domingo, 10 de junho de 2007

Poetando... Sem ser poeta!

--Fale-me do amor.
E me sorri. É uma moça simples, simples como moça de bordel, mas sem a baixeza. Sou poeta. E o pedido que me acaba de fazer essa mocinha “culta” é o mesmo que sempre mo fazem os homens ou mulheres os quais topam comigo em esquinas ou cafés lotados. Olham-me com um olhar de quem nunca viu uma estrela no céu negro do deserto e me pedem com os lábios vacilantes: Conta-me sobre o amor.
É assim tão extinto o calor humano que apenas o encontrem, agora, em palavras dum poeta o qual nunca amou na vida?!
Sinto vacilarem-me as palavras nesses lábios sofridos de beijos, fito aquele rostinho de anjo com olhos atormentados de um azul gélido.
--Não sou nenhum Shakspeare, entende...
Ela meche na taça, beberica o vinho, e me sorri, deixando transparecer o quão atormentada está.
Elas vêem a mim em busca desse algo que nada tem de concreto e ao mesmo tempo o tocamos sem sentir. Dizem que o amor nada vale, e choram desesperadas por, almenos, uma gota desse néctar tão doce que Deus em sua mais fina obra de arte batizou com o nome de amor.
Sinto que, apenas em papel e em linguagem lírica, posso eu “manchar” essa obra perfeita, com minha infelicidade e sofrer melancólico, batizá-la de outro nome e poder dizer sem dois caminhos: Sou artista, poeta, e do que falo, falo em certeza.
Sabe ela que, sendo eu homem, por ser poeta, não muito tenho de diferente dos outros? Certo que conheço os sentimentos, que os absorvo, que os choro, que os rio... não deixo de ser um homem, e como homem, posso machucá-la; e como um homem normal, jovem ainda, em uma noite de sexta-feira chuvosa e carente, quero com ela fazer amor e nada mais? Não... nem para fazer amor chego eu a desejá-la, faz-se amor com que se ama...
Faz-me um muxoxo tão adolescente que meus olhos faíscam com sua beleza milenar. Milenar, pois já não via em mulheres traços tão antigos e vivos, aquele pescoço de cor branda, mandíbulas dóceis... Entro quase em um êxtase momentâneo. Que bobo são os poetas, vejo-a duas vezes e já estou a apaixonar-me pelo que dela posso fazer em linhas brancas.
--Tudo bem... digo-lhe eu, vou satisfazer-lhe o desejo, se isso a faz sorrir, pois para ver-te sorrir seria capaz de sentar-me no colo do mais gordo homem desse restaurante e cantar-lhe uma canção de amor.
Ela ri a bom grado e apóia o rosto em suas mãozinhas delicadas onde vê-se brilhar uma aliança pequenina.
Encosto-me na cadeira, remexo o guardanapo, passo os olhos ao redor, deixo que nela caiam embebidos, chego-me para perto, nossos rostos próximos, os olhos dela como as praias da antártica, e os meus dos mesmo castanhos cor de vinho como sempre foram:
--Fala-me do amor... tu me diz... e me pergunto: sou eu digno de falar de algo tão puro, de algo instinto? Sou eu, mero homem, o mais bruto dos brutos, digno de a ti levantar a voz e falar de algo que nunca antes senti? Pois o sou... eu, que dele nunca provei, e por ele apenas clamei em noites de insônia, o sinto, prescinto, e o amo a mais que toda esta raça humana que por Ele é tão amada. Sou eu capaz de sentar-me ao relento e beber do doce da noite; sou eu capaz de sentir em pele as chamas ardentes dum sol esquecido; sou eu capaz de chorar sem sentir, e de sentir sem chorar; sou eu capaz de rir sem motivos por ver sorrir aquele a quem não conheço; sou eu capaz de apaixonar-me por alguém tão fielmente apenas por ouvir sua voz, e desse alguém nunca esquecer-me, mesmo sem nunca ter-lhe os olhos visto; sou eu capaz de da mais triste árvore fazer chorar o mais bruto dos homens; sou eu capaz de levantar ao céu os olhos de quem jamais a ele tocou; sou eu capaz de tingir o horizonte sem que tintas sejam precisas... enfim, sou eu quem cria em ti as sombras daquilo o qual nunca vistes, daquilo o qual nunca sentistes, sou eu quem faz nascer em ti a vontade de senti-lo, aquele querer sem motivos, desejar sem sentidos... Sou eu a causa de, exista a morte ou não, viverem ainda aqueles os quais buscam amargamente do sofrer tão mórbido que chamamos amor.
Pois sim... e sem que nada pudesse eu dizer de concreto sobre o que me pedia, fiz que se derretesse o gelo de seus olhos e seu fruto banhasse a toalha de mesa. Sou um bruto sim, sou um egoísta, de tanto sei que tanto nada digo...

3 comentários:

Jean Lênin disse...

Poxa...
Lindo fia..
Lindo mesmo...
Vc tem um dom...
Continue assim...
Mais uma vez soh seu fã Number 1...
Ou seja, quando escrever um livro o 1° exemplar eh meu viuh?!
Hheheheh..
Brincadeira fia..
=D...
Doru tu...
=****...

Elso Rios disse...

ah não vey ta perfeito, ta massa demais... num tem condições ta massa demais aff menina gênio vey!!!!
Dimi kawaii... bj tenshi!!!

Anônimo disse...

Mto Lindo Dimitriia!
\o/

o blog tá Perfeitão!
;D

;*