobre Anthea, não mais seu fiel amigo com ela pelos campos corria, não mais com ela brincava por debaixo das macieiras, pois sua atenção agora voltada era, aquela a qual chamava-se Acácia.
Foi perto do fim do inverno quando soube nossa menina do casamento de seu jovem amado com sua prima Acácia.
Se ia o sol para dar lugar a lua, sozinha chorava Anthea, numa colina recostada ao tronco da mais velha macieira das terras de seu pai Galén.
Sussurros ouviu, e assustada levantou-se precipitada. Deu-se com uma bela serpente esverdeada mas dum verde tão claro e puro que maravilhada ficou a fita-la.
-Porque choras doce menina?
Perguntou-lhe a víbora.
-Ó senhora Serpente, choro por desamor a mim mesma, choro, pois não pude eu ter o amor ou sequer olhar daquele a quem tanto amo!
-Mas como se pode tal, criança, pois de tuas lágrimas pressinto o puro, e de tua pele se exala a beleza como das flores a flagrância.
-Sei apenas, senhora, que dele nunca um olhar sequer eu tive, e carinhos dele os recebi como dum irmão, fez-me amá-lo sem saber, e agora que chegou-se prima sua á de casar-se com ela e a mim deixar a morte, pois sem seu coração á o meu de perecer de encontro ao chão!
-Animo criança! Quando há de casar-se teu amado?
-Três dias após o inicio da primavera!
-Ora, menina, teu amado chama-se Athor filho de Glicério dono dos vinhedos?
-Ó sim... É esse o nome que leva o ladrão de meu amor!
-Fui para sua festa de noivado convidada, durará essa três dias e três noites, os três primeiros dias da mais feliz estação do ano para ao casal dar sorte e prosperidade, festejarão em nome de Baco e Afrodite.
-E assim será minha tristeza mais forte ainda, pois a ele verei em braços dela.
-Animo menina! Temos tempo ainda! Veja o que faremos: No primeiro dia, quando a lua vir a aparecer sorrateira nesse céu de Zeus, tu subirás a essa colina novamente e aqui estando pedirá com carinho á duas dessas belas estrelas seu brilho, para que a ele possa usar como brinco. Feito isso teu amado á de olhar-te sem falta, pois eu mesma usei desse para casar-me com a serpente com quem hoje vivo!
-Como hei de agradecer-te senhora bondosa?
-Agradecimentos não preciso de ti quero apenas aquela maçã lá no alto, a mais vermelha de todas.
Anthea subiu no galho da macieira e de lá tirou a maçã pedida, a entregando a serpente amiga, e dela despedindo-se com um beijo agradecida.
Não reparou Anthea ao virar-se, tão feliz estava, que a serpente agora era uma mulher tão bela que da lua arrancou suspiros apaixonados e dos grilos um canto enamorado.
Chegou-se o primeiro dia da primavera, e junto a esse o primeiro dia de festa. Ao cair da noite subiu Anthea a colina, e lá sentou-se cantando baixinho uma cantiga que a tanto preparara ela:
-Ó estrelas belas
Que a mim tamanha
esperança trouxeram,
Teu brilho antes por
Mim usado,
Os olhares de meu amado
Fará que a mim retornem!
Ó estrelas cintilantes,
Emprestem-me
Tua ilustre cintilação
Para que assim,
Possa eu amar e
Finalmente ser amada!
Duas estrelas a ela desceram encantadas, e postaram-se cada uma numa orelha. Feito isso desceu Anthea a colina em caminho da festa.
Lá chegando quantos olhares não recebeu! De admiração á inveja! Encaminhou-se á mesa dos noivos para os parabéns a eles dar.
-Felicito os dois com tamanha alegria por uma união tão verdadeira.
Acácia fitou-a com um mero desdém, e Athos, seus olhos sobre ela nem decaíram, tão absorto estava a fitar Acácia sua noiva amada.
Saiu-se dali a pobre Anthea, chorando-se pelo desprezo recebido. Seu coração condoia-se fortemente, e a si desprezava ainda mais por como a Acácia não ser tão bela!
Meteu-se ela pelo jardim da casa, em meio às rosas, o canto da cigarra a fez parar de chorar, sentou-se ali quieta a ouvir canção tão bela.
-Porque tanto choravas menina?
Disse a voz rouca da velha cigarra.
-Chorava eu por não ser bela!
-Que dizes criança, olha para mim, sou velha já, e beleza nunca possui. Tu pelo contrario, a tem em abundancia, e ainda assim te choras, que tamanha ingratidão!
-Peço-lhe desculpas, senhora cigarra, não choro em total por isso, choro por não ser formosa o bastante para daquele a quem amo um único olhar brando não poder conquistar.
-Pois bobo é aquele a quem tu amas por a ti não amar. És tu a formosura em corpo humano como é a rosa em vegetal. Esqueça tal humano menina, atenção aqueles a quem não nos quer não devemos voltar.
-Ora minha senhora, quem sou eu para o coração comandar? Se o amo, o amo por não ter escolha, se por ele choro, choro por a mim fazer feliz e triste ao mesmo tempo! E agora vai ele casar-se com Acácia sua prima, que tamanha formosura a tem que até os olhares de irmão que dele possuía não os possuo mais!
-Olha, quem diria! É teu amado Athos, filho de Libânia?
-Sim, é esse o nome daquele que tanta infelicidade devo!
-Pois tens tempo ainda! Animo menina! Dele ainda um olhar há de ter, nem que seu ultimo seja!
-Mal a não lhe desejo, melhor vivo a amá-lo que morto a lamentá-lo!
-Mal a ele não faremos. Ouça-me menina, se amas tanto a esse humano pecador, ao cair da noite do segundo dia encaminha-te a praia, e lá pede com carinho as ninfas para te emprestarem sua coroa! Com ela tu hás de chamar o olhar daquele a quem tanto amas!
-Como hei de te agradecer, sábia Cigarra?
De ti não quero agradecimentos, vê ali aquela orquídea branca? Me trás ela, assim estaremos quites.
Correu Anthea até o tronco da velha arvore e de lá tirou a bela orquídea entregando-a a cigarra e dessa se despedindo com um beijo agradecido.
Tão feliz estava com a nova esperança que não reparou que era agora a cigarra era mulher, a mesma que da lua arrancara suspiros e dos grilos um canto enamorado.
Veio o segundo dia da primavera, e com ele o segundo dia de festa.
Pôs Anthea os seus brincos do brilho das estrelas e encaminhou-se para o mar, lá chegando sentou-se de frente ás ondas e seus versos começou a cantar:
-Ó ninfas de Netuno,
Quão tamanha formosura
Possuem! Quão doce é o
Teu olhar simplório!
Peço-lhes com carinho,
Admiráveis senhoritas,
Que a mim sua coroa
Emprestem, para que
Assim o olhar daquele
A quem amo a mim mais
Uma vez seja voltado!
Saiu-se das águas uma das filhas de Netuno, a pele azulada e brilhante aos raios da lua chamaram e aos peixes ali presentes uma dança inspiraram.
De sua cabeça a coroa prateada ela tirou, rica como os oceanos de seu pai, e a pôs sobre a cabeça de Anthea que beijou-lhe as faces de tão admirada.
Chegando a festa quantos olhares a ela não eram mandados! Era dali, de longe, a mais bela, chegou-se ela á seu amado, e sua mão estendeu para ser beijada.
-Grande amigo! Não sabes o quão feliz estou em ver-te!
Beijou-lhe Athos a mão mimosa, e com um simples sorriso deixou-a só, Acácia vinha-lhe ao encontro embirrada com alguma coisa.
Agüentou-se por alguns minutos nossa Anthea, até que as lágrimas não mais conseguiu guardar, correu-se até a casa e lá pôs-se a chorar.
Um ronronar mimoso a fez parar e curiosa a vista erguer. Desfilava-se a sua frente uma gata branca como as nuvens em céu de verão.
-Porque chorar jovem menina?
-Ó senhora gata, choro por amar e não ser amada!
-Como se pode isso? Tão bela e formosa és! Cego é aquele que diz tu amar!
-Antes cego fosse! Para assim amar a mim e não a outra! Vê, senhora gata, antes tinha ele olhos para mim, agora só tem olhos a ela, sua prima e noiva, Acácia!
-Ora, não digas que aquele a quem amas é Athos irmão de Leon e Libânio?
-Pois se não é esse aquele o qual meu coração acordou para o amor!
-Animo, criança! Ainda tens tempo! Farás o seguinte se lhe queres um olhar: Ao cair da noite do terceiro dia, debruça-te nessa mesma varanda, aqui defronte ao jardim, e á lua, com carinho, pedes emprestado o vestido que usou ela em seu noivado com Apolo, deus do sol.
-Como posso agradecer a ti, querida senhora?
-De ti não quero agradecimentos, vê aquele ninho pequenino? Traz-me um daqueles ovos e estaremos quites.
Anthea debruçou-se mais ainda na varanda e buscou um dos pequeninos ovos de beija-flor, entregou-o á gata e beijou-lhe o pelo sedoso em agradecimento.
Ao cair do terceiro dia de primavera, veio junto o terceiro dia de festa.
Nossa menina pôs os brincos nas orelhas a coroa na cabeça e dirigiu-se a varanda defronte ao jardim.Debruçando-se a ela cantou seus versos:
-Ó prateada lua, que
Ilumina a noite desalmada,
Ajuda-me lua, querida
Faz com que meu amor
Possa eu conquistar,
Empresta-me teu vestido,
Aquele o qual as núpcias festejou,
Para que assim, possa eu sorrir!
Desceu do céu a lua imperiosa e á Anthea entregou seu vestido, despedindo-se com um aceno de rainha cuidadosa.
Vestiu-se Anthea e encaminhou-se á festa. Ao ali chegar, todos os presentes bestificados ficaram com tamanha beleza aquela da menina de Galén. Era Anthea as estrelas do céu, as ninfas do mar e a luz do luar.
Chegou-se ela a Athos, seu amado, e a seu lado estando disse-lhe baixinho:
-De ti vim me despedir, tanto amor a ti mantive que agora cansasse o coração, queria de ti apenas um ultimo olhar de atenção.
Acácia, que desde que ali era chegada invejara a beleza de Anthea, sussurrou a seu ouvido:
-Boba és, criança, pois se não vê que ele ama a mim, e ainda te enches de esperanças deixe que com elas finde: não te olhará ele, pois á mim ama mais que a si mesmo, seu amor por mim o deixou cego!
Pobre de nossa Anthea, seu sôfrego seio estalou num soluço. Quanto sofria agora a formosa menina! Seu coração morria-se aos poucos, afastou-se dali quase a cair e sentou-se perto de uma roseira branca na grama fresca de orvalho e pôs-se a lamentar seu coração sofrido.
-Porque choras formosa Anthea?
Era Athos que dali aproximara-se em silencio.
-Ó, se almenos tu soubesses...
-Pois conta-me.
Ajoelhou-se ao lado dela.
Anthea lhe contou toda a história, enquanto ele a fitava admirado.
-Vê agora o quanto o amo, quanto sacrifício foi-me feito para de ti arrancar um mero olhar?
Sorriu-se Athos.
-Ora, não vê tu, meu amor, que tanto não era preciso, que meu amor já é infinito, que meu olhar em ti não caia para não sofrer, pois achava eu que amor a mim não tinha? Olha, meu anjo, das estrelas já tens o brilho em teus olhos – Tirou-lhe os brincos das orelhas com carinho e os enviou ás estrelas – das ninfas já tens a singularidade da beleza – tirou-lhe a coroa e a pôs de lado – e da lua, querida Anthea, possui tu o brilho que até a mais densa noite é capaz de clarear.
Anthea chorou-se.
-Porque ainda choras meu amor?
-Choro de felicidade, pois agora posso eu dizer que te amo como nunca antes amei!
Ele lhe cingiu a cintura e a trouxe para junto de si, seus lábios se encontraram num puro e brando beijo de amor.
Ao longe surgiu uma gata branca escondida pela ramagem das arvores, sentada num dos galhos mais densos, transformou-se ela em mulher, a mesma mulher que antes era serpente, que antes era cigarra. Fitou os céus rindo-se, e a um pequenino beija-flor que voava ao seu lado ela dirigiu-se:
-Vê, o que faço, faço-o direito! Se é amor, que seja verdadeiro! E só em amor verdadeiro ama-se e é-se amado!
...
Pois não é o amor auto-destrutivo?
Desse amor, por mais duro e dolorido que seja, nada posso tirar de proveitoso, ela não me ama.
É uma ingrata? Não acho que seja. A amei desde que a vi pela primeira vez, ou não, talvez me engane, vim a amá-la depois.
Não sei bem o que me leva a amar alguém da forma que amo, que chegue a perder o sono, a fome, e minha mente gire em torno da vida daquela a que me vejo a amar.
Cá entre nós, se é mais difícil esquecer aquele a quem não nos ama, a quem nos ama.
Não sabe ela que a amo, não revelo meu amor à pessoa viva, amor meu só Deus o sabe, e reconhece.
Se sou louco? E quem não o é? Penso nela a cada 10min , e tu, que a ninguém tem a pensar vem e chama-me de louco? Melhor louco que normal. Pois os normais não amam, é impossível a tais pessoas sentirem tal sentimento, sentem outros, culpa, vergonha talvez, mas não amor, já não é o amor em si próprio um louco?
Vejamos, eram umas 7h30min agora, então já estava acordado faziam-se 15min. Ela ressonava ao meu lado num sono de criança, como se o mundo não fosse o mundo que é e ela não fosse minha amante.
Levantei-me da cama e tateei por entre as cobertas a procura de minhas calças. Fechei o zíper com cuidado, como se qualquer ruído a pudesse arrancar do sonho que sonhava, se é que sonhava.
Saí pelo quarto na ponte dos dedos á procura de meus cigarros, os encontrei debaixo de um casaco jogado no chão, o isqueiro estava em cima duma estante preenchida por porta retratos. Uma estante brega e sentimental. Não as possuía dessa maneira em casa, nem eu nem Débora aprovávamos esse tipo de móvel, nesse marrom velho e ressecado, que parece feder a mofo, mas que na verdade não fede. E essas fotos em molduras coloridas e chamativas.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela. Nenhum raio de luz penetrava pela cortina que ontem à noite após fazermos amor ela teve o cuidado de fechar para que o sol não nos acordasse cedo.
Deixei-me observá-la compenetrado, traçar-lhe os traços com os olhos. Era bonita, muito bonita, coisa que Débora não era. Ainda me pergunto como mulher tão bonita ia querer alguém assim, como sou. Não que seja feio, feio não sou, mas também não sou belo, sou velho, isso sim, tenho 45 e ela, 21.
Talvez seja o intelecto, homens com poder atraem moças. Mas não digo poder sobre outros, nem sobre coisas materiais, não sou pobre, claro, sou um bom advogado, mas eu digo poder sobre si mesmo, poucos homens possuem poder sobre si mesmos hoje em dia, talvez seja por isso que ela me queira.
“Ainda é cedo...”
Sussurrou numa voz miúda, aquela voz de semi-acordados, carinhosa e roca.
“Sim, ainda é cedo...”
Desviei meus olhos dela, para que não percebesse que a contemplava maravilhado. É muito orgulhosa, passaria o dia a se mostrar.
“Vem cá, deita aqui ao meu lado.”
Fiquei sentado, calado, vendo a fumaça do cigarro desaparecer naquele balé espantoso e mórbido.
Não lembro o porquê de ter começado a fumar, talvez fosse muito moço. Achava bonito, era isso, tinha dedos bonitos e achava bonito, ficava com mais ares de mim mesmo, por isso comecei a fumar.
Ela se sentou na cama um tempo absorta em pensamentos o olhar distante, me olhou preguiçosa.
“Dá-me um.”
Lhe dei o que tinha em mãos.
Ela levantou-se depois dum tempo, calada, caminhou até a grande janela e abriu as cortinas, o cigarro no canto da boca, quase caindo.
Não tinha vergonha da sua nudez. Andava sempre assim, totalmente nua ou só de calcinha, me deixava bobo.
Já Débora era a prova viva do pecado da maçã. Nunca ficava nua, nem sequer na minha frente, até amor ela fazia vestida.
Ficou ali, sem vergonha das varandas longínquas dos outros apartamentos. Também não sei o motivo de ter uma amante, amá-la não a amo, amo a Débora.
“Você lê sempre?”
Foi ela quem começou o flerte, mas em resto eu segui adiante. E agora estávamos juntos á nove meses.
“Aonde nós estamos indo, Danilo?”
Silêncio.
“A lugar algum, você sabe...”
Silêncio.
“Não acho que posso mais continuar dessa maneira...”
“Não diga isso... Sabe que te amo...”
Mentira.
“Amar não ama. Eu posso parecer burra, Danilo, mas burra eu não sou.”
“Ninguém aqui disse nada do gênero.”
Me levantei e fiquei a seu lado.
Me olhou como quem sofre, tive pena.
“Não posso continuar assim, me metendo com alguém com quem não terei futuro.”
“E quem disse que não terá?”
“Você não vai deixá-la...”
Silencio.
“Melhor sozinha do que sofrendo assim como sofro. Não podemos sair de mãos dadas na rua como duas pessoas compromissadas que somos, não nos falamos quando nos encontramos em alguma loja, e sou eu que sofro quando te encontro com ela.”
“Não faça isso comigo, amor...”
“Isso o que?...”
“Isso...”
“Não estou fazendo absolutamente nada, só lhe digo a verdade, estou cansada.”
Silencio.
“Não deveríamos mais ficar juntos...”
Silêncio.
Foi até a cama, puxou uma das cobertas e se cobriu. Me mostrou o dedo indicador apontando para a porta:
“Adeus Danilo...”
Desse amor, por mais duro e dolorido que seja, nada posso tirar de proveitoso, ela não me ama.
É uma ingrata? Não acho que seja. A amei desde que a vi pela primeira vez, ou não, talvez me engane, vim a amá-la depois.
Não sei bem o que me leva a amar alguém da forma que amo, que chegue a perder o sono, a fome, e minha mente gire em torno da vida daquela a que me vejo a amar.
Cá entre nós, se é mais difícil esquecer aquele a quem não nos ama, a quem nos ama.
Não sabe ela que a amo, não revelo meu amor à pessoa viva, amor meu só Deus o sabe, e reconhece.
Se sou louco? E quem não o é? Penso nela a cada 10min , e tu, que a ninguém tem a pensar vem e chama-me de louco? Melhor louco que normal. Pois os normais não amam, é impossível a tais pessoas sentirem tal sentimento, sentem outros, culpa, vergonha talvez, mas não amor, já não é o amor em si próprio um louco?
Vejamos, eram umas 7h30min agora, então já estava acordado faziam-se 15min. Ela ressonava ao meu lado num sono de criança, como se o mundo não fosse o mundo que é e ela não fosse minha amante.
Levantei-me da cama e tateei por entre as cobertas a procura de minhas calças. Fechei o zíper com cuidado, como se qualquer ruído a pudesse arrancar do sonho que sonhava, se é que sonhava.
Saí pelo quarto na ponte dos dedos á procura de meus cigarros, os encontrei debaixo de um casaco jogado no chão, o isqueiro estava em cima duma estante preenchida por porta retratos. Uma estante brega e sentimental. Não as possuía dessa maneira em casa, nem eu nem Débora aprovávamos esse tipo de móvel, nesse marrom velho e ressecado, que parece feder a mofo, mas que na verdade não fede. E essas fotos em molduras coloridas e chamativas.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela. Nenhum raio de luz penetrava pela cortina que ontem à noite após fazermos amor ela teve o cuidado de fechar para que o sol não nos acordasse cedo.
Deixei-me observá-la compenetrado, traçar-lhe os traços com os olhos. Era bonita, muito bonita, coisa que Débora não era. Ainda me pergunto como mulher tão bonita ia querer alguém assim, como sou. Não que seja feio, feio não sou, mas também não sou belo, sou velho, isso sim, tenho 45 e ela, 21.
Talvez seja o intelecto, homens com poder atraem moças. Mas não digo poder sobre outros, nem sobre coisas materiais, não sou pobre, claro, sou um bom advogado, mas eu digo poder sobre si mesmo, poucos homens possuem poder sobre si mesmos hoje em dia, talvez seja por isso que ela me queira.
“Ainda é cedo...”
Sussurrou numa voz miúda, aquela voz de semi-acordados, carinhosa e roca.
“Sim, ainda é cedo...”
Desviei meus olhos dela, para que não percebesse que a contemplava maravilhado. É muito orgulhosa, passaria o dia a se mostrar.
“Vem cá, deita aqui ao meu lado.”
Fiquei sentado, calado, vendo a fumaça do cigarro desaparecer naquele balé espantoso e mórbido.
Não lembro o porquê de ter começado a fumar, talvez fosse muito moço. Achava bonito, era isso, tinha dedos bonitos e achava bonito, ficava com mais ares de mim mesmo, por isso comecei a fumar.
Ela se sentou na cama um tempo absorta em pensamentos o olhar distante, me olhou preguiçosa.
“Dá-me um.”
Lhe dei o que tinha em mãos.
Ela levantou-se depois dum tempo, calada, caminhou até a grande janela e abriu as cortinas, o cigarro no canto da boca, quase caindo.
Não tinha vergonha da sua nudez. Andava sempre assim, totalmente nua ou só de calcinha, me deixava bobo.
Já Débora era a prova viva do pecado da maçã. Nunca ficava nua, nem sequer na minha frente, até amor ela fazia vestida.
Ficou ali, sem vergonha das varandas longínquas dos outros apartamentos. Também não sei o motivo de ter uma amante, amá-la não a amo, amo a Débora.
“Você lê sempre?”
Foi ela quem começou o flerte, mas em resto eu segui adiante. E agora estávamos juntos á nove meses.
“Aonde nós estamos indo, Danilo?”
Silêncio.
“A lugar algum, você sabe...”
Silêncio.
“Não acho que posso mais continuar dessa maneira...”
“Não diga isso... Sabe que te amo...”
Mentira.
“Amar não ama. Eu posso parecer burra, Danilo, mas burra eu não sou.”
“Ninguém aqui disse nada do gênero.”
Me levantei e fiquei a seu lado.
Me olhou como quem sofre, tive pena.
“Não posso continuar assim, me metendo com alguém com quem não terei futuro.”
“E quem disse que não terá?”
“Você não vai deixá-la...”
Silencio.
“Melhor sozinha do que sofrendo assim como sofro. Não podemos sair de mãos dadas na rua como duas pessoas compromissadas que somos, não nos falamos quando nos encontramos em alguma loja, e sou eu que sofro quando te encontro com ela.”
“Não faça isso comigo, amor...”
“Isso o que?...”
“Isso...”
“Não estou fazendo absolutamente nada, só lhe digo a verdade, estou cansada.”
Silencio.
“Não deveríamos mais ficar juntos...”
Silêncio.
Foi até a cama, puxou uma das cobertas e se cobriu. Me mostrou o dedo indicador apontando para a porta:
“Adeus Danilo...”
sexta-feira, 20 de julho de 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Da lua, tem-se apenas a inveja.
I
Põe-se o sol no horizonte longínquo,
Espera ela, por entre os ramos das arvores,
Aquele a quem juras lhe manda o coração.
HELENA- Pois já o sol tem-se por ir,
E inda ele meus olhos não banharam,
Morro em sono se seu rosto,
Estrela minha, não ter por ver antes
De partir-me a tão distantes terras...
Ó como dói-me esse amor tão doce,
Como devasta-me o peito essa
Ventura amorosa, que tão poucos
Em sorte, ou azar, procuram tê-la,
E dela nada tem além da sombra.
Sim, deleito-me desse injusto,
Que a mim não quer ver ultima vez,
Pois, pai meu, leva-me embora
De pátria minha, por dinheiro ter
Em objetivo, além de férteis terras.
(Entra Laerte)
LAERTE- Bela minha, visão de meus amores,
De que te queixas? Pois se vai-te embora,
Te levas comigo em peito, sou teu,
E todo teu, pois o coração que levas em seio,
É o meu em carne e sangue, não te entristeça!
HELENA- Ó Laerte meu, sempre tão doce,
Faz-me assim sofrer mais forte, amando-me,
Do que sofrer por não amar-me!
Mas que injustos são os céus, meu amado,
Que o amor deixam caminhar sem pena,
E quando tem ele por agir-se em nós,
Meros humanos, é-se assim, por entre
Dores e desgostos!
LAERTE- Não te fales assim minha menina,
Quantas noites por entre estas arvores de
Teu jardim não vivemos nós entre sorrisos,
De quantos sóis não nos despedimos
Entre beijos amados? Por quantas luas não
Fomos vistos e invejados? Vejas esse lado,
Minha pequena, nos amamos como nunca
Antes puderam amar as rosas suas estrelas
Tão queridas.
HELENA- Queria eu poder ver como tu
Este lado de nossa vivência, poder
Amar o passado e esquecer-me do futuro;
Mas vida minha vivo em presente,
Meu amado, e sofro, pois melhor
Morrer a viver a vida sem teu calor
A meu lado!
LAERTE- Não te fales assim, Helena minha,
Pois sabendo eu que tu não mais vive,
Quero eu não mais viver; apenas por saber
Que sorris, mesmo que a outro, vivo eu feliz.
HELENA- Ali! lá vem ela, a invejosa,
Por em nós o ódio de sua incapacidade,
Volta lua! Volta a tua solidão, deixa
Que nos amemos apenas por mais
Um tempo, sós em nosso ultimo encontro,
Em nosso amor incompreendido e
Invejado até pelos mais famosos poetas!
(Ouve-se Hagar, pai de Helena, Gritar por ela
Por entre no jardim.).
Laerte puxa Helena a si.
LAERTE- É agora a hora de nossa despedida,
Estrela de meu viver...
HELENA- Não me fales em despedidas,
Amor meu, fingiremos que ainda teremos
Por vermos-nos amanha!
LAERTE- Se assim tu sofrerás menos, Helena
Minha, assim o farei por ti! Agora deixa que de
Teus lábios possam os meus gozar, que de teu beijo,
Possa eu, uma ultima vez provar sem demandas!
Beijam-se, Helena retira-se dos braços de Laerte as pressas.
HELENA- Adeus amor meu... Adeus...
(Saem os dois).
Põe-se o sol no horizonte longínquo,
Espera ela, por entre os ramos das arvores,
Aquele a quem juras lhe manda o coração.
HELENA- Pois já o sol tem-se por ir,
E inda ele meus olhos não banharam,
Morro em sono se seu rosto,
Estrela minha, não ter por ver antes
De partir-me a tão distantes terras...
Ó como dói-me esse amor tão doce,
Como devasta-me o peito essa
Ventura amorosa, que tão poucos
Em sorte, ou azar, procuram tê-la,
E dela nada tem além da sombra.
Sim, deleito-me desse injusto,
Que a mim não quer ver ultima vez,
Pois, pai meu, leva-me embora
De pátria minha, por dinheiro ter
Em objetivo, além de férteis terras.
(Entra Laerte)
LAERTE- Bela minha, visão de meus amores,
De que te queixas? Pois se vai-te embora,
Te levas comigo em peito, sou teu,
E todo teu, pois o coração que levas em seio,
É o meu em carne e sangue, não te entristeça!
HELENA- Ó Laerte meu, sempre tão doce,
Faz-me assim sofrer mais forte, amando-me,
Do que sofrer por não amar-me!
Mas que injustos são os céus, meu amado,
Que o amor deixam caminhar sem pena,
E quando tem ele por agir-se em nós,
Meros humanos, é-se assim, por entre
Dores e desgostos!
LAERTE- Não te fales assim minha menina,
Quantas noites por entre estas arvores de
Teu jardim não vivemos nós entre sorrisos,
De quantos sóis não nos despedimos
Entre beijos amados? Por quantas luas não
Fomos vistos e invejados? Vejas esse lado,
Minha pequena, nos amamos como nunca
Antes puderam amar as rosas suas estrelas
Tão queridas.
HELENA- Queria eu poder ver como tu
Este lado de nossa vivência, poder
Amar o passado e esquecer-me do futuro;
Mas vida minha vivo em presente,
Meu amado, e sofro, pois melhor
Morrer a viver a vida sem teu calor
A meu lado!
LAERTE- Não te fales assim, Helena minha,
Pois sabendo eu que tu não mais vive,
Quero eu não mais viver; apenas por saber
Que sorris, mesmo que a outro, vivo eu feliz.
HELENA- Ali! lá vem ela, a invejosa,
Por em nós o ódio de sua incapacidade,
Volta lua! Volta a tua solidão, deixa
Que nos amemos apenas por mais
Um tempo, sós em nosso ultimo encontro,
Em nosso amor incompreendido e
Invejado até pelos mais famosos poetas!
(Ouve-se Hagar, pai de Helena, Gritar por ela
Por entre no jardim.).
Laerte puxa Helena a si.
LAERTE- É agora a hora de nossa despedida,
Estrela de meu viver...
HELENA- Não me fales em despedidas,
Amor meu, fingiremos que ainda teremos
Por vermos-nos amanha!
LAERTE- Se assim tu sofrerás menos, Helena
Minha, assim o farei por ti! Agora deixa que de
Teus lábios possam os meus gozar, que de teu beijo,
Possa eu, uma ultima vez provar sem demandas!
Beijam-se, Helena retira-se dos braços de Laerte as pressas.
HELENA- Adeus amor meu... Adeus...
(Saem os dois).
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Tudo fica maluco às vezes. Acho que agente para de fazer sentido... Ou é o mundo que para.
Mas no fim só pode ser um dos dois.
De tarde é mais fácil deixar que me entre a melancolia com aquele cheiro de chuva que tem Paulo Afonso dia sim dia não.
O sol vai se pondo, demora um pouco, é a parte do dia que mais combina comigo, quando o sol tinge a cidade com raios um tanto roseas.
E tudo fica lânguido, é como se o mundo parasse para que você pudesse ver o sol despedir-se dos pássaros.
Não sei a hora exata, nunca sei nada a ver com a hora, deixa ela correr, quem se importa...
Perder-se por dentro de mim mesma me é tão fácil, meu coração é fundo como um poço sem fim, talvez por isso me perca tanto, e por fim o coitado ainda é confuso.
Quer amar, mas não quer, tem medo, medo de sofrer não é, deve ser medo de sentir-se rebaixado. E que lá tem isso a ver com o amor.
Esqueçâ-mos do amor.
Me apoio na janela pequenina, de lá o mundo não me vê, só eu o vejo, para desejá-lo em silêncio, e suspirar por achá-lo injusto, e mesmo assim, tão belo.
Quando o céu fica verde já a cidade não mais me agrada, é como se ficasse suja, céu esverdeado dá-me nos nervos, não sei o motivo, e quem lá quer saber...
E quem sabe quando se mostre a lua em sua total posição no céu, tenha eu gosto de voltar à janela, enamorar-me das estrelas, e pedir a elas trégua por nossa guerra de céu e terra.
E se passam assim quase todos os dias, eu entre suspiros de menina e lágrimas de mulher.
...AMOR...
Amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor.
Ow palavra que vicia! E eu corro para minha janela ^^.
Ow palavra que vicia! E eu corro para minha janela ^^.
terça-feira, 19 de junho de 2007
...
já encontrava-me eu em minha insônia, quando tinha a lua por estender-se em seu céu negro, véu da viúva branda, mau amada, e lhe são as lágrimas as pequeninas estrelas; por mais que meus olhos por ti caíssem, era-me um sonho inesquecível, ver-te assim tão bela, no prata de tua morte; fostes minha única amante, em menino, jovem e adulto; em verdade amei só a ti, a única a qual não podia possuir...
Bem... faz pouco tempo que o deixei ir completamente, alguns podem reconhecer o quanto para mim é difícil deixar de amar alguém, ou outros esquecem de um amor tão facilmente que... parece até que nunca amaram... ou se quer gostaram...
Mas fui eu a culpada, eu que o deixei, fiz o que era preciso, disse-me um amigo: não é ele que não é para você, você que não é para ele. ^^
Vlw moço ^^,
Sei que poço muito mais do que alguém como ele, não me gabo, pelo contrario, culpo esse coração estúpido que amo tanto!
E agora finalmente posso te dizer: Adio!
Foi uma boa aventura, valeu ótimas lembranças, e umas bastantes complexas, tinha muito nele que eu não aprovava, como viver um relacionamento deste jeito?
... E agora falo como uma adulta...
Mas bem, digo novamente: Adio!!!!
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ando tendo muitos Déjà vu’s ultimamente, tantos que as vezes adivinho o que alguém estava para me dizer... É uma sensação estranha, essa de se estar vivendo em sonho... e uma conhecida minha ainda me vem e diz: você n tem medo?
¬¬
Ora! Medo de que! Não é que eu vá morrer ou algo do gênero, e mesmo assim, pra que temer a morte?!
^^
Pois bem meus visitantes, sejam bonzinhos comigo... É a primeira vez que faço algo do gênero... Falo de mim assim tão abertamente, para amigos, familiares, e estranhos até...
E por incrível que apreça é um tanto simples...
Um abraço aqueles que realmente prestam atenção ao que uma louca tem a dizer...
É-lhe um amor impossível, e assim faz apenas ignorá-lo...
Espera... Não é Elena ali na esquina?
Pois ora... Magnífica Elena, é uma bela mulher, mas lhe aconselho meu caro leitor, que dela não se aproxime, é a mim em corpo feminino, uma destruidora de sonhos, te fará amar e odiar, te fará com que não a esqueças nunca...
Ora minha doce Elena... Que aprontas tu em tuas paginas? Tanto quis eu fazer parte delas, mas não me deixa, somos por demais parecidos. Nos suprimos apenas de palavras bonitas ditas um pelo outro, e do calor de um abraço...
Mas de teus lábios inda hei de provar, minha querida, irás ver...
E subitamente me tomo em raiva, torna-me poeta sem se quer dar-me um olhar...
Escondo-me para que não me veja, pareço um tolo, aqui recostado nesse poste com olhares contempladores a uma amiga tão querida.
Busco nos bolsos um papel sequer, uma caneta, não tenho absolutamente nada... E ela ainda ali, em pé de frente a floricultura, nada parece realmente acontecer-lhe, tem um de seus olhares inexistentes.
Veste-se feito um homem, roupas sempre escuras, talvez queira esconder a beleza que lhe foi dada tão generosamente. Mas lhe é impossível. Deixo meus olhos se banharem nesse céu brasileiro, tão exuberante, tão vivo, como só o é aqui, nessa terra sem mãe.
Por um segundo alguém me sussurra algo, volto os olhos para minha frente e me deparo com seus olhos castanhos sempre tão sedutores.
-Que fazes tu por aqui meu doce amante?
Me dizia ela, enquanto tentava arrancar de seus olhos o verdadeiro significado de chamar-me de seu amante, mesmo já sabendo eu que lhe era pura brincadeira, iludir-me com suas brincadeiras lhe é tão fácil.
Ela se aproxima de mim, e em sussurros me diz ao ouvido:
-Sou tua... Completamente tua... Pois se em teu peito agora bate meu coração, o teu bate em meu seio, nada mais podemos fazer a não ser amarmos mutuamente sem medo do sofrer...
Dá um de seus mais orgulhosos sorrisos e numa voz animada:
-Gostou? Me veio agora... Por isso gosto de passeios sem sentido, acabo de criar metade do fim de minha historia!
Me pega pelo braço e me pergunta as novidades. Para ela é tudo tão fácil... Quem sabe seja melhor assim, amar somente em palavras dum livro, enquanto lhe supro os carinhos tão precisos sem nada pedir em troca...
Pois ora... Magnífica Elena, é uma bela mulher, mas lhe aconselho meu caro leitor, que dela não se aproxime, é a mim em corpo feminino, uma destruidora de sonhos, te fará amar e odiar, te fará com que não a esqueças nunca...
Ora minha doce Elena... Que aprontas tu em tuas paginas? Tanto quis eu fazer parte delas, mas não me deixa, somos por demais parecidos. Nos suprimos apenas de palavras bonitas ditas um pelo outro, e do calor de um abraço...
Mas de teus lábios inda hei de provar, minha querida, irás ver...
E subitamente me tomo em raiva, torna-me poeta sem se quer dar-me um olhar...
Escondo-me para que não me veja, pareço um tolo, aqui recostado nesse poste com olhares contempladores a uma amiga tão querida.
Busco nos bolsos um papel sequer, uma caneta, não tenho absolutamente nada... E ela ainda ali, em pé de frente a floricultura, nada parece realmente acontecer-lhe, tem um de seus olhares inexistentes.
Veste-se feito um homem, roupas sempre escuras, talvez queira esconder a beleza que lhe foi dada tão generosamente. Mas lhe é impossível. Deixo meus olhos se banharem nesse céu brasileiro, tão exuberante, tão vivo, como só o é aqui, nessa terra sem mãe.
Por um segundo alguém me sussurra algo, volto os olhos para minha frente e me deparo com seus olhos castanhos sempre tão sedutores.
-Que fazes tu por aqui meu doce amante?
Me dizia ela, enquanto tentava arrancar de seus olhos o verdadeiro significado de chamar-me de seu amante, mesmo já sabendo eu que lhe era pura brincadeira, iludir-me com suas brincadeiras lhe é tão fácil.
Ela se aproxima de mim, e em sussurros me diz ao ouvido:
-Sou tua... Completamente tua... Pois se em teu peito agora bate meu coração, o teu bate em meu seio, nada mais podemos fazer a não ser amarmos mutuamente sem medo do sofrer...
Dá um de seus mais orgulhosos sorrisos e numa voz animada:
-Gostou? Me veio agora... Por isso gosto de passeios sem sentido, acabo de criar metade do fim de minha historia!
Me pega pelo braço e me pergunta as novidades. Para ela é tudo tão fácil... Quem sabe seja melhor assim, amar somente em palavras dum livro, enquanto lhe supro os carinhos tão precisos sem nada pedir em troca...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
É-se fácil viver, difícil é atar-se a seus problemas.
É um restaurante de segunda, mas é um bom restaurante. Sempre nos encontramos aqui quando ele tem por voltar á cidade. Está já meia hora atrasado, sempre foi assim, nunca pontual.
Nos conhecemos a mais ou menos 3 á 4 anos, era eu um aspirante e ele um veterano. Ele sempre se queixando da falta de inspiração e eu de minhas poucas palavras. Me critica a toda força e demonstra inveja pela minha facilidade de escrita, mas no fundo sabe que sua demora por ter o que escrever o compensa, pois me supera a cada palavra, e é ai que eu lhe substituo papel e passo a ser o invejoso.
Senta-se em minha frente sem dar palavra, com seus ares de ignorante, e seu corpo fora do peso. Olha para as pessoas ao redor e quando nota meu sorriso sarcástico faz um barulho com a língua nos dentes e diz:
-Não me venha com teus bons humores de jovem, Diego, estou passado!
Sorrio-lhe caridoso por seja lá quais forem suas dores de consciência de gente velha.
-E como vão os meninos?
Puxo para junto de mim a xícara de café que me traz a garçonete, e ele me responde enquanto observa as suas belas curvas femininas:
-Estão ótimos... Aline arranjou um namorado novo... Tanto pedi eu a Deus que me desse apenas homens.
Rio a bom grado dessa sua “desgraça”, ele me olha irônico:
-Inda irás sofrer com isso Diego, podes apostar!
E ri-se finalmente.
Fito-lhe com o canto dos olhos, para que não perceba que lhe decoro os pensamentos e as maneiras, finjo brincar com o guardanapo enquanto lhe traço o primeiro fio de sua personalidade. Parece-me um segurança aposentado...
-Não me faças um dos teus personagens mórbidos, meu caro, estou bem como estou.
É-me engraçado pensar que já reconhece quando traço o perfil de meus personagens “mórbidos” como diz ele.
-Acho que Clarissa anda a me trair...
O fito espantado, esta recostado na cadeira a palitar os dentes amarelos do fumo.
-Não seja bobo, Clarissa não te trairias, são tuas paranóias de escritor, fazemos muito caso do pouco...
-Não te faças de imbecil Diego! Não achas que não conheço minha própria mulher?!
Calo-me enquanto busco nos bolsos da jaqueta a sombra de algum cigarro perdido.
-... Anda-me com poucas palavras... Chega tarde em casa e não me dá palavra...
Me dá um de seus cigarros baratos, o acende, agradeço.
-São coisas de casais, meu amigo, verá que é apenas uma fase.
Ele se remexe na cadeira de cenho franzido:
-Que seja...
Nunca traí apesar de ter uma imensa curiosidade de saber como me sentiria sendo um traidor. Machuco as mulheres em seus mais finos sentimentos, brinco com elas por diversão, e elas brincam comigo, coisa de criança, viver um atrás do outro em malícias inocentes.
Nem nunca fui traído. Acho eu...
Saber pelo que passa tão querido amigo meu é um tanto... Forçado, podemos dizer... Ou ser-me-á fácil?
-Já não escrevo faz-se uns 6 meses... Estou passado, Diego, ando em desgosto atrás de outro, é-me Clarissa e essa minha duvida, é-me Aline e aquele vagabundo que se diz um bom advogado... E meu mais novo, que agora quer seguir essa carreira desgraçada de jornalista... Nem tempo de olhar as estrelas tenho eu.
E enquanto me fala ele de seus problemas paro para pensar que nunca o imaginei o tipo de homem que sequer olha as estrelas. Acho que nem eu pareço esse tipo de homem... Que para horas em frente ao céu pensando em nada...
Não entremos em poesia.
Levanta-se e pega seu casaco. Passou uns 4 minutos enquanto lhe traçava um novo perfil, quatro minutos calado a fitar a grande Rio de Janeiro bela e animada.
-Tenho de ir-me, combinei de encontrar-me com Elena ainda hoje, sabes como ela é, não gosta de atrasos... Falando em Elena, tu andas a vê-la estes tempos? Acho que anda a esconder-me um bom romance...
-Não a vejo a um bom tempo...
Abaixo os olhos, minto, a vi ontem de noite, adormeceu ao meu lado enquanto lhe recitava um soneto do grande Álvares de Azevedo.
-Bem... Tentarei arrancar-lhe algo hoje. Encontremos-nos ainda um dia desses, sim meu amigo?
E vai-se sem meu adeus.
Escritores não precisam de palavras doces, descobrem a si mesmos, eles próprios se consolam... Diga-nos algo para que não nos lamentemos e te olharemos com um olhar superior. Somos animais estranhos, melhor deixar-nos em nosso canto, em nossos pensamentos...
Nos conhecemos a mais ou menos 3 á 4 anos, era eu um aspirante e ele um veterano. Ele sempre se queixando da falta de inspiração e eu de minhas poucas palavras. Me critica a toda força e demonstra inveja pela minha facilidade de escrita, mas no fundo sabe que sua demora por ter o que escrever o compensa, pois me supera a cada palavra, e é ai que eu lhe substituo papel e passo a ser o invejoso.
Senta-se em minha frente sem dar palavra, com seus ares de ignorante, e seu corpo fora do peso. Olha para as pessoas ao redor e quando nota meu sorriso sarcástico faz um barulho com a língua nos dentes e diz:
-Não me venha com teus bons humores de jovem, Diego, estou passado!
Sorrio-lhe caridoso por seja lá quais forem suas dores de consciência de gente velha.
-E como vão os meninos?
Puxo para junto de mim a xícara de café que me traz a garçonete, e ele me responde enquanto observa as suas belas curvas femininas:
-Estão ótimos... Aline arranjou um namorado novo... Tanto pedi eu a Deus que me desse apenas homens.
Rio a bom grado dessa sua “desgraça”, ele me olha irônico:
-Inda irás sofrer com isso Diego, podes apostar!
E ri-se finalmente.
Fito-lhe com o canto dos olhos, para que não perceba que lhe decoro os pensamentos e as maneiras, finjo brincar com o guardanapo enquanto lhe traço o primeiro fio de sua personalidade. Parece-me um segurança aposentado...
-Não me faças um dos teus personagens mórbidos, meu caro, estou bem como estou.
É-me engraçado pensar que já reconhece quando traço o perfil de meus personagens “mórbidos” como diz ele.
-Acho que Clarissa anda a me trair...
O fito espantado, esta recostado na cadeira a palitar os dentes amarelos do fumo.
-Não seja bobo, Clarissa não te trairias, são tuas paranóias de escritor, fazemos muito caso do pouco...
-Não te faças de imbecil Diego! Não achas que não conheço minha própria mulher?!
Calo-me enquanto busco nos bolsos da jaqueta a sombra de algum cigarro perdido.
-... Anda-me com poucas palavras... Chega tarde em casa e não me dá palavra...
Me dá um de seus cigarros baratos, o acende, agradeço.
-São coisas de casais, meu amigo, verá que é apenas uma fase.
Ele se remexe na cadeira de cenho franzido:
-Que seja...
Nunca traí apesar de ter uma imensa curiosidade de saber como me sentiria sendo um traidor. Machuco as mulheres em seus mais finos sentimentos, brinco com elas por diversão, e elas brincam comigo, coisa de criança, viver um atrás do outro em malícias inocentes.
Nem nunca fui traído. Acho eu...
Saber pelo que passa tão querido amigo meu é um tanto... Forçado, podemos dizer... Ou ser-me-á fácil?
-Já não escrevo faz-se uns 6 meses... Estou passado, Diego, ando em desgosto atrás de outro, é-me Clarissa e essa minha duvida, é-me Aline e aquele vagabundo que se diz um bom advogado... E meu mais novo, que agora quer seguir essa carreira desgraçada de jornalista... Nem tempo de olhar as estrelas tenho eu.
E enquanto me fala ele de seus problemas paro para pensar que nunca o imaginei o tipo de homem que sequer olha as estrelas. Acho que nem eu pareço esse tipo de homem... Que para horas em frente ao céu pensando em nada...
Não entremos em poesia.
Levanta-se e pega seu casaco. Passou uns 4 minutos enquanto lhe traçava um novo perfil, quatro minutos calado a fitar a grande Rio de Janeiro bela e animada.
-Tenho de ir-me, combinei de encontrar-me com Elena ainda hoje, sabes como ela é, não gosta de atrasos... Falando em Elena, tu andas a vê-la estes tempos? Acho que anda a esconder-me um bom romance...
-Não a vejo a um bom tempo...
Abaixo os olhos, minto, a vi ontem de noite, adormeceu ao meu lado enquanto lhe recitava um soneto do grande Álvares de Azevedo.
-Bem... Tentarei arrancar-lhe algo hoje. Encontremos-nos ainda um dia desses, sim meu amigo?
E vai-se sem meu adeus.
Escritores não precisam de palavras doces, descobrem a si mesmos, eles próprios se consolam... Diga-nos algo para que não nos lamentemos e te olharemos com um olhar superior. Somos animais estranhos, melhor deixar-nos em nosso canto, em nossos pensamentos...
domingo, 17 de junho de 2007
Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude
Começo a achar-me um tolo, e sem duvida o sou. Falo, pois é-me um sacrifício muito grande deixar que se vá alguém que um dia amou-me.
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...
sábado, 16 de junho de 2007
Inspiração do poeta, quem sabe...
São exatamente três da madrugada. Encontro-me acordado sentado em minha cama, ao meu lado dorme a mulher que amo, a única que amei, quem sabe...
É-me assim todos os dias, acordo as três da madrugada como que para ouvir teus passos ausentes pelo corredor vazio.
Faz-me com que me levante, saia do lado daquela a quem amo, caminhe até a janela e beba da noite antes minha tão querida!
Lembrar-me de que por dias me fizestes sofrer das mais incríveis dores do peito, me fazias chorar sem motivos... E te perder é-me tão estranho... Se na felicidade não me sinto completo.
Antes tu, que a mim dava motivos a morte e sentidos a vida, á alegria que a morte deixa o medo e a vida sem sentidos.
Vejo a tentar esquecer a ti enquanto escrevo inconscientemente nesta folha de papel, o teu nome.
Ando em círculos por entre o nosso passado, o meu passado, meus sonhos e desejos de 15, 25 anos de idade... Era-me tão importante, tão precisa... E agora, aos meus 45, me encontro em vida fútil, a vida que antes temia... É certo que amo, mas esse amor me supre as crenças do passado?
Melhor estar contigo em sombras de um amor tão doce, a viver ao lado desse numa realidade sem ternura.
Abandonei a ti quando mais te precisavas.
Por sorte ainda te sinto, te respiro, te ouço... Eras meus sonhos de 15 anos, meus viveres de 25.
É-me assim todos os dias, acordo as três da madrugada como que para ouvir teus passos ausentes pelo corredor vazio.
Faz-me com que me levante, saia do lado daquela a quem amo, caminhe até a janela e beba da noite antes minha tão querida!
Lembrar-me de que por dias me fizestes sofrer das mais incríveis dores do peito, me fazias chorar sem motivos... E te perder é-me tão estranho... Se na felicidade não me sinto completo.
Antes tu, que a mim dava motivos a morte e sentidos a vida, á alegria que a morte deixa o medo e a vida sem sentidos.
Vejo a tentar esquecer a ti enquanto escrevo inconscientemente nesta folha de papel, o teu nome.
Ando em círculos por entre o nosso passado, o meu passado, meus sonhos e desejos de 15, 25 anos de idade... Era-me tão importante, tão precisa... E agora, aos meus 45, me encontro em vida fútil, a vida que antes temia... É certo que amo, mas esse amor me supre as crenças do passado?
Melhor estar contigo em sombras de um amor tão doce, a viver ao lado desse numa realidade sem ternura.
Abandonei a ti quando mais te precisavas.
Por sorte ainda te sinto, te respiro, te ouço... Eras meus sonhos de 15 anos, meus viveres de 25.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
O Rouxinol e a Rosa.
I
Nasceu da mais bela roseira
Num desses jardins brasileiros
De cores estonteantes,
E fragrâncias voluptuosas.
Chamava-se flor, filha da rosa,
Mas em nome completo era
A rosa vermelha.
Tinha o encanto da moça faceira,
E o recato da recente esposa.
Suas sépalas de verde vivo,
Suas pétalas de vermelho sangue.
Era virgem em canto,
Era virgem em seio,
Sonhava com encantos,
Sonhava com amor.
II
Nascera num dos galhos do Ipê,
Num ninho de amor,
Tinha nas azas o alado do pegaso,
E em lábios o beijo de flor,
Era pássaro pequeno,
Era menino travesso,
Nas penas o verde brilhante,
Nos olhos o negro vivente.
Não era virgem de lábios,
Não era virgem de amor,
Amava a todas e a tudo,
Tinha a flora em amor.
III
Caia o sol das colinas,
Brilhava a grama de orvalho,
Bocejavam as flores meninas,
Acordava o cravo solitário,
Ganhava tons vivos o jardim,
Cantava o pássaro amante,
Cantavam as águas do arroio.
De lado a lado flores vibrantes,
Orquídeas formosas,
E ervas perfumadas.
Sonhava a Flor em seu caule,
Reclinada sobre suas,
Folhas verdejantes;
Sonhava num amor verdadeiro,
Sonhava com uns olhos negros.
IV
Ia sem rumo o Beija-flor,
Ia, mas ia cansado,
Cansado desse vagar,
Cansado de amor sem amar.
Via as rosas, mas nada fazia,
Seus lábios beijos não dariam,
Suas flores, amores, não ganhariam.
Iam monótonos seus olhos negros,
Pelas flores derramar desejos,
E por entre a roseira mais vibrante,
Viu ele a Flor envolta em doces suspiros.
Viu-a e amou-a,
Amou-a em seu castigo,
A quis sem motivos,
Tremiam seus lábios,
Vacilava seu seio.
V
Chegou-se deslumbrante,
O seio vibrante, seio de mancebo,
E sem perceber-se a rosa,
Tocaram seus lábios virgens,
Os lábios do cavalheiro,
Beijo de alma, beijo de cor.
Estalou o seio da rosa,
Descobria o amor.
Fitou o Beija-flor seu amor querido,
Fitou a rosa seu sonhado amor.
E lágrimas, enfim vieram,
Não mais amava o Beija-flor.
VI
Viveu a rosa solitária,
Suas pétalas perdiam a cor,
Seu vermelho virava vinho,
Vinho do amargo amor.
Seu sorriso não mais alegrava,
Seus suspiros não mais existiam.
Chorava, apenas, a rosa
Chorava a desilusão amorosa.
Suas irmãs sofriam sua dor,
Dor de sangue, dor de amigo.
A rosa formosa morria,
Morria por um amor inimigo.
VII
Manhã como todas,
Vinha o sol alegrar o jardim,
Caiam seus raios sobre as flores,
Cantavam seus passaros,
Suas canções de amor.
Mas lá longe, na roseira vermelha,
Chorava uma das suas,
A única rosa não mais desejada,
Pois sua cor era agora,
De vinho amargo,
Não mais do vermelho,
Do amor encantado.
Chorava ela, resignada,
Suas irmãs lhe falavam,
Não as escutava.
VIII
Veio doce o canto,
Canto brando,
Encheu seu seio,
Atraiu sua atenção.
Quem é que canta?
Essa maviosa canção de amargura?
Quem é que a canta?
Perguntou a rosa a suas irmãs,
Nada essas sabiam,
Quem sabe era um Bentivi,
Quem sabe uma ave silvestre.
E toda manhã ouvia a rosa,
Aquele canto de amor amargo,
Amargo como seu sofrer.
IX
Ganhava a rosa cor,
Vermelho de lábio virgem,
Virgem como nosso Deus Apolo,
Virgem como sol em manhã.
O canto estendia-se pelo jardim,
Todas paravam a ouvir,
Choravam sem motivos,
Choravam pelo poeta sem rosto.
X
Surpreendeu-se a rosa,
Agora era a mais formosa.
Porque seria?
Então descobria,
Era por que amava.
E nesse amor sem motivos,
Amor sem compreensão,
Viu-se a rosa a sorrir,
Sorrir só por sorrir,
E desse sorrir, viu-se a encantar,
E a todos fazer amar, amor familiar,
Amor sem sofrer.
Cantou a rosa,
E a todos fez calar.
Cantava venturas,
E o canto cantou junto a si.
De por entre as folhas do Ipê,
Surgiu um pequeno passarinho,
No peito o amor verdadeiro,
Na voz o canto do Rouxinol.
Sorriu-se a rosa ao aproximar-se aquele
A quem amava.
Chegou-se o pequeno Rouxinol,
E junto a si, cantou a rosa:
Sou eu teu poeta,
Sou eu quem canta a ti,
Sou eu quem ama sem motivos,
Só para poder a ti, fazer sorrir.
Era eu quem te amava em silencio,
Quem pedia teu olhar,
Quem sussurrava ao luar.
Sou eu quem sempre aqui vou estar,
A amá-la sem nada querer em troca,
A não ser um mero olhar,
O toque de tuas pétalas,
O sabor de teus lábios.
Pois saiba minha Flor,
Que a ti cantei sonetos,
Em noites de desespero,
E por ti escrevi canções,
E as canto em jardins infelizes.
Sou viajante, sou trovador,
Mas por ti, minha Rosa,
Seria eu um mero poeta.
Nasceu da mais bela roseira
Num desses jardins brasileiros
De cores estonteantes,
E fragrâncias voluptuosas.
Chamava-se flor, filha da rosa,
Mas em nome completo era
A rosa vermelha.
Tinha o encanto da moça faceira,
E o recato da recente esposa.
Suas sépalas de verde vivo,
Suas pétalas de vermelho sangue.
Era virgem em canto,
Era virgem em seio,
Sonhava com encantos,
Sonhava com amor.
II
Nascera num dos galhos do Ipê,
Num ninho de amor,
Tinha nas azas o alado do pegaso,
E em lábios o beijo de flor,
Era pássaro pequeno,
Era menino travesso,
Nas penas o verde brilhante,
Nos olhos o negro vivente.
Não era virgem de lábios,
Não era virgem de amor,
Amava a todas e a tudo,
Tinha a flora em amor.
III
Caia o sol das colinas,
Brilhava a grama de orvalho,
Bocejavam as flores meninas,
Acordava o cravo solitário,
Ganhava tons vivos o jardim,
Cantava o pássaro amante,
Cantavam as águas do arroio.
De lado a lado flores vibrantes,
Orquídeas formosas,
E ervas perfumadas.
Sonhava a Flor em seu caule,
Reclinada sobre suas,
Folhas verdejantes;
Sonhava num amor verdadeiro,
Sonhava com uns olhos negros.
IV
Ia sem rumo o Beija-flor,
Ia, mas ia cansado,
Cansado desse vagar,
Cansado de amor sem amar.
Via as rosas, mas nada fazia,
Seus lábios beijos não dariam,
Suas flores, amores, não ganhariam.
Iam monótonos seus olhos negros,
Pelas flores derramar desejos,
E por entre a roseira mais vibrante,
Viu ele a Flor envolta em doces suspiros.
Viu-a e amou-a,
Amou-a em seu castigo,
A quis sem motivos,
Tremiam seus lábios,
Vacilava seu seio.
V
Chegou-se deslumbrante,
O seio vibrante, seio de mancebo,
E sem perceber-se a rosa,
Tocaram seus lábios virgens,
Os lábios do cavalheiro,
Beijo de alma, beijo de cor.
Estalou o seio da rosa,
Descobria o amor.
Fitou o Beija-flor seu amor querido,
Fitou a rosa seu sonhado amor.
E lágrimas, enfim vieram,
Não mais amava o Beija-flor.
VI
Viveu a rosa solitária,
Suas pétalas perdiam a cor,
Seu vermelho virava vinho,
Vinho do amargo amor.
Seu sorriso não mais alegrava,
Seus suspiros não mais existiam.
Chorava, apenas, a rosa
Chorava a desilusão amorosa.
Suas irmãs sofriam sua dor,
Dor de sangue, dor de amigo.
A rosa formosa morria,
Morria por um amor inimigo.
VII
Manhã como todas,
Vinha o sol alegrar o jardim,
Caiam seus raios sobre as flores,
Cantavam seus passaros,
Suas canções de amor.
Mas lá longe, na roseira vermelha,
Chorava uma das suas,
A única rosa não mais desejada,
Pois sua cor era agora,
De vinho amargo,
Não mais do vermelho,
Do amor encantado.
Chorava ela, resignada,
Suas irmãs lhe falavam,
Não as escutava.
VIII
Veio doce o canto,
Canto brando,
Encheu seu seio,
Atraiu sua atenção.
Quem é que canta?
Essa maviosa canção de amargura?
Quem é que a canta?
Perguntou a rosa a suas irmãs,
Nada essas sabiam,
Quem sabe era um Bentivi,
Quem sabe uma ave silvestre.
E toda manhã ouvia a rosa,
Aquele canto de amor amargo,
Amargo como seu sofrer.
IX
Ganhava a rosa cor,
Vermelho de lábio virgem,
Virgem como nosso Deus Apolo,
Virgem como sol em manhã.
O canto estendia-se pelo jardim,
Todas paravam a ouvir,
Choravam sem motivos,
Choravam pelo poeta sem rosto.
X
Surpreendeu-se a rosa,
Agora era a mais formosa.
Porque seria?
Então descobria,
Era por que amava.
E nesse amor sem motivos,
Amor sem compreensão,
Viu-se a rosa a sorrir,
Sorrir só por sorrir,
E desse sorrir, viu-se a encantar,
E a todos fazer amar, amor familiar,
Amor sem sofrer.
Cantou a rosa,
E a todos fez calar.
Cantava venturas,
E o canto cantou junto a si.
De por entre as folhas do Ipê,
Surgiu um pequeno passarinho,
No peito o amor verdadeiro,
Na voz o canto do Rouxinol.
Sorriu-se a rosa ao aproximar-se aquele
A quem amava.
Chegou-se o pequeno Rouxinol,
E junto a si, cantou a rosa:
Sou eu teu poeta,
Sou eu quem canta a ti,
Sou eu quem ama sem motivos,
Só para poder a ti, fazer sorrir.
Era eu quem te amava em silencio,
Quem pedia teu olhar,
Quem sussurrava ao luar.
Sou eu quem sempre aqui vou estar,
A amá-la sem nada querer em troca,
A não ser um mero olhar,
O toque de tuas pétalas,
O sabor de teus lábios.
Pois saiba minha Flor,
Que a ti cantei sonetos,
Em noites de desespero,
E por ti escrevi canções,
E as canto em jardins infelizes.
Sou viajante, sou trovador,
Mas por ti, minha Rosa,
Seria eu um mero poeta.
domingo, 10 de junho de 2007
A ti.
Vem, cai sobre mim, me deixa assim,
Nessa monotonia desgraçada.
Nesse querer sem caminho.
Acorda nesse seio a carne morta,
Me traz em face o sorriso,
Vem, faz-me amar novamente,
Querer teu calor, teu olhar,
Um beijo de amor.
Me deixa sem sentidos,
Sem risos, sem lágrimas,
Só com sorrisos.
E por fim, me canta,
Canta a rosa, rouxinol,
Para que ela te cante,
E para que desse canto renasça,
Em fim,
Algo que um dia por ti, inda senti.
Nessa monotonia desgraçada.
Nesse querer sem caminho.
Acorda nesse seio a carne morta,
Me traz em face o sorriso,
Vem, faz-me amar novamente,
Querer teu calor, teu olhar,
Um beijo de amor.
Me deixa sem sentidos,
Sem risos, sem lágrimas,
Só com sorrisos.
E por fim, me canta,
Canta a rosa, rouxinol,
Para que ela te cante,
E para que desse canto renasça,
Em fim,
Algo que um dia por ti, inda senti.
Poetando... Sem ser poeta!
--Fale-me do amor.
E me sorri. É uma moça simples, simples como moça de bordel, mas sem a baixeza. Sou poeta. E o pedido que me acaba de fazer essa mocinha “culta” é o mesmo que sempre mo fazem os homens ou mulheres os quais topam comigo em esquinas ou cafés lotados. Olham-me com um olhar de quem nunca viu uma estrela no céu negro do deserto e me pedem com os lábios vacilantes: Conta-me sobre o amor.
É assim tão extinto o calor humano que apenas o encontrem, agora, em palavras dum poeta o qual nunca amou na vida?!
Sinto vacilarem-me as palavras nesses lábios sofridos de beijos, fito aquele rostinho de anjo com olhos atormentados de um azul gélido.
--Não sou nenhum Shakspeare, entende...
Ela meche na taça, beberica o vinho, e me sorri, deixando transparecer o quão atormentada está.
Elas vêem a mim em busca desse algo que nada tem de concreto e ao mesmo tempo o tocamos sem sentir. Dizem que o amor nada vale, e choram desesperadas por, almenos, uma gota desse néctar tão doce que Deus em sua mais fina obra de arte batizou com o nome de amor.
Sinto que, apenas em papel e em linguagem lírica, posso eu “manchar” essa obra perfeita, com minha infelicidade e sofrer melancólico, batizá-la de outro nome e poder dizer sem dois caminhos: Sou artista, poeta, e do que falo, falo em certeza.
Sabe ela que, sendo eu homem, por ser poeta, não muito tenho de diferente dos outros? Certo que conheço os sentimentos, que os absorvo, que os choro, que os rio... não deixo de ser um homem, e como homem, posso machucá-la; e como um homem normal, jovem ainda, em uma noite de sexta-feira chuvosa e carente, quero com ela fazer amor e nada mais? Não... nem para fazer amor chego eu a desejá-la, faz-se amor com que se ama...
Faz-me um muxoxo tão adolescente que meus olhos faíscam com sua beleza milenar. Milenar, pois já não via em mulheres traços tão antigos e vivos, aquele pescoço de cor branda, mandíbulas dóceis... Entro quase em um êxtase momentâneo. Que bobo são os poetas, vejo-a duas vezes e já estou a apaixonar-me pelo que dela posso fazer em linhas brancas.
--Tudo bem... digo-lhe eu, vou satisfazer-lhe o desejo, se isso a faz sorrir, pois para ver-te sorrir seria capaz de sentar-me no colo do mais gordo homem desse restaurante e cantar-lhe uma canção de amor.
Ela ri a bom grado e apóia o rosto em suas mãozinhas delicadas onde vê-se brilhar uma aliança pequenina.
Encosto-me na cadeira, remexo o guardanapo, passo os olhos ao redor, deixo que nela caiam embebidos, chego-me para perto, nossos rostos próximos, os olhos dela como as praias da antártica, e os meus dos mesmo castanhos cor de vinho como sempre foram:
--Fala-me do amor... tu me diz... e me pergunto: sou eu digno de falar de algo tão puro, de algo instinto? Sou eu, mero homem, o mais bruto dos brutos, digno de a ti levantar a voz e falar de algo que nunca antes senti? Pois o sou... eu, que dele nunca provei, e por ele apenas clamei em noites de insônia, o sinto, prescinto, e o amo a mais que toda esta raça humana que por Ele é tão amada. Sou eu capaz de sentar-me ao relento e beber do doce da noite; sou eu capaz de sentir em pele as chamas ardentes dum sol esquecido; sou eu capaz de chorar sem sentir, e de sentir sem chorar; sou eu capaz de rir sem motivos por ver sorrir aquele a quem não conheço; sou eu capaz de apaixonar-me por alguém tão fielmente apenas por ouvir sua voz, e desse alguém nunca esquecer-me, mesmo sem nunca ter-lhe os olhos visto; sou eu capaz de da mais triste árvore fazer chorar o mais bruto dos homens; sou eu capaz de levantar ao céu os olhos de quem jamais a ele tocou; sou eu capaz de tingir o horizonte sem que tintas sejam precisas... enfim, sou eu quem cria em ti as sombras daquilo o qual nunca vistes, daquilo o qual nunca sentistes, sou eu quem faz nascer em ti a vontade de senti-lo, aquele querer sem motivos, desejar sem sentidos... Sou eu a causa de, exista a morte ou não, viverem ainda aqueles os quais buscam amargamente do sofrer tão mórbido que chamamos amor.
Pois sim... e sem que nada pudesse eu dizer de concreto sobre o que me pedia, fiz que se derretesse o gelo de seus olhos e seu fruto banhasse a toalha de mesa. Sou um bruto sim, sou um egoísta, de tanto sei que tanto nada digo...
E me sorri. É uma moça simples, simples como moça de bordel, mas sem a baixeza. Sou poeta. E o pedido que me acaba de fazer essa mocinha “culta” é o mesmo que sempre mo fazem os homens ou mulheres os quais topam comigo em esquinas ou cafés lotados. Olham-me com um olhar de quem nunca viu uma estrela no céu negro do deserto e me pedem com os lábios vacilantes: Conta-me sobre o amor.
É assim tão extinto o calor humano que apenas o encontrem, agora, em palavras dum poeta o qual nunca amou na vida?!
Sinto vacilarem-me as palavras nesses lábios sofridos de beijos, fito aquele rostinho de anjo com olhos atormentados de um azul gélido.
--Não sou nenhum Shakspeare, entende...
Ela meche na taça, beberica o vinho, e me sorri, deixando transparecer o quão atormentada está.
Elas vêem a mim em busca desse algo que nada tem de concreto e ao mesmo tempo o tocamos sem sentir. Dizem que o amor nada vale, e choram desesperadas por, almenos, uma gota desse néctar tão doce que Deus em sua mais fina obra de arte batizou com o nome de amor.
Sinto que, apenas em papel e em linguagem lírica, posso eu “manchar” essa obra perfeita, com minha infelicidade e sofrer melancólico, batizá-la de outro nome e poder dizer sem dois caminhos: Sou artista, poeta, e do que falo, falo em certeza.
Sabe ela que, sendo eu homem, por ser poeta, não muito tenho de diferente dos outros? Certo que conheço os sentimentos, que os absorvo, que os choro, que os rio... não deixo de ser um homem, e como homem, posso machucá-la; e como um homem normal, jovem ainda, em uma noite de sexta-feira chuvosa e carente, quero com ela fazer amor e nada mais? Não... nem para fazer amor chego eu a desejá-la, faz-se amor com que se ama...
Faz-me um muxoxo tão adolescente que meus olhos faíscam com sua beleza milenar. Milenar, pois já não via em mulheres traços tão antigos e vivos, aquele pescoço de cor branda, mandíbulas dóceis... Entro quase em um êxtase momentâneo. Que bobo são os poetas, vejo-a duas vezes e já estou a apaixonar-me pelo que dela posso fazer em linhas brancas.
--Tudo bem... digo-lhe eu, vou satisfazer-lhe o desejo, se isso a faz sorrir, pois para ver-te sorrir seria capaz de sentar-me no colo do mais gordo homem desse restaurante e cantar-lhe uma canção de amor.
Ela ri a bom grado e apóia o rosto em suas mãozinhas delicadas onde vê-se brilhar uma aliança pequenina.
Encosto-me na cadeira, remexo o guardanapo, passo os olhos ao redor, deixo que nela caiam embebidos, chego-me para perto, nossos rostos próximos, os olhos dela como as praias da antártica, e os meus dos mesmo castanhos cor de vinho como sempre foram:
--Fala-me do amor... tu me diz... e me pergunto: sou eu digno de falar de algo tão puro, de algo instinto? Sou eu, mero homem, o mais bruto dos brutos, digno de a ti levantar a voz e falar de algo que nunca antes senti? Pois o sou... eu, que dele nunca provei, e por ele apenas clamei em noites de insônia, o sinto, prescinto, e o amo a mais que toda esta raça humana que por Ele é tão amada. Sou eu capaz de sentar-me ao relento e beber do doce da noite; sou eu capaz de sentir em pele as chamas ardentes dum sol esquecido; sou eu capaz de chorar sem sentir, e de sentir sem chorar; sou eu capaz de rir sem motivos por ver sorrir aquele a quem não conheço; sou eu capaz de apaixonar-me por alguém tão fielmente apenas por ouvir sua voz, e desse alguém nunca esquecer-me, mesmo sem nunca ter-lhe os olhos visto; sou eu capaz de da mais triste árvore fazer chorar o mais bruto dos homens; sou eu capaz de levantar ao céu os olhos de quem jamais a ele tocou; sou eu capaz de tingir o horizonte sem que tintas sejam precisas... enfim, sou eu quem cria em ti as sombras daquilo o qual nunca vistes, daquilo o qual nunca sentistes, sou eu quem faz nascer em ti a vontade de senti-lo, aquele querer sem motivos, desejar sem sentidos... Sou eu a causa de, exista a morte ou não, viverem ainda aqueles os quais buscam amargamente do sofrer tão mórbido que chamamos amor.
Pois sim... e sem que nada pudesse eu dizer de concreto sobre o que me pedia, fiz que se derretesse o gelo de seus olhos e seu fruto banhasse a toalha de mesa. Sou um bruto sim, sou um egoísta, de tanto sei que tanto nada digo...
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