quinta-feira, 21 de junho de 2007



Tudo fica maluco às vezes. Acho que agente para de fazer sentido... Ou é o mundo que para.
Mas no fim só pode ser um dos dois.
De tarde é mais fácil deixar que me entre a melancolia com aquele cheiro de chuva que tem Paulo Afonso dia sim dia não.
O sol vai se pondo, demora um pouco, é a parte do dia que mais combina comigo, quando o sol tinge a cidade com raios um tanto roseas.
E tudo fica lânguido, é como se o mundo parasse para que você pudesse ver o sol despedir-se dos pássaros.
Não sei a hora exata, nunca sei nada a ver com a hora, deixa ela correr, quem se importa...
Perder-se por dentro de mim mesma me é tão fácil, meu coração é fundo como um poço sem fim, talvez por isso me perca tanto, e por fim o coitado ainda é confuso.
Quer amar, mas não quer, tem medo, medo de sofrer não é, deve ser medo de sentir-se rebaixado. E que lá tem isso a ver com o amor.
Esqueçâ-mos do amor.
Me apoio na janela pequenina, de lá o mundo não me vê, só eu o vejo, para desejá-lo em silêncio, e suspirar por achá-lo injusto, e mesmo assim, tão belo.
Quando o céu fica verde já a cidade não mais me agrada, é como se ficasse suja, céu esverdeado dá-me nos nervos, não sei o motivo, e quem lá quer saber...
E quem sabe quando se mostre a lua em sua total posição no céu, tenha eu gosto de voltar à janela, enamorar-me das estrelas, e pedir a elas trégua por nossa guerra de céu e terra.
E se passam assim quase todos os dias, eu entre suspiros de menina e lágrimas de mulher.

...AMOR...

Amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor.

Ow palavra que vicia! E eu corro para minha janela ^^.

terça-feira, 19 de junho de 2007

...

já encontrava-me eu em minha insônia, quando tinha a lua por estender-se em seu céu negro, véu da viúva branda, mau amada, e lhe são as lágrimas as pequeninas estrelas; por mais que meus olhos por ti caíssem, era-me um sonho inesquecível, ver-te assim tão bela, no prata de tua morte; fostes minha única amante, em menino, jovem e adulto; em verdade amei só a ti, a única a qual não podia possuir...
Bem... faz pouco tempo que o deixei ir completamente, alguns podem reconhecer o quanto para mim é difícil deixar de amar alguém, ou outros esquecem de um amor tão facilmente que... parece até que nunca amaram... ou se quer gostaram...
Mas fui eu a culpada, eu que o deixei, fiz o que era preciso, disse-me um amigo: não é ele que não é para você, você que não é para ele. ^^

Vlw moço ^^,

Sei que poço muito mais do que alguém como ele, não me gabo, pelo contrario, culpo esse coração estúpido que amo tanto!
E agora finalmente posso te dizer: Adio!
Foi uma boa aventura, valeu ótimas lembranças, e umas bastantes complexas, tinha muito nele que eu não aprovava, como viver um relacionamento deste jeito?
... E agora falo como uma adulta...
Mas bem, digo novamente: Adio!!!!

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Ando tendo muitos Déjà vu’s ultimamente, tantos que as vezes adivinho o que alguém estava para me dizer... É uma sensação estranha, essa de se estar vivendo em sonho... e uma conhecida minha ainda me vem e diz: você n tem medo?
¬¬
Ora! Medo de que! Não é que eu vá morrer ou algo do gênero, e mesmo assim, pra que temer a morte?!
^^

Pois bem meus visitantes, sejam bonzinhos comigo... É a primeira vez que faço algo do gênero... Falo de mim assim tão abertamente, para amigos, familiares, e estranhos até...
E por incrível que apreça é um tanto simples...
Um abraço aqueles que realmente prestam atenção ao que uma louca tem a dizer...

É-lhe um amor impossível, e assim faz apenas ignorá-lo...

Espera... Não é Elena ali na esquina?
Pois ora... Magnífica Elena, é uma bela mulher, mas lhe aconselho meu caro leitor, que dela não se aproxime, é a mim em corpo feminino, uma destruidora de sonhos, te fará amar e odiar, te fará com que não a esqueças nunca...
Ora minha doce Elena... Que aprontas tu em tuas paginas? Tanto quis eu fazer parte delas, mas não me deixa, somos por demais parecidos. Nos suprimos apenas de palavras bonitas ditas um pelo outro, e do calor de um abraço...
Mas de teus lábios inda hei de provar, minha querida, irás ver...
E subitamente me tomo em raiva, torna-me poeta sem se quer dar-me um olhar...
Escondo-me para que não me veja, pareço um tolo, aqui recostado nesse poste com olhares contempladores a uma amiga tão querida.
Busco nos bolsos um papel sequer, uma caneta, não tenho absolutamente nada... E ela ainda ali, em pé de frente a floricultura, nada parece realmente acontecer-lhe, tem um de seus olhares inexistentes.
Veste-se feito um homem, roupas sempre escuras, talvez queira esconder a beleza que lhe foi dada tão generosamente. Mas lhe é impossível. Deixo meus olhos se banharem nesse céu brasileiro, tão exuberante, tão vivo, como só o é aqui, nessa terra sem mãe.
Por um segundo alguém me sussurra algo, volto os olhos para minha frente e me deparo com seus olhos castanhos sempre tão sedutores.
-Que fazes tu por aqui meu doce amante?
Me dizia ela, enquanto tentava arrancar de seus olhos o verdadeiro significado de chamar-me de seu amante, mesmo já sabendo eu que lhe era pura brincadeira, iludir-me com suas brincadeiras lhe é tão fácil.
Ela se aproxima de mim, e em sussurros me diz ao ouvido:
-Sou tua... Completamente tua... Pois se em teu peito agora bate meu coração, o teu bate em meu seio, nada mais podemos fazer a não ser amarmos mutuamente sem medo do sofrer...
Dá um de seus mais orgulhosos sorrisos e numa voz animada:
-Gostou? Me veio agora... Por isso gosto de passeios sem sentido, acabo de criar metade do fim de minha historia!
Me pega pelo braço e me pergunta as novidades. Para ela é tudo tão fácil... Quem sabe seja melhor assim, amar somente em palavras dum livro, enquanto lhe supro os carinhos tão precisos sem nada pedir em troca...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

É-se fácil viver, difícil é atar-se a seus problemas.

É um restaurante de segunda, mas é um bom restaurante. Sempre nos encontramos aqui quando ele tem por voltar á cidade. Está já meia hora atrasado, sempre foi assim, nunca pontual.
Nos conhecemos a mais ou menos 3 á 4 anos, era eu um aspirante e ele um veterano. Ele sempre se queixando da falta de inspiração e eu de minhas poucas palavras. Me critica a toda força e demonstra inveja pela minha facilidade de escrita, mas no fundo sabe que sua demora por ter o que escrever o compensa, pois me supera a cada palavra, e é ai que eu lhe substituo papel e passo a ser o invejoso.
Senta-se em minha frente sem dar palavra, com seus ares de ignorante, e seu corpo fora do peso. Olha para as pessoas ao redor e quando nota meu sorriso sarcástico faz um barulho com a língua nos dentes e diz:
-Não me venha com teus bons humores de jovem, Diego, estou passado!
Sorrio-lhe caridoso por seja lá quais forem suas dores de consciência de gente velha.
-E como vão os meninos?
Puxo para junto de mim a xícara de café que me traz a garçonete, e ele me responde enquanto observa as suas belas curvas femininas:
-Estão ótimos... Aline arranjou um namorado novo... Tanto pedi eu a Deus que me desse apenas homens.
Rio a bom grado dessa sua “desgraça”, ele me olha irônico:
-Inda irás sofrer com isso Diego, podes apostar!
E ri-se finalmente.
Fito-lhe com o canto dos olhos, para que não perceba que lhe decoro os pensamentos e as maneiras, finjo brincar com o guardanapo enquanto lhe traço o primeiro fio de sua personalidade. Parece-me um segurança aposentado...
-Não me faças um dos teus personagens mórbidos, meu caro, estou bem como estou.
É-me engraçado pensar que já reconhece quando traço o perfil de meus personagens “mórbidos” como diz ele.
-Acho que Clarissa anda a me trair...
O fito espantado, esta recostado na cadeira a palitar os dentes amarelos do fumo.
-Não seja bobo, Clarissa não te trairias, são tuas paranóias de escritor, fazemos muito caso do pouco...
-Não te faças de imbecil Diego! Não achas que não conheço minha própria mulher?!
Calo-me enquanto busco nos bolsos da jaqueta a sombra de algum cigarro perdido.
-... Anda-me com poucas palavras... Chega tarde em casa e não me dá palavra...
Me dá um de seus cigarros baratos, o acende, agradeço.
-São coisas de casais, meu amigo, verá que é apenas uma fase.
Ele se remexe na cadeira de cenho franzido:
-Que seja...
Nunca traí apesar de ter uma imensa curiosidade de saber como me sentiria sendo um traidor. Machuco as mulheres em seus mais finos sentimentos, brinco com elas por diversão, e elas brincam comigo, coisa de criança, viver um atrás do outro em malícias inocentes.
Nem nunca fui traído. Acho eu...
Saber pelo que passa tão querido amigo meu é um tanto... Forçado, podemos dizer... Ou ser-me-á fácil?
-Já não escrevo faz-se uns 6 meses... Estou passado, Diego, ando em desgosto atrás de outro, é-me Clarissa e essa minha duvida, é-me Aline e aquele vagabundo que se diz um bom advogado... E meu mais novo, que agora quer seguir essa carreira desgraçada de jornalista... Nem tempo de olhar as estrelas tenho eu.
E enquanto me fala ele de seus problemas paro para pensar que nunca o imaginei o tipo de homem que sequer olha as estrelas. Acho que nem eu pareço esse tipo de homem... Que para horas em frente ao céu pensando em nada...
Não entremos em poesia.
Levanta-se e pega seu casaco. Passou uns 4 minutos enquanto lhe traçava um novo perfil, quatro minutos calado a fitar a grande Rio de Janeiro bela e animada.
-Tenho de ir-me, combinei de encontrar-me com Elena ainda hoje, sabes como ela é, não gosta de atrasos... Falando em Elena, tu andas a vê-la estes tempos? Acho que anda a esconder-me um bom romance...
-Não a vejo a um bom tempo...
Abaixo os olhos, minto, a vi ontem de noite, adormeceu ao meu lado enquanto lhe recitava um soneto do grande Álvares de Azevedo.
-Bem... Tentarei arrancar-lhe algo hoje. Encontremos-nos ainda um dia desses, sim meu amigo?
E vai-se sem meu adeus.
Escritores não precisam de palavras doces, descobrem a si mesmos, eles próprios se consolam... Diga-nos algo para que não nos lamentemos e te olharemos com um olhar superior. Somos animais estranhos, melhor deixar-nos em nosso canto, em nossos pensamentos...

domingo, 17 de junho de 2007

Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude

Começo a achar-me um tolo, e sem duvida o sou. Falo, pois é-me um sacrifício muito grande deixar que se vá alguém que um dia amou-me.
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...

sábado, 16 de junho de 2007

Inspiração do poeta, quem sabe...

São exatamente três da madrugada. Encontro-me acordado sentado em minha cama, ao meu lado dorme a mulher que amo, a única que amei, quem sabe...
É-me assim todos os dias, acordo as três da madrugada como que para ouvir teus passos ausentes pelo corredor vazio.
Faz-me com que me levante, saia do lado daquela a quem amo, caminhe até a janela e beba da noite antes minha tão querida!
Lembrar-me de que por dias me fizestes sofrer das mais incríveis dores do peito, me fazias chorar sem motivos... E te perder é-me tão estranho... Se na felicidade não me sinto completo.
Antes tu, que a mim dava motivos a morte e sentidos a vida, á alegria que a morte deixa o medo e a vida sem sentidos.
Vejo a tentar esquecer a ti enquanto escrevo inconscientemente nesta folha de papel, o teu nome.
Ando em círculos por entre o nosso passado, o meu passado, meus sonhos e desejos de 15, 25 anos de idade... Era-me tão importante, tão precisa... E agora, aos meus 45, me encontro em vida fútil, a vida que antes temia... É certo que amo, mas esse amor me supre as crenças do passado?
Melhor estar contigo em sombras de um amor tão doce, a viver ao lado desse numa realidade sem ternura.
Abandonei a ti quando mais te precisavas.
Por sorte ainda te sinto, te respiro, te ouço... Eras meus sonhos de 15 anos, meus viveres de 25.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Rouxinol e a Rosa.

I

Nasceu da mais bela roseira
Num desses jardins brasileiros
De cores estonteantes,
E fragrâncias voluptuosas.
Chamava-se flor, filha da rosa,
Mas em nome completo era
A rosa vermelha.
Tinha o encanto da moça faceira,
E o recato da recente esposa.
Suas sépalas de verde vivo,
Suas pétalas de vermelho sangue.
Era virgem em canto,
Era virgem em seio,
Sonhava com encantos,
Sonhava com amor.

II

Nascera num dos galhos do Ipê,
Num ninho de amor,
Tinha nas azas o alado do pegaso,
E em lábios o beijo de flor,
Era pássaro pequeno,
Era menino travesso,
Nas penas o verde brilhante,
Nos olhos o negro vivente.
Não era virgem de lábios,
Não era virgem de amor,
Amava a todas e a tudo,
Tinha a flora em amor.

III

Caia o sol das colinas,
Brilhava a grama de orvalho,
Bocejavam as flores meninas,
Acordava o cravo solitário,
Ganhava tons vivos o jardim,
Cantava o pássaro amante,
Cantavam as águas do arroio.
De lado a lado flores vibrantes,
Orquídeas formosas,
E ervas perfumadas.
Sonhava a Flor em seu caule,
Reclinada sobre suas,
Folhas verdejantes;
Sonhava num amor verdadeiro,
Sonhava com uns olhos negros.
IV

Ia sem rumo o Beija-flor,
Ia, mas ia cansado,
Cansado desse vagar,
Cansado de amor sem amar.
Via as rosas, mas nada fazia,
Seus lábios beijos não dariam,
Suas flores, amores, não ganhariam.
Iam monótonos seus olhos negros,
Pelas flores derramar desejos,
E por entre a roseira mais vibrante,
Viu ele a Flor envolta em doces suspiros.
Viu-a e amou-a,
Amou-a em seu castigo,
A quis sem motivos,
Tremiam seus lábios,
Vacilava seu seio.

V

Chegou-se deslumbrante,
O seio vibrante, seio de mancebo,
E sem perceber-se a rosa,
Tocaram seus lábios virgens,
Os lábios do cavalheiro,
Beijo de alma, beijo de cor.
Estalou o seio da rosa,
Descobria o amor.
Fitou o Beija-flor seu amor querido,
Fitou a rosa seu sonhado amor.
E lágrimas, enfim vieram,
Não mais amava o Beija-flor.

VI

Viveu a rosa solitária,
Suas pétalas perdiam a cor,
Seu vermelho virava vinho,
Vinho do amargo amor.
Seu sorriso não mais alegrava,
Seus suspiros não mais existiam.
Chorava, apenas, a rosa
Chorava a desilusão amorosa.
Suas irmãs sofriam sua dor,
Dor de sangue, dor de amigo.
A rosa formosa morria,
Morria por um amor inimigo.

VII
Manhã como todas,
Vinha o sol alegrar o jardim,
Caiam seus raios sobre as flores,
Cantavam seus passaros,
Suas canções de amor.
Mas lá longe, na roseira vermelha,
Chorava uma das suas,
A única rosa não mais desejada,
Pois sua cor era agora,
De vinho amargo,
Não mais do vermelho,
Do amor encantado.
Chorava ela, resignada,
Suas irmãs lhe falavam,
Não as escutava.

VIII

Veio doce o canto,
Canto brando,
Encheu seu seio,
Atraiu sua atenção.
Quem é que canta?
Essa maviosa canção de amargura?
Quem é que a canta?
Perguntou a rosa a suas irmãs,
Nada essas sabiam,
Quem sabe era um Bentivi,
Quem sabe uma ave silvestre.
E toda manhã ouvia a rosa,
Aquele canto de amor amargo,
Amargo como seu sofrer.

IX

Ganhava a rosa cor,
Vermelho de lábio virgem,
Virgem como nosso Deus Apolo,
Virgem como sol em manhã.
O canto estendia-se pelo jardim,
Todas paravam a ouvir,
Choravam sem motivos,
Choravam pelo poeta sem rosto.

X

Surpreendeu-se a rosa,
Agora era a mais formosa.
Porque seria?
Então descobria,
Era por que amava.
E nesse amor sem motivos,
Amor sem compreensão,
Viu-se a rosa a sorrir,
Sorrir só por sorrir,
E desse sorrir, viu-se a encantar,
E a todos fazer amar, amor familiar,
Amor sem sofrer.
Cantou a rosa,
E a todos fez calar.
Cantava venturas,
E o canto cantou junto a si.
De por entre as folhas do Ipê,
Surgiu um pequeno passarinho,
No peito o amor verdadeiro,
Na voz o canto do Rouxinol.
Sorriu-se a rosa ao aproximar-se aquele
A quem amava.
Chegou-se o pequeno Rouxinol,
E junto a si, cantou a rosa:
Sou eu teu poeta,
Sou eu quem canta a ti,
Sou eu quem ama sem motivos,
Só para poder a ti, fazer sorrir.
Era eu quem te amava em silencio,
Quem pedia teu olhar,
Quem sussurrava ao luar.
Sou eu quem sempre aqui vou estar,
A amá-la sem nada querer em troca,
A não ser um mero olhar,
O toque de tuas pétalas,
O sabor de teus lábios.
Pois saiba minha Flor,
Que a ti cantei sonetos,
Em noites de desespero,
E por ti escrevi canções,
E as canto em jardins infelizes.
Sou viajante, sou trovador,
Mas por ti, minha Rosa,
Seria eu um mero poeta.

domingo, 10 de junho de 2007

A ti.

Vem, cai sobre mim, me deixa assim,
Nessa monotonia desgraçada.
Nesse querer sem caminho.
Acorda nesse seio a carne morta,
Me traz em face o sorriso,

Vem, faz-me amar novamente,
Querer teu calor, teu olhar,
Um beijo de amor.
Me deixa sem sentidos,
Sem risos, sem lágrimas,
Só com sorrisos.

E por fim, me canta,
Canta a rosa, rouxinol,
Para que ela te cante,
E para que desse canto renasça,
Em fim,
Algo que um dia por ti, inda senti.

Poetando... Sem ser poeta!

--Fale-me do amor.
E me sorri. É uma moça simples, simples como moça de bordel, mas sem a baixeza. Sou poeta. E o pedido que me acaba de fazer essa mocinha “culta” é o mesmo que sempre mo fazem os homens ou mulheres os quais topam comigo em esquinas ou cafés lotados. Olham-me com um olhar de quem nunca viu uma estrela no céu negro do deserto e me pedem com os lábios vacilantes: Conta-me sobre o amor.
É assim tão extinto o calor humano que apenas o encontrem, agora, em palavras dum poeta o qual nunca amou na vida?!
Sinto vacilarem-me as palavras nesses lábios sofridos de beijos, fito aquele rostinho de anjo com olhos atormentados de um azul gélido.
--Não sou nenhum Shakspeare, entende...
Ela meche na taça, beberica o vinho, e me sorri, deixando transparecer o quão atormentada está.
Elas vêem a mim em busca desse algo que nada tem de concreto e ao mesmo tempo o tocamos sem sentir. Dizem que o amor nada vale, e choram desesperadas por, almenos, uma gota desse néctar tão doce que Deus em sua mais fina obra de arte batizou com o nome de amor.
Sinto que, apenas em papel e em linguagem lírica, posso eu “manchar” essa obra perfeita, com minha infelicidade e sofrer melancólico, batizá-la de outro nome e poder dizer sem dois caminhos: Sou artista, poeta, e do que falo, falo em certeza.
Sabe ela que, sendo eu homem, por ser poeta, não muito tenho de diferente dos outros? Certo que conheço os sentimentos, que os absorvo, que os choro, que os rio... não deixo de ser um homem, e como homem, posso machucá-la; e como um homem normal, jovem ainda, em uma noite de sexta-feira chuvosa e carente, quero com ela fazer amor e nada mais? Não... nem para fazer amor chego eu a desejá-la, faz-se amor com que se ama...
Faz-me um muxoxo tão adolescente que meus olhos faíscam com sua beleza milenar. Milenar, pois já não via em mulheres traços tão antigos e vivos, aquele pescoço de cor branda, mandíbulas dóceis... Entro quase em um êxtase momentâneo. Que bobo são os poetas, vejo-a duas vezes e já estou a apaixonar-me pelo que dela posso fazer em linhas brancas.
--Tudo bem... digo-lhe eu, vou satisfazer-lhe o desejo, se isso a faz sorrir, pois para ver-te sorrir seria capaz de sentar-me no colo do mais gordo homem desse restaurante e cantar-lhe uma canção de amor.
Ela ri a bom grado e apóia o rosto em suas mãozinhas delicadas onde vê-se brilhar uma aliança pequenina.
Encosto-me na cadeira, remexo o guardanapo, passo os olhos ao redor, deixo que nela caiam embebidos, chego-me para perto, nossos rostos próximos, os olhos dela como as praias da antártica, e os meus dos mesmo castanhos cor de vinho como sempre foram:
--Fala-me do amor... tu me diz... e me pergunto: sou eu digno de falar de algo tão puro, de algo instinto? Sou eu, mero homem, o mais bruto dos brutos, digno de a ti levantar a voz e falar de algo que nunca antes senti? Pois o sou... eu, que dele nunca provei, e por ele apenas clamei em noites de insônia, o sinto, prescinto, e o amo a mais que toda esta raça humana que por Ele é tão amada. Sou eu capaz de sentar-me ao relento e beber do doce da noite; sou eu capaz de sentir em pele as chamas ardentes dum sol esquecido; sou eu capaz de chorar sem sentir, e de sentir sem chorar; sou eu capaz de rir sem motivos por ver sorrir aquele a quem não conheço; sou eu capaz de apaixonar-me por alguém tão fielmente apenas por ouvir sua voz, e desse alguém nunca esquecer-me, mesmo sem nunca ter-lhe os olhos visto; sou eu capaz de da mais triste árvore fazer chorar o mais bruto dos homens; sou eu capaz de levantar ao céu os olhos de quem jamais a ele tocou; sou eu capaz de tingir o horizonte sem que tintas sejam precisas... enfim, sou eu quem cria em ti as sombras daquilo o qual nunca vistes, daquilo o qual nunca sentistes, sou eu quem faz nascer em ti a vontade de senti-lo, aquele querer sem motivos, desejar sem sentidos... Sou eu a causa de, exista a morte ou não, viverem ainda aqueles os quais buscam amargamente do sofrer tão mórbido que chamamos amor.
Pois sim... e sem que nada pudesse eu dizer de concreto sobre o que me pedia, fiz que se derretesse o gelo de seus olhos e seu fruto banhasse a toalha de mesa. Sou um bruto sim, sou um egoísta, de tanto sei que tanto nada digo...