domingo, 17 de junho de 2007

Non, je ne suis jamais seul avec ma solitude

Começo a achar-me um tolo, e sem duvida o sou. Falo, pois é-me um sacrifício muito grande deixar que se vá alguém que um dia amou-me.
Sou egoísta, não as amo; sem que sequer lhes faça algo começam a amar-me, e sem motivos as afasto, para sentir-lhes falta do amor e trazê-las novamente a mim.
Sou um tolo e um egoísta, tudo me é absolutamente claro agora que...
Não falemos disso...
Sento-me ao lado dela e sinto que só posso amá-la assim, sentido seu calor a distancia, sem que a ela toque.
Chama-se medo, medo de exatamente o que eu não o sei. Afinal de contas medo é medo.
-É-me tão estranho só pensar que um dia tu chegues a amar alguém...
Ela me diz fitando-me com aqueles olhos que sorriem.
-... És um louco Diego... Deixá-la assim, ela que tanto te amava... Um dia tu pagas pelo que fazes a elas.
Diz numa voz doce, materna, e um sorriso fino, que só eu percebo.
-Fiz o que me era preciso fazer, estar com ela sem amá-la e ela amando-me, seria um grande egoísmo.
-Ora, isso lá é motivo – ri ela – és um egoísta já sem estar com ela ou com qualquer outra.
-Almenos me és sincera.
Levanto-me, vou fitar o mar que se estende a procura da linha do horizonte, sinto-lhe o vento salgado que me vem limpar os pulmões, e penso que para mim, melhor estar sozinho podendo amá-la assim, para pô-la em palavras, e ela as leia, sem saber que é a si mesma que vê no papel. E assim poder perguntar-me: de onde tiras tanta inspiração? E eu responder-lhe: daqueles que já morreram.
Não acredita que não se possa acreditar num Deus. E para que não ache em mim semelhanças com os outros lhe minto, não acredito Nele, é assim simples, e dói-me a consciência pois mesmo ali estou eu a amá-lo.
Como não amar aquele a quem a ela criou?
-Andas escrevendo muito?
Me pergunta remexendo na terra branca, fazendo desenhos como uma criança, sentada ali naquele degrau a vejo como que pela primeira vez, adoro quando fica assim, com a mente distante e com perguntas para não se dizer culpada.
-Não como desejava.
-Nada nunca está bom para ti, talvez só assim tudo lhe esteja bem, não estou certa?
Balanço a cabeça positivamente.
-Anne...?
Lhe sussurro, ela me fita os olhos, seus lábios doces engolem alguma palavra que não queria ser dita, e por fim lhe digo:
-Porque é-me tão precisa? Porque só posso amar a ti? Porque tenho tanto medo de perder-te? De abandonar-te?
Ela me contempla lânguida:
-Porque sou eu quem te põe em lábios as palavras com as quais banha o mundo, e sem mim, tu não terias o que mais ama em si próprio... sou tua solidão, tua criação...

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