Discute-se o amor:
“Porque te amar não posso eu?”
“Amar simples não é.”
“Com minhas conseqüências arco.”
“Arca com teus desgostos e tuas faltas? E minhas faltas e meus desgostos?”
“E com teus beijos e teus abraços...”
“E lágrimas e ciúmes de ambos os lados?”
“Teu doce sabor, teu calor...”
“Basta! Demasiado já sei que a mim entender não queres!”
“...”
“Não vê que o céu, mesmo em amor, volta-se do mar para o infinito?!”
“Por outro lado, volta-se o mar a si mesmo por medo de amar!”
“Veja como as rosas ao amar nascem murchas!”
“Murchas nascem, pois sua vida sentido não mais faz sem aquele a quem amam ao seu lado na primavera próxima!”
“Olha o quanto chora aquele que o amor toca...”
“Olha tu o quanto ri aquele que por este é escolhido!”
“Faz-me lembrar as ondas que na praia quebram, antes felizes em seu nado ondulado, depois tristes pela quebra de seus alvoroços, pela queda do amor próprio!”
“E recaídas voltam ao mar aberto para depois serem hoje o que antes eram, em sorrisos contempladores e desejo acima do desejo!”
“Rogo pelo amor, entenda, mas dele só quero o sonho...”
“Sonhos que tudo são a ele não merecem!”
“E mereço eu? Eu que daqui me volto a esta bela terra trazendo-lhe o medo e o desespero duma escuridão maldosa?!”
“A escuridão precisa! A noite dos amantes! O vício do poeta, do pintor, do escultor...!”
“O choro da criança, o rancor dos odiados!”
“Mas que dizeis minha Lua, minha amante!”
“E choro.”
“Mas choras porque?”
“Por amada não ser, nem poder...”
“Pois, querida, digo-lhe eu, temor não tenhas, nem ódio, nem rancor, nem te sintas o que não és! Saibas assim, que por entre estes raios imaculados, és tu Lua, e eu Sol, a um somos, a um seremos, e sempre traremos a esta podre e opaca terra, sua glória, sua forma, sua história!”
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
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