segunda-feira, 2 de julho de 2007

Da lua, tem-se apenas a inveja.

I

Põe-se o sol no horizonte longínquo,
Espera ela, por entre os ramos das arvores,
Aquele a quem juras lhe manda o coração.

HELENA- Pois já o sol tem-se por ir,
E inda ele meus olhos não banharam,
Morro em sono se seu rosto,
Estrela minha, não ter por ver antes
De partir-me a tão distantes terras...
Ó como dói-me esse amor tão doce,
Como devasta-me o peito essa
Ventura amorosa, que tão poucos
Em sorte, ou azar, procuram tê-la,
E dela nada tem além da sombra.
Sim, deleito-me desse injusto,
Que a mim não quer ver ultima vez,
Pois, pai meu, leva-me embora
De pátria minha, por dinheiro ter
Em objetivo, além de férteis terras.

(Entra Laerte)

LAERTE- Bela minha, visão de meus amores,
De que te queixas? Pois se vai-te embora,
Te levas comigo em peito, sou teu,
E todo teu, pois o coração que levas em seio,
É o meu em carne e sangue, não te entristeça!

HELENA- Ó Laerte meu, sempre tão doce,
Faz-me assim sofrer mais forte, amando-me,
Do que sofrer por não amar-me!
Mas que injustos são os céus, meu amado,
Que o amor deixam caminhar sem pena,
E quando tem ele por agir-se em nós,
Meros humanos, é-se assim, por entre
Dores e desgostos!

LAERTE- Não te fales assim minha menina,
Quantas noites por entre estas arvores de
Teu jardim não vivemos nós entre sorrisos,
De quantos sóis não nos despedimos
Entre beijos amados? Por quantas luas não
Fomos vistos e invejados? Vejas esse lado,
Minha pequena, nos amamos como nunca
Antes puderam amar as rosas suas estrelas
Tão queridas.

HELENA- Queria eu poder ver como tu
Este lado de nossa vivência, poder
Amar o passado e esquecer-me do futuro;
Mas vida minha vivo em presente,
Meu amado, e sofro, pois melhor
Morrer a viver a vida sem teu calor
A meu lado!

LAERTE- Não te fales assim, Helena minha,
Pois sabendo eu que tu não mais vive,
Quero eu não mais viver; apenas por saber
Que sorris, mesmo que a outro, vivo eu feliz.

HELENA- Ali! lá vem ela, a invejosa,
Por em nós o ódio de sua incapacidade,
Volta lua! Volta a tua solidão, deixa
Que nos amemos apenas por mais
Um tempo, sós em nosso ultimo encontro,
Em nosso amor incompreendido e
Invejado até pelos mais famosos poetas!

(Ouve-se Hagar, pai de Helena, Gritar por ela
Por entre no jardim.).

Laerte puxa Helena a si.

LAERTE- É agora a hora de nossa despedida,
Estrela de meu viver...

HELENA- Não me fales em despedidas,
Amor meu, fingiremos que ainda teremos
Por vermos-nos amanha!

LAERTE- Se assim tu sofrerás menos, Helena
Minha, assim o farei por ti! Agora deixa que de
Teus lábios possam os meus gozar, que de teu beijo,
Possa eu, uma ultima vez provar sem demandas!

Beijam-se, Helena retira-se dos braços de Laerte as pressas.

HELENA- Adeus amor meu... Adeus...

(Saem os dois).

Um comentário:

Unknown disse...

Parece o começo de uma belíssima peça!

^^
Parabéns você vem, sempre criativa!

A idéia de uma peça foi ótima!

Boa, sorte no desenvolver da História!