domingo, 26 de agosto de 2007

Diálogo

Um olhar desconfiado depois do adeus.
Ele longe, ela ainda lá.
De todo não lhe era confiável nem um pouco.
Fitou as mãos, todos os anéis, e o relógio.
Não confiava em nada nem ninguém, só no seu cachorro vira-lata dengoso e gordo que dormia debaixo da mesa da cozinha o dia todo.
“E ele disse que ela anda meio triste por conta do cachorro do noivo que largou ela um dia desses ai...”
“Pobre dela...”
“Pobre dele que não viu antes onde se metia, você se lembra bem de quem nós estamos falando não lembra?”
“Positivo.”
“Pois então... Pobre dele...”
Agélica era visivelmente atraente, mas não era simpática, nem um pouco, e falava assim, soltando as palavras como cuspe, botando pra fora de si como a galinha bota o ovo.
Era sua única amiga.
“Me diz, e ele já anda com outra não é?”
“Deus lá que sabe.”
“Hum... Então... Solteiro?”
Um olhar desconfiado, ela longe, ela ainda aqui. Não confiava em ninguém.

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