segunda-feira, 11 de junho de 2007

O Rouxinol e a Rosa.

I

Nasceu da mais bela roseira
Num desses jardins brasileiros
De cores estonteantes,
E fragrâncias voluptuosas.
Chamava-se flor, filha da rosa,
Mas em nome completo era
A rosa vermelha.
Tinha o encanto da moça faceira,
E o recato da recente esposa.
Suas sépalas de verde vivo,
Suas pétalas de vermelho sangue.
Era virgem em canto,
Era virgem em seio,
Sonhava com encantos,
Sonhava com amor.

II

Nascera num dos galhos do Ipê,
Num ninho de amor,
Tinha nas azas o alado do pegaso,
E em lábios o beijo de flor,
Era pássaro pequeno,
Era menino travesso,
Nas penas o verde brilhante,
Nos olhos o negro vivente.
Não era virgem de lábios,
Não era virgem de amor,
Amava a todas e a tudo,
Tinha a flora em amor.

III

Caia o sol das colinas,
Brilhava a grama de orvalho,
Bocejavam as flores meninas,
Acordava o cravo solitário,
Ganhava tons vivos o jardim,
Cantava o pássaro amante,
Cantavam as águas do arroio.
De lado a lado flores vibrantes,
Orquídeas formosas,
E ervas perfumadas.
Sonhava a Flor em seu caule,
Reclinada sobre suas,
Folhas verdejantes;
Sonhava num amor verdadeiro,
Sonhava com uns olhos negros.
IV

Ia sem rumo o Beija-flor,
Ia, mas ia cansado,
Cansado desse vagar,
Cansado de amor sem amar.
Via as rosas, mas nada fazia,
Seus lábios beijos não dariam,
Suas flores, amores, não ganhariam.
Iam monótonos seus olhos negros,
Pelas flores derramar desejos,
E por entre a roseira mais vibrante,
Viu ele a Flor envolta em doces suspiros.
Viu-a e amou-a,
Amou-a em seu castigo,
A quis sem motivos,
Tremiam seus lábios,
Vacilava seu seio.

V

Chegou-se deslumbrante,
O seio vibrante, seio de mancebo,
E sem perceber-se a rosa,
Tocaram seus lábios virgens,
Os lábios do cavalheiro,
Beijo de alma, beijo de cor.
Estalou o seio da rosa,
Descobria o amor.
Fitou o Beija-flor seu amor querido,
Fitou a rosa seu sonhado amor.
E lágrimas, enfim vieram,
Não mais amava o Beija-flor.

VI

Viveu a rosa solitária,
Suas pétalas perdiam a cor,
Seu vermelho virava vinho,
Vinho do amargo amor.
Seu sorriso não mais alegrava,
Seus suspiros não mais existiam.
Chorava, apenas, a rosa
Chorava a desilusão amorosa.
Suas irmãs sofriam sua dor,
Dor de sangue, dor de amigo.
A rosa formosa morria,
Morria por um amor inimigo.

VII
Manhã como todas,
Vinha o sol alegrar o jardim,
Caiam seus raios sobre as flores,
Cantavam seus passaros,
Suas canções de amor.
Mas lá longe, na roseira vermelha,
Chorava uma das suas,
A única rosa não mais desejada,
Pois sua cor era agora,
De vinho amargo,
Não mais do vermelho,
Do amor encantado.
Chorava ela, resignada,
Suas irmãs lhe falavam,
Não as escutava.

VIII

Veio doce o canto,
Canto brando,
Encheu seu seio,
Atraiu sua atenção.
Quem é que canta?
Essa maviosa canção de amargura?
Quem é que a canta?
Perguntou a rosa a suas irmãs,
Nada essas sabiam,
Quem sabe era um Bentivi,
Quem sabe uma ave silvestre.
E toda manhã ouvia a rosa,
Aquele canto de amor amargo,
Amargo como seu sofrer.

IX

Ganhava a rosa cor,
Vermelho de lábio virgem,
Virgem como nosso Deus Apolo,
Virgem como sol em manhã.
O canto estendia-se pelo jardim,
Todas paravam a ouvir,
Choravam sem motivos,
Choravam pelo poeta sem rosto.

X

Surpreendeu-se a rosa,
Agora era a mais formosa.
Porque seria?
Então descobria,
Era por que amava.
E nesse amor sem motivos,
Amor sem compreensão,
Viu-se a rosa a sorrir,
Sorrir só por sorrir,
E desse sorrir, viu-se a encantar,
E a todos fazer amar, amor familiar,
Amor sem sofrer.
Cantou a rosa,
E a todos fez calar.
Cantava venturas,
E o canto cantou junto a si.
De por entre as folhas do Ipê,
Surgiu um pequeno passarinho,
No peito o amor verdadeiro,
Na voz o canto do Rouxinol.
Sorriu-se a rosa ao aproximar-se aquele
A quem amava.
Chegou-se o pequeno Rouxinol,
E junto a si, cantou a rosa:
Sou eu teu poeta,
Sou eu quem canta a ti,
Sou eu quem ama sem motivos,
Só para poder a ti, fazer sorrir.
Era eu quem te amava em silencio,
Quem pedia teu olhar,
Quem sussurrava ao luar.
Sou eu quem sempre aqui vou estar,
A amá-la sem nada querer em troca,
A não ser um mero olhar,
O toque de tuas pétalas,
O sabor de teus lábios.
Pois saiba minha Flor,
Que a ti cantei sonetos,
Em noites de desespero,
E por ti escrevi canções,
E as canto em jardins infelizes.
Sou viajante, sou trovador,
Mas por ti, minha Rosa,
Seria eu um mero poeta.

3 comentários:

Unknown disse...

Lindo Dimi, Parabéns
Continua assim!

Gostei muito

Beijos

Elso Rios disse...

muito massa vey!!!!! O.O muito kawai...kawai igual a vc Dimi heheheheh
bj tenshi

Unknown disse...

huummm !

=D~

ta massa demaiz ;D

entaum num tenho muito comentario a fzr até pq....hhauehuehhaue

:p

bjoo