domingo, 29 de julho de 2007

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Pois não é o amor auto-destrutivo?
Desse amor, por mais duro e dolorido que seja, nada posso tirar de proveitoso, ela não me ama.
É uma ingrata? Não acho que seja. A amei desde que a vi pela primeira vez, ou não, talvez me engane, vim a amá-la depois.
Não sei bem o que me leva a amar alguém da forma que amo, que chegue a perder o sono, a fome, e minha mente gire em torno da vida daquela a que me vejo a amar.
Cá entre nós, se é mais difícil esquecer aquele a quem não nos ama, a quem nos ama.
Não sabe ela que a amo, não revelo meu amor à pessoa viva, amor meu só Deus o sabe, e reconhece.
Se sou louco? E quem não o é? Penso nela a cada 10min , e tu, que a ninguém tem a pensar vem e chama-me de louco? Melhor louco que normal. Pois os normais não amam, é impossível a tais pessoas sentirem tal sentimento, sentem outros, culpa, vergonha talvez, mas não amor, já não é o amor em si próprio um louco?
Vejamos, eram umas 7h30min agora, então já estava acordado faziam-se 15min. Ela ressonava ao meu lado num sono de criança, como se o mundo não fosse o mundo que é e ela não fosse minha amante.
Levantei-me da cama e tateei por entre as cobertas a procura de minhas calças. Fechei o zíper com cuidado, como se qualquer ruído a pudesse arrancar do sonho que sonhava, se é que sonhava.
Saí pelo quarto na ponte dos dedos á procura de meus cigarros, os encontrei debaixo de um casaco jogado no chão, o isqueiro estava em cima duma estante preenchida por porta retratos. Uma estante brega e sentimental. Não as possuía dessa maneira em casa, nem eu nem Débora aprovávamos esse tipo de móvel, nesse marrom velho e ressecado, que parece feder a mofo, mas que na verdade não fede. E essas fotos em molduras coloridas e chamativas.
Sentei-me na poltrona ao lado da janela. Nenhum raio de luz penetrava pela cortina que ontem à noite após fazermos amor ela teve o cuidado de fechar para que o sol não nos acordasse cedo.
Deixei-me observá-la compenetrado, traçar-lhe os traços com os olhos. Era bonita, muito bonita, coisa que Débora não era. Ainda me pergunto como mulher tão bonita ia querer alguém assim, como sou. Não que seja feio, feio não sou, mas também não sou belo, sou velho, isso sim, tenho 45 e ela, 21.
Talvez seja o intelecto, homens com poder atraem moças. Mas não digo poder sobre outros, nem sobre coisas materiais, não sou pobre, claro, sou um bom advogado, mas eu digo poder sobre si mesmo, poucos homens possuem poder sobre si mesmos hoje em dia, talvez seja por isso que ela me queira.
“Ainda é cedo...”
Sussurrou numa voz miúda, aquela voz de semi-acordados, carinhosa e roca.
“Sim, ainda é cedo...”
Desviei meus olhos dela, para que não percebesse que a contemplava maravilhado. É muito orgulhosa, passaria o dia a se mostrar.
“Vem cá, deita aqui ao meu lado.”
Fiquei sentado, calado, vendo a fumaça do cigarro desaparecer naquele balé espantoso e mórbido.
Não lembro o porquê de ter começado a fumar, talvez fosse muito moço. Achava bonito, era isso, tinha dedos bonitos e achava bonito, ficava com mais ares de mim mesmo, por isso comecei a fumar.
Ela se sentou na cama um tempo absorta em pensamentos o olhar distante, me olhou preguiçosa.
“Dá-me um.”
Lhe dei o que tinha em mãos.
Ela levantou-se depois dum tempo, calada, caminhou até a grande janela e abriu as cortinas, o cigarro no canto da boca, quase caindo.
Não tinha vergonha da sua nudez. Andava sempre assim, totalmente nua ou só de calcinha, me deixava bobo.
Já Débora era a prova viva do pecado da maçã. Nunca ficava nua, nem sequer na minha frente, até amor ela fazia vestida.
Ficou ali, sem vergonha das varandas longínquas dos outros apartamentos. Também não sei o motivo de ter uma amante, amá-la não a amo, amo a Débora.
“Você lê sempre?”
Foi ela quem começou o flerte, mas em resto eu segui adiante. E agora estávamos juntos á nove meses.
“Aonde nós estamos indo, Danilo?”
Silêncio.
“A lugar algum, você sabe...”
Silêncio.
“Não acho que posso mais continuar dessa maneira...”
“Não diga isso... Sabe que te amo...”
Mentira.
“Amar não ama. Eu posso parecer burra, Danilo, mas burra eu não sou.”
“Ninguém aqui disse nada do gênero.”
Me levantei e fiquei a seu lado.
Me olhou como quem sofre, tive pena.
“Não posso continuar assim, me metendo com alguém com quem não terei futuro.”
“E quem disse que não terá?”
“Você não vai deixá-la...”
Silencio.
“Melhor sozinha do que sofrendo assim como sofro. Não podemos sair de mãos dadas na rua como duas pessoas compromissadas que somos, não nos falamos quando nos encontramos em alguma loja, e sou eu que sofro quando te encontro com ela.”
“Não faça isso comigo, amor...”
“Isso o que?...”
“Isso...”
“Não estou fazendo absolutamente nada, só lhe digo a verdade, estou cansada.”
Silencio.
“Não deveríamos mais ficar juntos...”
Silêncio.
Foi até a cama, puxou uma das cobertas e se cobriu. Me mostrou o dedo indicador apontando para a porta:
“Adeus Danilo...”

4 comentários:

Anônimo disse...

dimi meu tenshi vc é um gênio
bj meu anjo xD
\o/

Anônimo disse...

A nova Lygia Fagundes xD
adoro seus textos, futura escritora .xD

;*

Unknown disse...

Muito lindo seu texto!
Vá em frente vc tem talento para isso e todo o meu apoio tbm...
Conte sempre comigo.
bjs

Anônimo disse...

oow.. tempão q n aparecia por aki..
tava com saudade dos seus textos..
hehehe

Bjo