Nossa historia começa num tempo breve e independente, de reis e rainhas, onde nos campos vivia ela, aquela de quem a historia lhes contarei, a qual o nome se dera Anthea pois bela era, como os jardins da antiga Grécia na primavera esperada.
Nos cabelos tinha o alaranjado da jasmim, nos lábios o vermelho da rosa, na pele o rósea da flor-de-cerejeira, e os olhos lhe eram azuis como a mais clara das orquídeas azuladas.
Feliz era Anthea, já menina, quando pela primeira vez o amor lhe brotou em seio. Era jovem como o céu de verão e verdejante como os campos em que corria ao lado de seu amado.
Não sabia aquele o qual por nome era chamado Athos, que lhe tinha amor a gentil amiga.
A muito se conheciam e a muito brincavam juntos por debaixo das macieiras.
Primavera era, quando ainda corriam os dois jovens pelo campo florido, inocentes do acontecido, da chegada daquela dita a mais bela das belas filhas de Basileu.
Deram-se a correr a encontro daquela que o seu Tio lhe trazia a apresentar como prima. Anthea a visou em primeiro, admirada, era real a beleza daquela prima de Athos? Lembrava as seguidoras de Afrodite, que até ali eram o seu exemplo de beleza.
Procurou então os olhos de Athos para ver-lhe o quão a achara bonita, caíram-se sobre eles risonhos para deles desviarem entristecidos.
Olhavam os olhos dele a sua prima como a ela nunca olharam, olhos bobos, apaixonados.
Infeliz ficou a pobre Anthea, não mais seu fiel amigo com ela pelos campos corria, não mais com ela brincava por debaixo das macieiras, pois sua atenção agora voltada era, aquela a qual chamava-se Acácia.
Foi perto do fim do inverno quando soube nossa menina do casamento de seu jovem amado com sua prima Acácia.
Se ia o sol para dar lugar a lua, sozinha chorava Anthea, numa colina recostada ao tronco da mais velha macieira das terras de seu pai Galén.
Sussurros ouviu, e assustada levantou-se precipitada. Deu-se com uma bela serpente esverdeada mas dum verde tão claro e puro que maravilhada ficou a fita-la.
-Porque choras doce menina?
Perguntou-lhe a víbora.
-Ó senhora Serpente, choro por desamor a mim mesma, choro, pois não pude eu ter o amor ou sequer olhar daquele a quem tanto amo!
-Mas como se pode tal, criança, pois de tuas lágrimas pressinto o puro, e de tua pele se exala a beleza como das flores a flagrância.
-Sei apenas, senhora, que dele nunca um olhar sequer eu tive, e carinhos dele os recebi como dum irmão, fez-me amá-lo sem saber, e agora que chegou-se prima sua á de casar-se com ela e a mim deixar a morte, pois sem seu coração á o meu de perecer de encontro ao chão!
-Animo criança! Quando há de casar-se teu amado?
-Três dias após o inicio da primavera!
-Ora, menina, teu amado chama-se Athor filho de Glicério dono dos vinhedos?
-Ó sim... É esse o nome que leva o ladrão de meu amor!
-Fui para sua festa de noivado convidada, durará essa três dias e três noites, os três primeiros dias da mais feliz estação do ano para ao casal dar sorte e prosperidade, festejarão em nome de Baco e Afrodite.
-E assim será minha tristeza mais forte ainda, pois a ele verei em braços dela.
-Animo menina! Temos tempo ainda! Veja o que faremos: No primeiro dia, quando a lua vir a aparecer sorrateira nesse céu de Zeus, tu subirás a essa colina novamente e aqui estando pedirá com carinho á duas dessas belas estrelas seu brilho, para que a ele possa usar como brinco. Feito isso teu amado á de olhar-te sem falta, pois eu mesma usei desse para casar-me com a serpente com quem hoje vivo!
-Como hei de agradecer-te senhora bondosa?
-Agradecimentos não preciso de ti quero apenas aquela maçã lá no alto, a mais vermelha de todas.
Anthea subiu no galho da macieira e de lá tirou a maçã pedida, a entregando a serpente amiga, e dela despedindo-se com um beijo agradecida.
Não reparou Anthea ao virar-se, tão feliz estava, que a serpente agora era uma mulher tão bela que da lua arrancou suspiros apaixonados e dos grilos um canto enamorado.
Chegou-se o primeiro dia da primavera, e junto a esse o primeiro dia de festa. Ao cair da noite subiu Anthea a colina, e lá sentou-se cantando baixinho uma cantiga que a tanto preparara ela:
-Ó estrelas belas
Que a mim tamanha
esperança trouxeram,
Teu brilho antes por
Mim usado,
Os olhares de meu amado
Fará que a mim retornem!
Ó estrelas cintilantes,
Emprestem-me
Tua ilustre cintilação
Para que assim,
Possa eu amar e
Finalmente ser amada!
Duas estrelas a ela desceram encantadas, e postaram-se cada uma numa orelha. Feito isso desceu Anthea a colina em caminho da festa.
Lá chegando quantos olhares não recebeu! De admiração á inveja! Encaminhou-se á mesa dos noivos para os parabéns a eles dar.
-Felicito os dois com tamanha alegria por uma união tão verdadeira.
Acácia fitou-a com um mero desdém, e Athos, seus olhos sobre ela nem decaíram, tão absorto estava a fitar Acácia sua noiva amada.
Saiu-se dali a pobre Anthea, chorando-se pelo desprezo recebido. Seu coração condoia-se fortemente, e a si desprezava ainda mais por como a Acácia não ser tão bela!
Meteu-se ela pelo jardim da casa, em meio às rosas, o canto da cigarra a fez parar de chorar, sentou-se ali quieta a ouvir canção tão bela.
-Porque tanto choravas menina?
Disse a voz rouca da velha cigarra.
-Chorava eu por não ser bela!
-Que dizes criança, olha para mim, sou velha já, e beleza nunca possui. Tu pelo contrario, a tem em abundancia, e ainda assim te choras, que tamanha ingratidão!
-Peço-lhe desculpas, senhora cigarra, não choro em total por isso, choro por não ser formosa o bastante para daquele a quem amo um único olhar brando não poder conquistar.
-Pois bobo é aquele a quem tu amas por a ti não amar. És tu a formosura em corpo humano como é a rosa em vegetal. Esqueça tal humano menina, atenção aqueles a quem não nos quer não devemos voltar.
-Ora minha senhora, quem sou eu para o coração comandar? Se o amo, o amo por não ter escolha, se por ele choro, choro por a mim fazer feliz e triste ao mesmo tempo! E agora vai ele casar-se com Acácia sua prima, que tamanha formosura a tem que até os olhares de irmão que dele possuía não os possuo mais!
-Olha, quem diria! É teu amado Athos, filho de Libânia?
-Sim, é esse o nome daquele que tanta infelicidade devo!
-Pois tens tempo ainda! Animo menina! Dele ainda um olhar há de ter, nem que seu ultimo seja!
-Mal a não lhe desejo, melhor vivo a amá-lo que morto a lamentá-lo!
-Mal a ele não faremos. Ouça-me menina, se amas tanto a esse humano pecador, ao cair da noite do segundo dia encaminha-te a praia, e lá pede com carinho as ninfas para te emprestarem sua coroa! Com ela tu hás de chamar o olhar daquele a quem tanto amas!
-Como hei de te agradecer, sábia Cigarra?
De ti não quero agradecimentos, vê ali aquela orquídea branca? Me trás ela, assim estaremos quites.
Correu Anthea até o tronco da velha arvore e de lá tirou a bela orquídea entregando-a a cigarra e dessa se despedindo com um beijo agradecido.
Tão feliz estava com a nova esperança que não reparou que era agora a cigarra era mulher, a mesma que da lua arrancara suspiros e dos grilos um canto enamorado.
Veio o segundo dia da primavera, e com ele o segundo dia de festa.
Pôs Anthea os seus brincos do brilho das estrelas e encaminhou-se para o mar, lá chegando sentou-se de frente ás ondas e seus versos começou a cantar:
-Ó ninfas de Netuno,
Quão tamanha formosura
Possuem! Quão doce é o
Teu olhar simplório!
Peço-lhes com carinho,
Admiráveis senhoritas,
Que a mim sua coroa
Emprestem, para que
Assim o olhar daquele
A quem amo a mim mais
Uma vez seja voltado!
Saiu-se das águas uma das filhas de Netuno, a pele azulada e brilhante aos raios da lua chamaram e aos peixes ali presentes uma dança inspiraram.
De sua cabeça a coroa prateada ela tirou, rica como os oceanos de seu pai, e a pôs sobre a cabeça de Anthea que beijou-lhe as faces de tão admirada.
Chegando a festa quantos olhares a ela não eram mandados! Era dali, de longe, a mais bela, chegou-se ela á seu amado, e sua mão estendeu para ser beijada.
-Grande amigo! Não sabes o quão feliz estou em ver-te!
Beijou-lhe Athos a mão mimosa, e com um simples sorriso deixou-a só, Acácia vinha-lhe ao encontro embirrada com alguma coisa.
Agüentou-se por alguns minutos nossa Anthea, até que as lágrimas não mais conseguiu guardar, correu-se até a casa e lá pôs-se a chorar.
Um ronronar mimoso a fez parar e curiosa a vista erguer. Desfilava-se a sua frente uma gata branca como as nuvens em céu de verão.
-Porque chorar jovem menina?
-Ó senhora gata, choro por amar e não ser amada!
-Como se pode isso? Tão bela e formosa és! Cego é aquele que diz tu amar!
-Antes cego fosse! Para assim amar a mim e não a outra! Vê, senhora gata, antes tinha ele olhos para mim, agora só tem olhos a ela, sua prima e noiva, Acácia!
-Ora, não digas que aquele a quem amas é Athos irmão de Leon e Libânio?
-Pois se não é esse aquele o qual meu coração acordou para o amor!
-Animo, criança! Ainda tens tempo! Farás o seguinte se lhe queres um olhar: Ao cair da noite do terceiro dia, debruça-te nessa mesma varanda, aqui defronte ao jardim, e á lua, com carinho, pedes emprestado o vestido que usou ela em seu noivado com Apolo, deus do sol.
-Como posso agradecer a ti, querida senhora?
-De ti não quero agradecimentos, vê aquele ninho pequenino? Traz-me um daqueles ovos e estaremos quites.
Anthea debruçou-se mais ainda na varanda e buscou um dos pequeninos ovos de beija-flor, entregou-o á gata e beijou-lhe o pelo sedoso em agradecimento.
Ao cair do terceiro dia de primavera, veio junto o terceiro dia de festa.
Nossa menina pôs os brincos nas orelhas a coroa na cabeça e dirigiu-se a varanda defronte ao jardim.Debruçando-se a ela cantou seus versos:
-Ó prateada lua, que
Ilumina a noite desalmada,
Ajuda-me lua, querida
Faz com que meu amor
Possa eu conquistar,
Empresta-me teu vestido,
Aquele o qual as núpcias festejou,
Para que assim, possa eu sorrir!
Desceu do céu a lua imperiosa e á Anthea entregou seu vestido, despedindo-se com um aceno de rainha cuidadosa.
Vestiu-se Anthea e encaminhou-se á festa. Ao ali chegar, todos os presentes bestificados ficaram com tamanha beleza aquela da menina de Galén. Era Anthea as estrelas do céu, as ninfas do mar e a luz do luar.
Chegou-se ela a Athos, seu amado, e a seu lado estando disse-lhe baixinho:
-De ti vim me despedir, tanto amor a ti mantive que agora cansasse o coração, queria de ti apenas um ultimo olhar de atenção.
Acácia, que desde que ali era chegada invejara a beleza de Anthea, sussurrou a seu ouvido:
-Boba és, criança, pois se não vê que ele ama a mim, e ainda te enches de esperanças deixe que com elas finde: não te olhará ele, pois á mim ama mais que a si mesmo, seu amor por mim o deixou cego!
Pobre de nossa Anthea, seu sôfrego seio estalou num soluço. Quanto sofria agora a formosa menina! Seu coração morria-se aos poucos, afastou-se dali quase a cair e sentou-se perto de uma roseira branca na grama fresca de orvalho e pôs-se a lamentar seu coração sofrido.
-Porque choras formosa Anthea?
Era Athos que dali aproximara-se em silencio.
-Ó, se almenos tu soubesses...
-Pois conta-me.
Ajoelhou-se ao lado dela.
Anthea lhe contou toda a história, enquanto ele a fitava admirado.
-Vê agora o quanto o amo, quanto sacrifício foi-me feito para de ti arrancar um mero olhar?
Sorriu-se Athos.
-Ora, não vê tu, meu amor, que tanto não era preciso, que meu amor já é infinito, que meu olhar em ti não caia para não sofrer, pois achava eu que amor a mim não tinha? Olha, meu anjo, das estrelas já tens o brilho em teus olhos – Tirou-lhe os brincos das orelhas com carinho e os enviou ás estrelas – das ninfas já tens a singularidade da beleza – tirou-lhe a coroa e a pôs de lado – e da lua, querida Anthea, possui tu o brilho que até a mais densa noite é capaz de clarear.
Anthea chorou-se.
-Porque ainda choras meu amor?
-Choro de felicidade, pois agora posso eu dizer que te amo como nunca antes amei!
Ele lhe cingiu a cintura e a trouxe para junto de si, seus lábios se encontraram num puro e brando beijo de amor.
Ao longe surgiu uma gata branca escondida pela ramagem das arvores, sentada num dos galhos mais densos, transformou-se ela em mulher, a mesma mulher que antes era serpente, que antes era cigarra. Fitou os céus rindo-se, e a um pequenino beija-flor que voava ao seu lado ela dirigiu-se:
-Vê, o que faço, faço-o direito! Se é amor, que seja verdadeiro! E só em amor verdadeiro ama-se e é-se amado!
domingo, 29 de julho de 2007
...
Pois não é o amor auto-destrutivo?
Desse amor, por mais duro e dolorido que seja, nada posso tirar de proveitoso, ela não me ama.
É uma ingrata? Não acho que seja. A amei desde que a vi pela primeira vez, ou não, talvez me engane, vim a amá-la depois.
Não sei bem o que me leva a amar alguém da forma que amo, que chegue a perder o sono, a fome, e minha mente gire em torno da vida daquela a que me vejo a amar.
Cá entre nós, se é mais difícil esquecer aquele a quem não nos ama, a quem nos ama.
Não sabe ela que a amo, não revelo meu amor à pessoa viva, amor meu só Deus o sabe, e reconhece.
Se sou louco? E quem não o é? Penso nela a cada 10min , e tu, que a ninguém tem a pensar vem e chama-me de louco? Melhor louco que normal. Pois os normais não amam, é impossível a tais pessoas sentirem tal sentimento, sentem outros, culpa, vergonha talvez, mas não amor, já não é o amor em si próprio um louco?
Vejamos, eram umas 7h30min agora, então já estava acordado faziam-se 15min. Ela ressonava ao meu lado num sono de criança, como se o mundo não fosse o mundo que é e ela não fosse minha amante.
Levantei-me da cama e tateei por entre as cobertas a procura de minhas calças. Fechei o zíper com cuidado, como se qualquer ruído a pudesse arrancar do sonho que sonhava, se é que sonhava.
Saí pelo quarto na ponte dos dedos á procura de meus cigarros, os encontrei debaixo de um casaco jogado no chão, o isqueiro estava em cima duma estante preenchida por porta retratos. Uma estante brega e sentimental. Não as possuía dessa maneira em casa, nem eu nem Débora aprovávamos esse tipo de móvel, nesse marrom velho e ressecado, que parece feder a mofo, mas que na verdade não fede. E essas fotos em molduras coloridas e chamativas.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela. Nenhum raio de luz penetrava pela cortina que ontem à noite após fazermos amor ela teve o cuidado de fechar para que o sol não nos acordasse cedo.
Deixei-me observá-la compenetrado, traçar-lhe os traços com os olhos. Era bonita, muito bonita, coisa que Débora não era. Ainda me pergunto como mulher tão bonita ia querer alguém assim, como sou. Não que seja feio, feio não sou, mas também não sou belo, sou velho, isso sim, tenho 45 e ela, 21.
Talvez seja o intelecto, homens com poder atraem moças. Mas não digo poder sobre outros, nem sobre coisas materiais, não sou pobre, claro, sou um bom advogado, mas eu digo poder sobre si mesmo, poucos homens possuem poder sobre si mesmos hoje em dia, talvez seja por isso que ela me queira.
“Ainda é cedo...”
Sussurrou numa voz miúda, aquela voz de semi-acordados, carinhosa e roca.
“Sim, ainda é cedo...”
Desviei meus olhos dela, para que não percebesse que a contemplava maravilhado. É muito orgulhosa, passaria o dia a se mostrar.
“Vem cá, deita aqui ao meu lado.”
Fiquei sentado, calado, vendo a fumaça do cigarro desaparecer naquele balé espantoso e mórbido.
Não lembro o porquê de ter começado a fumar, talvez fosse muito moço. Achava bonito, era isso, tinha dedos bonitos e achava bonito, ficava com mais ares de mim mesmo, por isso comecei a fumar.
Ela se sentou na cama um tempo absorta em pensamentos o olhar distante, me olhou preguiçosa.
“Dá-me um.”
Lhe dei o que tinha em mãos.
Ela levantou-se depois dum tempo, calada, caminhou até a grande janela e abriu as cortinas, o cigarro no canto da boca, quase caindo.
Não tinha vergonha da sua nudez. Andava sempre assim, totalmente nua ou só de calcinha, me deixava bobo.
Já Débora era a prova viva do pecado da maçã. Nunca ficava nua, nem sequer na minha frente, até amor ela fazia vestida.
Ficou ali, sem vergonha das varandas longínquas dos outros apartamentos. Também não sei o motivo de ter uma amante, amá-la não a amo, amo a Débora.
“Você lê sempre?”
Foi ela quem começou o flerte, mas em resto eu segui adiante. E agora estávamos juntos á nove meses.
“Aonde nós estamos indo, Danilo?”
Silêncio.
“A lugar algum, você sabe...”
Silêncio.
“Não acho que posso mais continuar dessa maneira...”
“Não diga isso... Sabe que te amo...”
Mentira.
“Amar não ama. Eu posso parecer burra, Danilo, mas burra eu não sou.”
“Ninguém aqui disse nada do gênero.”
Me levantei e fiquei a seu lado.
Me olhou como quem sofre, tive pena.
“Não posso continuar assim, me metendo com alguém com quem não terei futuro.”
“E quem disse que não terá?”
“Você não vai deixá-la...”
Silencio.
“Melhor sozinha do que sofrendo assim como sofro. Não podemos sair de mãos dadas na rua como duas pessoas compromissadas que somos, não nos falamos quando nos encontramos em alguma loja, e sou eu que sofro quando te encontro com ela.”
“Não faça isso comigo, amor...”
“Isso o que?...”
“Isso...”
“Não estou fazendo absolutamente nada, só lhe digo a verdade, estou cansada.”
Silencio.
“Não deveríamos mais ficar juntos...”
Silêncio.
Foi até a cama, puxou uma das cobertas e se cobriu. Me mostrou o dedo indicador apontando para a porta:
“Adeus Danilo...”
Desse amor, por mais duro e dolorido que seja, nada posso tirar de proveitoso, ela não me ama.
É uma ingrata? Não acho que seja. A amei desde que a vi pela primeira vez, ou não, talvez me engane, vim a amá-la depois.
Não sei bem o que me leva a amar alguém da forma que amo, que chegue a perder o sono, a fome, e minha mente gire em torno da vida daquela a que me vejo a amar.
Cá entre nós, se é mais difícil esquecer aquele a quem não nos ama, a quem nos ama.
Não sabe ela que a amo, não revelo meu amor à pessoa viva, amor meu só Deus o sabe, e reconhece.
Se sou louco? E quem não o é? Penso nela a cada 10min , e tu, que a ninguém tem a pensar vem e chama-me de louco? Melhor louco que normal. Pois os normais não amam, é impossível a tais pessoas sentirem tal sentimento, sentem outros, culpa, vergonha talvez, mas não amor, já não é o amor em si próprio um louco?
Vejamos, eram umas 7h30min agora, então já estava acordado faziam-se 15min. Ela ressonava ao meu lado num sono de criança, como se o mundo não fosse o mundo que é e ela não fosse minha amante.
Levantei-me da cama e tateei por entre as cobertas a procura de minhas calças. Fechei o zíper com cuidado, como se qualquer ruído a pudesse arrancar do sonho que sonhava, se é que sonhava.
Saí pelo quarto na ponte dos dedos á procura de meus cigarros, os encontrei debaixo de um casaco jogado no chão, o isqueiro estava em cima duma estante preenchida por porta retratos. Uma estante brega e sentimental. Não as possuía dessa maneira em casa, nem eu nem Débora aprovávamos esse tipo de móvel, nesse marrom velho e ressecado, que parece feder a mofo, mas que na verdade não fede. E essas fotos em molduras coloridas e chamativas.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela. Nenhum raio de luz penetrava pela cortina que ontem à noite após fazermos amor ela teve o cuidado de fechar para que o sol não nos acordasse cedo.
Deixei-me observá-la compenetrado, traçar-lhe os traços com os olhos. Era bonita, muito bonita, coisa que Débora não era. Ainda me pergunto como mulher tão bonita ia querer alguém assim, como sou. Não que seja feio, feio não sou, mas também não sou belo, sou velho, isso sim, tenho 45 e ela, 21.
Talvez seja o intelecto, homens com poder atraem moças. Mas não digo poder sobre outros, nem sobre coisas materiais, não sou pobre, claro, sou um bom advogado, mas eu digo poder sobre si mesmo, poucos homens possuem poder sobre si mesmos hoje em dia, talvez seja por isso que ela me queira.
“Ainda é cedo...”
Sussurrou numa voz miúda, aquela voz de semi-acordados, carinhosa e roca.
“Sim, ainda é cedo...”
Desviei meus olhos dela, para que não percebesse que a contemplava maravilhado. É muito orgulhosa, passaria o dia a se mostrar.
“Vem cá, deita aqui ao meu lado.”
Fiquei sentado, calado, vendo a fumaça do cigarro desaparecer naquele balé espantoso e mórbido.
Não lembro o porquê de ter começado a fumar, talvez fosse muito moço. Achava bonito, era isso, tinha dedos bonitos e achava bonito, ficava com mais ares de mim mesmo, por isso comecei a fumar.
Ela se sentou na cama um tempo absorta em pensamentos o olhar distante, me olhou preguiçosa.
“Dá-me um.”
Lhe dei o que tinha em mãos.
Ela levantou-se depois dum tempo, calada, caminhou até a grande janela e abriu as cortinas, o cigarro no canto da boca, quase caindo.
Não tinha vergonha da sua nudez. Andava sempre assim, totalmente nua ou só de calcinha, me deixava bobo.
Já Débora era a prova viva do pecado da maçã. Nunca ficava nua, nem sequer na minha frente, até amor ela fazia vestida.
Ficou ali, sem vergonha das varandas longínquas dos outros apartamentos. Também não sei o motivo de ter uma amante, amá-la não a amo, amo a Débora.
“Você lê sempre?”
Foi ela quem começou o flerte, mas em resto eu segui adiante. E agora estávamos juntos á nove meses.
“Aonde nós estamos indo, Danilo?”
Silêncio.
“A lugar algum, você sabe...”
Silêncio.
“Não acho que posso mais continuar dessa maneira...”
“Não diga isso... Sabe que te amo...”
Mentira.
“Amar não ama. Eu posso parecer burra, Danilo, mas burra eu não sou.”
“Ninguém aqui disse nada do gênero.”
Me levantei e fiquei a seu lado.
Me olhou como quem sofre, tive pena.
“Não posso continuar assim, me metendo com alguém com quem não terei futuro.”
“E quem disse que não terá?”
“Você não vai deixá-la...”
Silencio.
“Melhor sozinha do que sofrendo assim como sofro. Não podemos sair de mãos dadas na rua como duas pessoas compromissadas que somos, não nos falamos quando nos encontramos em alguma loja, e sou eu que sofro quando te encontro com ela.”
“Não faça isso comigo, amor...”
“Isso o que?...”
“Isso...”
“Não estou fazendo absolutamente nada, só lhe digo a verdade, estou cansada.”
Silencio.
“Não deveríamos mais ficar juntos...”
Silêncio.
Foi até a cama, puxou uma das cobertas e se cobriu. Me mostrou o dedo indicador apontando para a porta:
“Adeus Danilo...”
sexta-feira, 20 de julho de 2007
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Da lua, tem-se apenas a inveja.
I
Põe-se o sol no horizonte longínquo,
Espera ela, por entre os ramos das arvores,
Aquele a quem juras lhe manda o coração.
HELENA- Pois já o sol tem-se por ir,
E inda ele meus olhos não banharam,
Morro em sono se seu rosto,
Estrela minha, não ter por ver antes
De partir-me a tão distantes terras...
Ó como dói-me esse amor tão doce,
Como devasta-me o peito essa
Ventura amorosa, que tão poucos
Em sorte, ou azar, procuram tê-la,
E dela nada tem além da sombra.
Sim, deleito-me desse injusto,
Que a mim não quer ver ultima vez,
Pois, pai meu, leva-me embora
De pátria minha, por dinheiro ter
Em objetivo, além de férteis terras.
(Entra Laerte)
LAERTE- Bela minha, visão de meus amores,
De que te queixas? Pois se vai-te embora,
Te levas comigo em peito, sou teu,
E todo teu, pois o coração que levas em seio,
É o meu em carne e sangue, não te entristeça!
HELENA- Ó Laerte meu, sempre tão doce,
Faz-me assim sofrer mais forte, amando-me,
Do que sofrer por não amar-me!
Mas que injustos são os céus, meu amado,
Que o amor deixam caminhar sem pena,
E quando tem ele por agir-se em nós,
Meros humanos, é-se assim, por entre
Dores e desgostos!
LAERTE- Não te fales assim minha menina,
Quantas noites por entre estas arvores de
Teu jardim não vivemos nós entre sorrisos,
De quantos sóis não nos despedimos
Entre beijos amados? Por quantas luas não
Fomos vistos e invejados? Vejas esse lado,
Minha pequena, nos amamos como nunca
Antes puderam amar as rosas suas estrelas
Tão queridas.
HELENA- Queria eu poder ver como tu
Este lado de nossa vivência, poder
Amar o passado e esquecer-me do futuro;
Mas vida minha vivo em presente,
Meu amado, e sofro, pois melhor
Morrer a viver a vida sem teu calor
A meu lado!
LAERTE- Não te fales assim, Helena minha,
Pois sabendo eu que tu não mais vive,
Quero eu não mais viver; apenas por saber
Que sorris, mesmo que a outro, vivo eu feliz.
HELENA- Ali! lá vem ela, a invejosa,
Por em nós o ódio de sua incapacidade,
Volta lua! Volta a tua solidão, deixa
Que nos amemos apenas por mais
Um tempo, sós em nosso ultimo encontro,
Em nosso amor incompreendido e
Invejado até pelos mais famosos poetas!
(Ouve-se Hagar, pai de Helena, Gritar por ela
Por entre no jardim.).
Laerte puxa Helena a si.
LAERTE- É agora a hora de nossa despedida,
Estrela de meu viver...
HELENA- Não me fales em despedidas,
Amor meu, fingiremos que ainda teremos
Por vermos-nos amanha!
LAERTE- Se assim tu sofrerás menos, Helena
Minha, assim o farei por ti! Agora deixa que de
Teus lábios possam os meus gozar, que de teu beijo,
Possa eu, uma ultima vez provar sem demandas!
Beijam-se, Helena retira-se dos braços de Laerte as pressas.
HELENA- Adeus amor meu... Adeus...
(Saem os dois).
Põe-se o sol no horizonte longínquo,
Espera ela, por entre os ramos das arvores,
Aquele a quem juras lhe manda o coração.
HELENA- Pois já o sol tem-se por ir,
E inda ele meus olhos não banharam,
Morro em sono se seu rosto,
Estrela minha, não ter por ver antes
De partir-me a tão distantes terras...
Ó como dói-me esse amor tão doce,
Como devasta-me o peito essa
Ventura amorosa, que tão poucos
Em sorte, ou azar, procuram tê-la,
E dela nada tem além da sombra.
Sim, deleito-me desse injusto,
Que a mim não quer ver ultima vez,
Pois, pai meu, leva-me embora
De pátria minha, por dinheiro ter
Em objetivo, além de férteis terras.
(Entra Laerte)
LAERTE- Bela minha, visão de meus amores,
De que te queixas? Pois se vai-te embora,
Te levas comigo em peito, sou teu,
E todo teu, pois o coração que levas em seio,
É o meu em carne e sangue, não te entristeça!
HELENA- Ó Laerte meu, sempre tão doce,
Faz-me assim sofrer mais forte, amando-me,
Do que sofrer por não amar-me!
Mas que injustos são os céus, meu amado,
Que o amor deixam caminhar sem pena,
E quando tem ele por agir-se em nós,
Meros humanos, é-se assim, por entre
Dores e desgostos!
LAERTE- Não te fales assim minha menina,
Quantas noites por entre estas arvores de
Teu jardim não vivemos nós entre sorrisos,
De quantos sóis não nos despedimos
Entre beijos amados? Por quantas luas não
Fomos vistos e invejados? Vejas esse lado,
Minha pequena, nos amamos como nunca
Antes puderam amar as rosas suas estrelas
Tão queridas.
HELENA- Queria eu poder ver como tu
Este lado de nossa vivência, poder
Amar o passado e esquecer-me do futuro;
Mas vida minha vivo em presente,
Meu amado, e sofro, pois melhor
Morrer a viver a vida sem teu calor
A meu lado!
LAERTE- Não te fales assim, Helena minha,
Pois sabendo eu que tu não mais vive,
Quero eu não mais viver; apenas por saber
Que sorris, mesmo que a outro, vivo eu feliz.
HELENA- Ali! lá vem ela, a invejosa,
Por em nós o ódio de sua incapacidade,
Volta lua! Volta a tua solidão, deixa
Que nos amemos apenas por mais
Um tempo, sós em nosso ultimo encontro,
Em nosso amor incompreendido e
Invejado até pelos mais famosos poetas!
(Ouve-se Hagar, pai de Helena, Gritar por ela
Por entre no jardim.).
Laerte puxa Helena a si.
LAERTE- É agora a hora de nossa despedida,
Estrela de meu viver...
HELENA- Não me fales em despedidas,
Amor meu, fingiremos que ainda teremos
Por vermos-nos amanha!
LAERTE- Se assim tu sofrerás menos, Helena
Minha, assim o farei por ti! Agora deixa que de
Teus lábios possam os meus gozar, que de teu beijo,
Possa eu, uma ultima vez provar sem demandas!
Beijam-se, Helena retira-se dos braços de Laerte as pressas.
HELENA- Adeus amor meu... Adeus...
(Saem os dois).
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